<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159</id><updated>2012-01-06T20:23:14.431Z</updated><category term='Mini AM'/><title type='text'>M</title><subtitle type='html'>M de sal, de lágrimas e de vento. M de beijos e sorrisos, de desejos e sentidos. M de morte, de vida e de momento. M de mundo, de março, abril e maio. M de Setembro.  M de meu, teu e dele. M de tudo, M de nada. M de estrada.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>184</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-3566209546730842016</id><published>2011-06-17T01:26:00.000+01:00</published><updated>2011-06-17T01:27:19.154+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mini AM'/><title type='text'>Summer Time</title><content type='html'>De repente é verão. Sem se explicar muito bem, passam todas as outras estações e é verão. Tu fazes pinos aldrabados e rodas mal executadas na relva esvoaçante. Os olhos brilham-te coroando um rosto de verão. Eu rodo a cabeça para te ver segurar no mundo. É talvez depois de almoço porque a fome não se faz lembrar. O vento quente esvoaça-me na cara tornando vermelho o céu ainda laranja. As mãos cheiram a laranjas do verão colhidas por entre as silvas que me desenharam as pernas de vermelho. Definitivamente verão. Há todo  um calor que me refulge no corpo apesar da minha imensa inércia. Posso talvez chamar-lhe inércia. Estendido, vejo me agora na minha cama. Tu sorris-me e os olhos brilham-te ainda. Mas as lágrimas escorrem-te na face. Eu aperto-te a mão. É verão. O suor  esconde-se entre as duas mãos e elas entrelaçam-se. O peito arde-me num calor sem fogo. Eu sorrio. É verão, e os meus olhos fecham-se para descansar da luz. Talvez não queira fazer isto. Talvez venha um verão ainda. Quero dizer que afinal já não quero. Que afinal não desisto. Ouçam-me afinal. Mas o corpo já não me responde, só aqueço mais o quente verão que se vai espalhando a partir do meu peito. Expiro. Esqueço-me. O calor habita-me por inteiro. Nos ouvidos um zumbido final. Na expressão um verão, absoluto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-3566209546730842016?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/3566209546730842016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=3566209546730842016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3566209546730842016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3566209546730842016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2011/06/summer-time.html' title='Summer Time'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6869801393776484971</id><published>2011-04-20T13:52:00.000+01:00</published><updated>2011-04-20T13:53:39.089+01:00</updated><title type='text'>Escrito</title><content type='html'>Em silêncio gritante, espalha-se o zumbido constante da ausência de sons que batam no meu ouvido. Respiro fundo e desço ao cimo da consciência breve. Esqueço-me facilmente do que não me lembro. Está um dia bom para contar números á espera de um trovão. Inspiro e deixo que alguém se escute de vez e rompa com este infinito zumbir. Há algum mar ainda nos meus olhos e alguma ferrugem nos meus dedos. Nas minhas mãos. Se houvesse talvez um clac repetido e em vários tons a dizer-me alguma coisa. Mas as palavras são silêncio em teclas mudas aos ouvidos empedernidos que me ladeiam a cabeça. E o silêncio é silêncio sem palavras. E eu sem palavras.&lt;br /&gt;Deixo-me então falar neste espaço branco e fechado que é uma folha de papel fictício, em que escrevo ficções. Fechado no espaço branco da minha cabeça em que a minha voz ecoa sem que os meus lábios se movam. Artificio de mago pouco dotado de talento. Fogo de vista que arde sem ser. Ardor de garganta deslocado no espaço que me distancia a voz do pensamento. &lt;br /&gt;Cortar a voz toda em palavras erráticas, nómadas. Fechar a boca num castelo todo ele prateado que brilha vermelho culpando os comprimentos de onda. Escrever sem personagens nem história a mentira que um sentimento pode mentir. Não há falas, nem noticias, nem dedos que não se sentem. Não há palavras que se contentem. Não há rimas que aguentem, toda a minha poesia.&lt;br /&gt;Das mãos sem algemas de mundo algum,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6869801393776484971?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6869801393776484971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6869801393776484971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6869801393776484971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6869801393776484971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2011/04/escrito.html' title='Escrito'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1506021198504601613</id><published>2010-12-30T03:56:00.001Z</published><updated>2010-12-30T03:56:39.741Z</updated><title type='text'>O colarinho da minha camisa está frio.</title><content type='html'>O colarinho da minha camisa está frio. O meu pescoço retorcido aquece com o gelo da inquietação. Amanhá vão-me doer as costas, vão-me pesar os olhos, vai-me cansar o pescoço. Hoje não. Hoje não sou ninguém. Sou calado como um rio em dezembro. Negro como um céu de fogo. Hoje sou só. Sou só um a mais caminhando de pelo branco, branco como alguma coisa que não me lembro. Como nada. O colarinho da minha camisa está branco. Estou esquecido porque não me posso pensar. Deixo voar os dedos para que descanse a cabeça. Chega por hoje. O espectáculo continua a seguir. Não tem que continuar, eu não tenho que o continuar. É escuro e dormem os anjos. É fundo. Cru como a carne que me faz. Respira e caminha. Sorri e canta baixinho. Grita comigo um dia feliz, porque só no teu grito ele vive feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1506021198504601613?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1506021198504601613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1506021198504601613' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1506021198504601613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1506021198504601613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2010/12/o-colarinho-da-minha-camisa-esta-frio.html' title='O colarinho da minha camisa está frio.'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7563167145952242669</id><published>2010-03-03T10:24:00.003Z</published><updated>2010-03-03T16:30:07.181Z</updated><title type='text'>Sexto Sentido</title><content type='html'>Há seis anos dei o primeiro e inseguro passo, no que se vem a tornar nas coisas que mais orgulho. Cheguei a muita gente importante, muita gente desconhecida, e a pessoas muito importantes. Distribuí nas faces alheias sorrisos, lágrimas e distribuí-me a mim. Aprendi, aprendi muito. Evoluí. As minhas palavras são agora um tesouro para mim, ainda à espera de ser muito mais polido. Sou feliz com elas e gosto de pensar que elas também são felizes comigo. Não foi um caminho fácil fora do papel, as isso tornou-me no que sou hoje, fez-me o que sou agora. É o meu caminho. E como alguém uma vez disse com uma força inabalável: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O caminho faz-se andando.&lt;/span&gt;" e eu vou continuar a andar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7563167145952242669?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7563167145952242669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7563167145952242669' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7563167145952242669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7563167145952242669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2010/03/sexto-sentido.html' title='Sexto Sentido'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5751881451931687932</id><published>2010-02-24T00:40:00.002Z</published><updated>2010-02-24T01:06:29.050Z</updated><title type='text'>Como quem diz*</title><content type='html'>Há aquela respiração ofegante ao fundo. Tudo escuro. Tudo escuro e negro. Um ribombar bate-me ciclicamente nos ouvidos. Talvez o meu peito descontrolado ou um céu enervado. Fraco. Não sou fraco, mas sinto-me sem forças. Cheira a vómito. Espasmos, um e outros. Respiro com mais força. Ao fundo silêncio. Decido não chorar. Não me consigo limpar, não me consigo tocar. Preso, enclausurado, enjaulado, algemado, acorrentado. Cansado. Decido apertar os punhos. O comando chega ás minhas mãos com pesado atraso. Pesado. Apercebo-me que sou tremendamente pesado. Não me consigo suster. Sustenho de novo o vómito. As pálpebras dançam-me nos olhos para evitar o pior. Doi-me as costelas, mas não sei porque não lhe consigo tocar. Os olhos não sabem ver o nosso corpo. Vem tudo o resto menos o corpo que os comanda. Não consigo comandar o meu corpo. Doi-me tudo. Doí-me a alma. Doí-me o respirar. Dou-me a respirar. Esforço-me para não chorar. Grito. Grito ferrugem. Palavras que me saem esganiçadas e partidas. Partidas de mim por não me pertencerem. É tudo dor e negro. Respiro.&lt;br /&gt;Há uma janela quadrada, dividida em quatro quadrados. No quarto quadrante há uma árvore contra o sol. Não vejo senão a sombra de tudo isto. Como platão. Como alguém de Platão. Eu não sou ninguém. Ninguém de ninguém. Chove. Nos meus ossos directamente. Fecho os ohos e a sombra grava-se no meu olhar. Vejo o negativo de um negativo. O queimar lento da luz contrária as imagens que se definem nas minhas costas. Não é real. Não sou real. É uma realidade aproximada por defeito. Como o meu defeito amarrado a estas correntes. O meu corpo defeituoso como qualquer um. Esforço-me para não sangrar. Choro só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bernardo Sassetti Trio - Ascent&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Trem Azul&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5751881451931687932?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5751881451931687932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5751881451931687932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5751881451931687932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5751881451931687932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2010/02/como-quem-diz.html' title='Como quem diz*'/><author><name>Celi M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07227098853284935945</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='30' src='http://4.bp.blogspot.com/_lT8bWr0viXE/S2IinyBMURI/AAAAAAAAAAM/lLCIjihV0dU/S220/fotografia.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6922590446181958516</id><published>2009-12-13T23:46:00.003Z</published><updated>2009-12-14T00:25:11.066Z</updated><title type='text'>Bullet Point</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O cigarro sempre bafejando no ar a sua presença, esticado entre os dedos petrificados na sua mão cálida.  Os cabelos loiros sopram-lhe aos ouvidos elogios  que fazem a ponta dos lábios esticarem-se como na pintura de um palhaço. Mas a ira é o seu riso.O esticar de lábios a sua frente de batalha. A água parece ferver no longo azul dos seus olhos. As sobrancelhas, outrora esticada sem expressão, fazem aparecer um olho furioso no meio das duas orbes incandescentes. A mão caiu sobre a mesa pondo um ponto de exclamação no fim da sua frase. Rodelas de cinza rolam sobre a toalha e o vermelho de vários olhos apagou-se contra o tecido.Os ombros descaem-lhe a figura para o lado esquerdo onde o braço a segura contra a mesa. No espelho que cobre a parede atrás dela espalham-se as  suas costas,  até aos ombros decotados. Num movimento de espada a mão dela correu o ar apontando a rua. Como se um avião cruzasse o céu, uma linha de fumo estica-se por cima de nós. Em cima da mesa amontoam-se lenços de papel usados, e um maço de cigarros amarrotado. Os restos desses cigarros rastejam para sair do cinzeiro superpopulado. Nas pontas dos seus lábios forma-se agora residuos de fúria. Eu vejo tudo isto, mas os meus ouvidos fugiram-me com um misto de medo e vergonha.  A mão que a apoiava na mesa fechava-se na vertical, como que segurando uma espada. Voltei a correr-lhe os olhos e estes encontraram-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água deixava-se cair ao fundo. Eu batia o fundo de um cigarro contra a mesa. Os nossos olhos voltaram a encontrar-se. A minha face parecia explodir em vergonha. A dela escondia toda a emoção que lhe corria no peito. Sentava-me sozinho junto de um guarda-sol que se empoleirava num velho pneu cheio de cimento. Ela bebia um sumo delicadamente da ponta de uma palhinha. Quando não bebia, o seu rosto erguia-se contra o vento que lhe cortava as faces. Os cabelos negros ainda que abanados pelo vento pareceiam segurar-lhe a cara num tempo de pedra. Tinha os olhos rasgados contra o negro dos cabelos a  pintarem-lhe  todo o disfarce de esfinge. O vestido branco revelava-lhe um pouco do peito, mas escondia-lhe os ombros. Corriam-lhe a figura os meus olhos mas pareciam fugir-me  para os dela cada vez que o seu olhar se mudava. Os meus lábios nervosos esforçavam-se por sair da prisão dos dentes para sorrir de encontro à mesa cada vez que era apanhado na vigia. Sem ver o que olhava fixava a mesa de cabeça baixa até ser seguro.&lt;br /&gt;Baixo a cabeça contra a mesa desarrumada . Pesa –me demais. A voz dela ecoa na sala silenciosa e aparentemente submersa em fumo. A janela mostra-me  que lá fora  tudo esta adormecido já. A cama esconde-se atrás da porta entreaberta do quarto. Os lençóis contam-me que ela já esteve deitada.Os seus olhos denunciam também o choro que correu por entre as suas faces, mas erguem-se secos na tempestada.Tudo cheira  a fumo. A janela fechada como os seus ouvidos. Tudo abafado na cabeça dela. A fúria corre-lhe agora no sangue, expurgando toda a tristeza. Mais uma vez a sua mão desceu sobre o cinzeiro, esfaqueando–o com o que restava do cigarro acabando por matá-lo. As minhas mão revolvem o isqueiro, enquanto a minha cabeça revolve a vontade de pegar num cigarro. As palavras enrolam-se na minha boca e não falo. Não consigo falar. A boca selada pelo peito com um ferro em brasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aclarei a garganta, mas ela nem se mexeu. Nervosamente as minhas mãos revolviam os bolsos procurando moedas de que não tinha necessidade. Dizia alguma coisa  e o meu coração acelerava a cada palavra. Parado diante do trono egipcio que parecia envolve-la . A sua face continuava firme no horizonte que outrora me incluia. Senti-me numa audiência. Ela aproximou primeiro os olhos e só então a face se rodou. O sorriso surgiu de forma tão crescente que me pareceu uma flor desabrochando debaixo do seu nariz.  O seu sorriso pareceu convidar-me a sentar e assim fiz. Horas depois, dias depois convida-me a sua cama. Não o seu sorriso nem o seu olhar mas as suas palavras de sotaque cravado à sua origem. Acedi sem sorrir. O coração ameaçava tombar-me de culpa. Ardia ainda um cigarro na minha mão que passei aos lábios dela. Os lábios cleopátricos sorriam-me da sua ignorância. Semi-nus, iluminados  pela luz doentia de um candeeiro amarelo, deixamos que os corpos se aproximassem magnetizados por um cerebro cego. O peito queimava-me demais. Não sei que combustivel o fazia arder, e ainda hoje não sei. Culpa engrossada  e viscosa, ou pura sensualidade alcoolica. Os cabelos negros dela cobriram-me a luz e fechei os olhos como assentindo o que me convidava. Pediu-me que sorrisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-lhe que nos vamos deitar. Grita-me algo e acende um cigarro. É terça-feira, amanhã trabalho. Tenho tanto que fazer. As lágrimas surgem vaporizando a sua voz. Gritos enchem de novo o ar. Acabo acendendo um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e disse: “Acabou”. Ela chorava, desesperadamente pedindo-me em gemidos algo que não posso dar. A pronuncia dela queimava-me agora a minha garganta. O sentimento de culpa levando a melhor da sua sensualidade. Ela puxando dela recolhe uma madeixa negra atrás da orelha. O pouco comprimento acaba por fazer com que se balance de encontre aos seus olhos negros. Hipnotizo-me uma última vez. Levanto-me e saio pela porta. Vou pelas escadas, o cigarro proibindo-me o elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acaba por me probir as palavras, e sobe-se da cadeira. As lágrimas vão caindo sobre a carpete vermelha. Ela aproxima-se da cozinha e desaparece por trás da parede. Vejo tudo isto lentamente. Não sei se as lágrimas dilatando-me os olhos, dilatam-me também o cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é dor e impotência. Estou no sangue a sangrar. No chão, a chorar. Ela chora sobre mim. O revólver já frio na mesa. Matou-me.  Há-de fazer 5 anos que a traí. Hoje não. Cheguei tarde, do trabalho. Estou morto. Já não choro, sangro. “É tudo culpa minha” diz ela. Não, é tudo culpa minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6922590446181958516?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6922590446181958516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6922590446181958516' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6922590446181958516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6922590446181958516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/12/bullet-point.html' title='Bullet Point'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7205330903202863535</id><published>2009-07-07T02:34:00.009+01:00</published><updated>2009-07-07T15:21:29.603+01:00</updated><title type='text'>Estatística</title><content type='html'>"Uma hipótese pode ser definida neste contexto como uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conjectura &lt;/span&gt;acerca de uma ou mais populações"&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conjecturamo-nos futuros presos a sonhos de hipóteses esfiapadas. Populamo-nos de esperanças e desvios padrões.  Desviamo-nos dos padrões em largos passos de felicidade. Adiamos a felicidade para conjecturas futuras. Jogo com as palavras. Lembro-me da prosa e da felicidade que a traz. Da tristeza que nela se cola sem esperar fumo branco na chaminé. Trago-te de volta, trago ácido e amarelo do tempo. Espelho nas palmas a cidade de que falamos e falamos de espelhos que reflectem as nossas mãos unidas. Unimos as mãos mais uma vez. Da forma que nos apetece. Puxo a impessoalidade para que te possas espelhar aqui. Tempo, tempo, tempo. Tempo demais que não chega para nada. Com um dedo faço congelar o quadro que mais me convêm. Com a mão rasgo no ar aquilo que sou. É escuro, é éfemero, é do tempo parado. Paro. Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/SlKr04q7fgI/AAAAAAAAAD4/5ZJhe3vjQrc/s1600-h/DSC_1005.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/SlKr04q7fgI/AAAAAAAAAD4/5ZJhe3vjQrc/s320/DSC_1005.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355531831950933506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7205330903202863535?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7205330903202863535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7205330903202863535' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7205330903202863535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7205330903202863535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/07/estatistica.html' title='Estatística'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/SlKr04q7fgI/AAAAAAAAAD4/5ZJhe3vjQrc/s72-c/DSC_1005.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4087497390873502774</id><published>2009-06-08T18:36:00.002+01:00</published><updated>2009-06-08T18:37:41.946+01:00</updated><title type='text'>breve, do tempo</title><content type='html'>Se os meus olhos te encontrarem com este amor que te trago no peito, beijar-te-ei. Sorri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4087497390873502774?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4087497390873502774/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4087497390873502774' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4087497390873502774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4087497390873502774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/06/breve-do-tempo.html' title='breve, do tempo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1125106959679323825</id><published>2009-04-22T14:41:00.002+01:00</published><updated>2009-04-22T14:50:19.762+01:00</updated><title type='text'>Não sou uma ilha</title><content type='html'>Num quadrado pequeno demais para se ver o mundo vão caindo palavras grandes demais para caberem no mundo. Eu esqueci-me que não me importo. Lembrei-me que sou humano. Quero escrever mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1125106959679323825?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1125106959679323825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1125106959679323825' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1125106959679323825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1125106959679323825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/04/nao-sou-uma-ilha.html' title='Não sou uma ilha'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-9126781941155504389</id><published>2009-03-02T21:59:00.003Z</published><updated>2009-03-02T22:12:41.424Z</updated><title type='text'>Mastigar a vida</title><content type='html'>Mastigar o tempo com estes dentes cariados. Não o sol e a chuva. Mas os anos e meses. Tudo isto que vai enchendo o peito num balão que já estica mais. Sistema nervoso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;they call it &lt;/span&gt;. Eu chamo-lhe talvez tudo o que guardo. Tudo o que trago, armazeno e arquivo. O cotão das emoções que se vai acumulando debaixo de desejos poeirentos e frustrações renováveis. O mesmo ciclo sem ciclo novo. A mesma desilusão coberta pela mesma aparência. Tenho que ter este sorriso ao mundo. Já tive esta conversa. Não sei quem me obriga. Quem mo mostrava por exemplo, deixou-o cair de novo no quotidiano preto e branco. Quem mo mostrava com todas as cores, deixou-se fugir como areia na minha mão. Porque raio me faz falta tudo o que não tenho? Porque não encontro na prateleira o que perdi no coração. Aprisionado em mim próprio. Sem luz na mesinha de cabeceira. Sem folga para café. Sem folga para fumar. Talvez abra a janela de grades. Talvez mostre ao céu fatiado que também pode ser céu. Talvez mostra á vida aos bocados que também pode ser vida. Talvez mostre à vida que não pode continuar aos bocados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-9126781941155504389?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/9126781941155504389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=9126781941155504389' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9126781941155504389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9126781941155504389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/03/mastigar-o-tempo-com-estes-dentes.html' title='Mastigar a vida'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4999253038923103985</id><published>2009-02-06T13:30:00.000Z</published><updated>2009-02-06T13:32:22.211Z</updated><title type='text'>200</title><content type='html'>A chuva já parou de chover, o dia que acorda tarde, ou cedo demais para a minha cama. O gelo cobre a chuva e o dia espera pacientemente nas gotas de água gelada. Os candeeiros mostram a luz já em vão contra o nascimento repetido do astro regente.  As vozes ecoam contra o branco vazio da madrugada esquecida. A água corre e lava mais a mente do que o corpo, diluindo o turbilhão. Não é o fim do mundo diz-me Miguel Esteves Cardoso ao ouvido. Sou obrigado a sorrir. É talvez o fim do dia que começa. Uma distracção que surge como um bálsamo, o medicamento que rouba tanto tempo quanto dá. “É melhor fechar os olhos, é melhor fechar os olhos meu amor”. Talvez seja melhor  fecha-los agora depois de os ter aberto tarde demais. Talvez estejam já fechados , já não veja nada do que escrevo. Não sei. Amanhã me direi.&lt;br /&gt;*Duzentos. Maior ou menos qualidade, uma aprendizagem constante, desaprendendo constantemente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4999253038923103985?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4999253038923103985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4999253038923103985' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4999253038923103985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4999253038923103985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/02/200.html' title='200'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1548427838819482124</id><published>2009-02-03T17:48:00.004Z</published><updated>2009-02-03T21:58:23.320Z</updated><title type='text'>Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita que era a sedução</title><content type='html'>EA porta abre-se com uma sineta. Ele tira o casaco molhado e pendura-o num bengaleiro na entrada.  Atrás do balcão o empregado prontamente tirou o cachimbo à máquina. Ele caminhou em direcção ao canto e sentou-se na mesa de olhos virados para a porta. O café chegou com o seu aroma a espalhar-se com a humidade. A humidade entrou também pela porta. A sineta fê-lo olhar pela porta e ver uns cabelos loiros que olhavam o guarda-chuva  a fechar-se.  A iminência do olhar dela fê-lo olhar de novo para o café que fumegava. Deixou cair o açúcar branco contra todo aquele castanho  e esperou que ele se afundasse e que ela se sentasse. Pegou na colher e durante os movimentos rotativos vislumbrou-a já sentada junto ao balcão. Olhava para a lista com apetite. Ele olhava-a a ela. Apreciava-lhe a beleza. Os cabelos loiros caiam-lhe na direcção da mesa e alguns escondiam-lhe a testa. A boca de um vermelho pálido. Esticava de vez em quando os lábios como sinal de desaprovação do que lia. Ela subiu a franja com um gesto de cabeça, que como o fumo branco indicava que a sua escolha estava feita. Viu-lhe os olhos pela primeira vez, profundos como o nevoeiro de neve de janeiro. Rapidamente desviu o olhar antes que fosse apanhado. Pousou a colher no pires e levou a chávena à boca. Usando os dedos como escudo infantil, levou de novo os olhos à recém-chegada.  Ela olhava o espaço vazio contemplando algo que não estava lá. Enquanto ele deixou cair o café na boca, ela moveu o vazio na direcção dele. Os olhos encontraram-se por pouco que pareceu muito. Como o flash das lâmpadas antes de se fundirem. Ele pousou então a chávena e pela periferia do olhar viu a mesa dela ser ocupada por uma chavena  e um prato. Avançando na direcção dela com o olhar pousou na vitrina que ladeava a mesa dela. Viu o seu reflexo enquanto banhava o pacote de chá na sua chávena de café proporções desajeitadas. Enquanto fazia isso olhava para ele. Ele sabia-o, mas ela não sabia que ele o sabia. Como uma dança. Como uma dança foram-se olhando alternadamente enquanto ela esvaziava a sua mesa e ele esvaziava o seu pulmão de fumo. Quando terminou o seu cigarro ele ergueu-se da mesa. Do bolso retirou a moeda que deixou no tampo da mesa. Caminhou na direcção dela. Desta vez de olhar posto nas luvas que tentava calçar. Ela olhava para ele. Ele sabia-o e ela também. Ele desfraldou um sorriso enquanto passava por ela. Saiu para a rua onde a chuva ainda se fazia espalhar pelo vento. Caminhou mais uns metros até ouvir uma campainha. Nesse instante parou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1548427838819482124?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1548427838819482124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1548427838819482124' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1548427838819482124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1548427838819482124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/02/quando-eu-era-mais-novo-havia-uma-coisa.html' title='Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita que era a sedução'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6133310473452972700</id><published>2009-01-21T11:15:00.003Z</published><updated>2009-01-21T11:39:53.144Z</updated><title type='text'>Conta-me o Natal</title><content type='html'>De entre os pregões alguém acelerou um garoto em direcção ao Natal. Outros dois mais crescidos abanavam as pernas para aquecerem os pés e arrefecerem o nervosismo. Ele já não sabia bem o que lhe dizer. Um só receio ocupava a sua mente.&lt;br /&gt;-A tua mãe demora muito? - perguntou ela voltando à impertinencia enquanto fazia parar as pernas dele.&lt;br /&gt;-Eu não sei se ela te vai dar azevinho...-disse ele tentando afastar a ideia da sua mãe chegar. Estava bem ao lado dela agora.-Moras muito longe?&lt;br /&gt;-Eu moro mais ao menos, mas a minha avó mora aqui perto. E tu?&lt;br /&gt;-Também mais ao menos.- A voz dele parecia aquecer-se de vergonha e esfumaçar-se à saida  da boca. A beleza dele parecia tomar-lhe o peito e toda a cabeça no quente do verão.&lt;br /&gt;-Está um bocado de frio. Achas que podia nevar?- Sara não procurava desconversar como os crescidos quando falam do tempo, tentava sim encontrar interesses em comum com a pequena companhia que lhe tinha arrebatado da sua insolencia.&lt;br /&gt;-Eu gostava muito.-respondeu ele ainda tomado com toda a vergonha.&lt;br /&gt;-A minha avó diz que não neva. Antigamente era tudo diferente, que agora já não neva. Não acho isso muito justo sabes? Nós também temos direito. Alguma vez viste neve?&lt;br /&gt;-Sim, uma vez fui à serra da Estrela tinha neve lá.&lt;br /&gt;-Eu nunca vi e queria muito.&lt;br /&gt;O sol brilhava intensamente num sol demasiado vazio para os sonhos de Sara. As pessoas na rua acotovelavam-se e corriam, confirmando que o Natal estava perto. Se pudessem pediam à Maria que aguentasse mais um bocadinho, que não podia ser já, que ainda faltavam muitas prendas no pinheiro. O David dizia o mesmo. Ainda não podia vir já a sua mãe. Ele que passara as últimas semanas a desejar o chocolate do dia seguinte, hoje só queria que o Natal esperasse um bocadinho.&lt;br /&gt;-No sitio onde moras não neva? - perguntou ele tentando afastar o tempo.&lt;br /&gt;-Quem me dera! Nunca nevou. Se nevasse lá nevava aqui. Não é muito alto na minha casa.&lt;br /&gt;-Na minha também não- disse ele muito rápido esperando morar perto dela.&lt;br /&gt;-É por isso que não neva...&lt;br /&gt;Os olhos dela percorriam agora o dourado dos cabelos dele, e sem que ela soubesse, o seu coração suspirava. Ele suspirava olhando o braço maior do palhaço que trazia no pulso que se mexia cada vez mais depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:78%;" &gt;*um atraso destes não se desculpa, mas afinal o Natal é quando duas crianças quiserem ;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6133310473452972700?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6133310473452972700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6133310473452972700' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6133310473452972700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6133310473452972700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2009/01/conta-me-o-natal.html' title='Conta-me o Natal'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7654884268220866771</id><published>2008-11-12T17:40:00.002Z</published><updated>2008-11-12T18:00:47.161Z</updated><title type='text'>Em quadros redondos</title><content type='html'>Espalhar as palavras na cabeça para que possam encontrar o seu lugar.&lt;br /&gt;Amor fica em Amor. Poema arruma-se em tudo.&lt;br /&gt;Tudo se arruma no papel de caneta e sangue na mão.&lt;br /&gt;Já fui demente, hoje sou convencido e escritor.&lt;br /&gt;Fotógrafo de máquina quebrada  de vidros espalhados nos dedos.&lt;br /&gt;Pintor de tintas diluídas, monocromático de cores explicadas,&lt;br /&gt;de formas desmontáveis a cada medida de pincel.&lt;br /&gt;Pinto em quadros redondos como um círculo. Como um ciclo.&lt;br /&gt;Como um ciclo no qual o vermelho e o negro vem lavar os meus pincéis.&lt;br /&gt;Pincéis cansados de bater no teclado,&lt;br /&gt;pincéis duros e velhos de se empoleirarem num copo.&lt;br /&gt;Hoje esqueci-me de pintar como o mar. Lânguido e fluido.&lt;br /&gt;Hoje sou rocha, hoje sou duro e curto, hoje as frases caem no chão.&lt;br /&gt;Pianista de teclas alfabéticas e do mesmo som.&lt;br /&gt;Compositor de frases pouco melodiosas e duramente silenciosas.&lt;br /&gt;Eu! Eu! De olhos cravados no mundo para o dar de mim.&lt;br /&gt;De coração mastigado e engolido. De sorriso sincero e perdido.&lt;br /&gt;Escrevo um círculo quadrado onde pinto poesia em prosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7654884268220866771?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7654884268220866771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7654884268220866771' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7654884268220866771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7654884268220866771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/11/em-quadros-redondos.html' title='Em quadros redondos'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6419572176949369290</id><published>2008-11-06T10:45:00.000Z</published><updated>2008-11-06T14:55:17.682Z</updated><title type='text'>Wise Up</title><content type='html'>Os olhos abriram-se num esforço que quebrou pestanas. Ela sentiu uma agitação imensa no seu quarto banhado por uma estranha claridade. O quarto parecia pintado de luz e os seus olhos queixavam-se disso mesmo. Agradeceu mentalmente à sombra do que parecia a sua mãe que se encavalitava junto á sua face. Ela parecia sorrir mas com uma expressão triste. Ela fez um esforço para sorrir mas a sua cara parecia dormente. Há quanto tempo estaria a dormir?&lt;br /&gt;-Doçura? Consegues ouvir a mãe?&lt;br /&gt;Tentou falar mas tudo o que lhe saiu foi um gemido que se parecia levemente com um sim. Como uma pequena bala esbatida a sua palavra deitou a mãe por terra e soou no ar o intenso soluçar de um choro. Que teria acontecido para a mãe estar a chorar? Os seus avós haviam morrido muito antes de Kate nascer. E pareciam ter levado as lágrimas da filha com eles. A mãe raramente chorava e o intenso movimento da cabeça dela sobre o colo de Kate parecia declarar o momento como solene.&lt;br /&gt;O seu pai erguia-se solene contíguo á janela como a definir uma margem. A sua cara antecipava algum sofrimento e mais alguma coisa que Kate não conseguiu descortinar por entre a névoa que ainda lhe habitava as pupilas. Kate semi-cerrou os olhos para ver melhor a última memória antes de dormir. Festa. Tinha saído. Devia ser domingo porque a última lembrança que tinha era de uma madrugada bem bedida e dançanda na discoteca acompanhada das suas amigas. Kate ainda não tinha idade para beber nos seus menores 19 anos mas a maquilhagem e a sua beleza natural ajudavam a que ninguém lhe pedisse a falsa identificação que levava sempre consigo. Lembrava-se de estilhaçar um copo de vodka com sumo de maracujá no chão de azulejos pretos. Azulejos brancos pareciam forrar-lhe o quarto com toda a luz que as paredes emanavam. Viu o pai baixar a cabeça e abandonar o quarto de telemóvel na mão. Ficou admirada ao perceber que o pai estava em casa. Ao domingo de manhã ia sempre caçar com os amigos. Não que ela aprovasse tal actividade mas estranhou a presença do pai a um domingo.&lt;br /&gt;Fez um esforço para se levantar mas ao mesmo tempo o conforto do quentinho da cama banhada pelo sol rapidamente a remeteu a um novo fechar de olhos encetando um novo sono.&lt;br /&gt;Quando acordou de novo o sol já ia baixo. Os olhos abriram-se com novo custo apesar de a luz já cair lenta sobre o quarto. Agora que a luz não a enganava viu que as paredes cobriam-se com azulejos brancos havia uma serie de aparelhos à sua volta. Aos seu pés numa cadeira onde a mãe dormia sobre as suas mãos alvas apoiadas nos joelhos. O quarto guardava uma calma confirmada pelo enorme chorão que afagava o vento na rua.&lt;br /&gt;Estava no hospital. Agora percebia as lágrimas da mãe. Reclamando pesadamente a sua cabeça funcionava agora ao ritmo normal. Tentou perceber porque estava ali. A sua última memória era a da discoteca onde todas as semanas espalhava a dança e a alegria com as suas amigas. Teria bebido de tal forma que precisara de ser desintoxicada? Provavelmente. Os pais não a iam deixar sair mais este mês.&lt;br /&gt;«Bummer!» pensou Kate. Levou a mão à cabeça para coçar a intensa comichão que a atormentava. Havia uma ligadura na cabeça. «Uma ligadura na cabeça?» Provavelmente tinha batido com a cabeça aquando da sua inconsciência. Já tinha visto Sarah torcer um pé da mesma forma. Procurou os seus tornozelos para se certificar que estavam de boa saúde mas a cabeça rapidamente impediu o seu desejo respondendo com latejar à sua tentativa de alcançar alguma coisa abaixo da cintura. Ressaca. Kate conhecia bem os sintomas de uma boa ressaca. Mas a cor do por do sol parecia avisa-la de que o aperto no peito era mais que um mero sintoma.&lt;br /&gt;-Mãe? chamou Kate sentindo uma ponta de egoísmo ao chamar a mãe de um merecido sono. Devia ter passado a noite em branco.&lt;br /&gt;- Kate? Estás bem doçura?&lt;br /&gt;-Dói-me a cabeça. - respondeu Kate apercebendo-se da lixa que se tinha tornado a sua garganta.&lt;br /&gt;A mão levantou-se e sentou-se de lado na cama dela. Duas lágrimas seguiam a alta velocidade pela cara da sua mãe a baixo.&lt;br /&gt;- Querida tu tiveste um acidente. - A cara de Kate abriu-se o possível com a surpresa de um novo dado algo chocante.&lt;br /&gt;-Acidente?&lt;br /&gt;-Tu estavas a conduzir...- a voz da mãe desfez em mais lágrimas de cristal que lhe iam arrastando o que ainda restava da maquilhagem - e tinhas bebido...&lt;br /&gt;O coração de Kate acelerou a fundo abastecido com o que a mãe lhe dizia. «Merda! Um mês de castigo.»&lt;br /&gt;- Doçura, tu... - de novo a interferência aguda na voz - tu não vais poder...&lt;br /&gt;«Sair durante os próximos 20 anos» apontou mentalmente Kate&lt;br /&gt;-Tu não vais poder andar Kate.&lt;br /&gt;Uma bomba explodiu no centro do seu peito naquele instante. As suas mãos perderam as forças naquele instante. Toda ela perdeu as forças. O sol veio de novo clarear todo o quarto e as suas pálpebras não tiveram outro remédio senão fecharem-se.&lt;br /&gt;Três dias depois Kate sentava-se no sofá da sala com a mãe e a lareira a crepitar. A mãe agarrava-lhe as mãos e conversava num tom calmo com ela. O pai ainda não lhe falava nem falaria por um ano. Kate baixou a cabeça e deixou baixar um mar dos olhos durante umas horas. Nascia ali o mar que a afogaria durante todas as noites durante anos. A mãe acabava de lhe dizer que devido ao álcool que carregava tinha conduzido do lado errado da estrada tendo embatido frontalmente num monovolume que levava uma mãe e uma filha de volta a casa. O mar nunca secaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6419572176949369290?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6419572176949369290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6419572176949369290' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6419572176949369290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6419572176949369290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/11/wise-up.html' title='Wise Up'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-137946426517146070</id><published>2008-09-26T11:19:00.004+01:00</published><updated>2008-09-26T11:36:51.041+01:00</updated><title type='text'>6 (seis) menos 5 (cinco) ou eu e todos os meus amigos(as)</title><content type='html'>Nunca é facil calcar de novo o mesmo pó. Ouço-o tinir sob os meus pés. Apetece-me andar mas doem me as pernas. A ferrugem que se acumulou manda-me esquecer que ando. A chuva manda-me parar. O mundo vai passando à minha frente sem se importar que nem me mexa. Eu importo-me. Demais talvez. Por isso não me mexo. Esqueçam. É melhor estar quieto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-137946426517146070?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/137946426517146070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=137946426517146070' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/137946426517146070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/137946426517146070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/09/6-seis-menos-5-cinco-ou-eu-e-todos-os.html' title='6 (seis) menos 5 (cinco) ou eu e todos os meus amigos(as)'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7196400452634864906</id><published>2008-07-13T19:46:00.001+01:00</published><updated>2008-07-13T19:48:05.536+01:00</updated><title type='text'>Objecto de Amor nº1 - O beijo [Remake]</title><content type='html'>Vermelho. Vermelho espalhado sem padrões numa espécie de dança que faz voar. O silencioso toque quente e molhado que se grita em todo o ar. Num lânguido respirar sentido no limiar superior do lábio começa-se a dança. Movimentos, sussurros, afagos e suspiros constroem em pequenos tijolos de amor o salão onde se dança. Há olhares e carícias que acompanham num sem fim de amor. E aquele som. O som inconfundível da paixão. O desenlaçar de quem não se quer deixar de tocar mas que se toca em sabores e cores maiores que o seu peito. Um som sibilante carregado de tudo o que aquece o peito. De uma profundidade variável conserva-se um sentimento universal. O sentimento do beijo. Universal. Entre todas as cores do guloso aproximar de lábios. Um sabor universal na universalidade de condimentos. Beijo de manhã ou da cavada noite. Beijo ternurento dos frios lençóis de uma noite de inverno. Beijo quente na árida face de um dia de verão. Beijo gelado de final de discussão. Fugaz encontro de bocas mas que enche todo um corpo. Durador tocar de lábios que desgasta um coração. Inspiração vermelha no descolar do beijo. Luz irradiada no reencontro da pele pintada de outra cor. Luz vermelha a do amor. Amor vermelho o do beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7196400452634864906?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7196400452634864906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7196400452634864906' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7196400452634864906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7196400452634864906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/07/beijo.html' title='Objecto de Amor nº1 - O beijo [Remake]'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7487891200107360267</id><published>2008-06-27T15:15:00.003+01:00</published><updated>2008-06-27T15:39:36.504+01:00</updated><title type='text'>Good Bye Dollie</title><content type='html'>Os dedos brancos e afiados. Na ponta negras unhas enchem o ar da languidez do teu olhar. Fumo, muito fumo vai parando sobre ti. O branco redentor do teu sorriso apaga a impressão sombria de toda a tua figura. Foi a sombra que me atraiu. Trazias um isqueiro na mão. Um paralelepípedo que se acendia e apagava fazendo bailar sombras na tua face pálida. O autocarro fazia o teu esqueleto desajeitado dançar na noite silenciosa. Os braços magros ainda carregando a brancura da face. Era o pico do inverno e parecias pertencer à paisagem de neve e esqueletos de arvores que acenavam do lado de lá da janela. Eu olhava-te no reflexo do vidro pintalgado de neve e talvez por isso me parecesses um verdadeiro anjo. Quando a tua paragem chegou balançaste-te entre as metálicas barras que pareciam manter o autocarro inteiro. Passaste por mim e o cheiro das nuvens da primavera passou pela minha nuca, quase fazendo com que me estendesse no banco onde me equilibrava a custo. Tive de me segurar com mais força quando o autocarro resolveu parar. Eu resolvi sair em busca das tuas asas macias. Tu andavas a passos largos sempre desajeitados. A noite cobria-te juntamente com o casaco que te tornava um enorme amontoado de pelo. Só o negro dos teus cabelos se erguia a condizer com a noite polvilhada de pequenas luzes. Lembro-me de um avião rasgar o céu com as luzes vermelhas e brancas. Agora um fio vermelho rasga a o espaço da tua têmpora ao ouvido. O calor deste fim de verão fazia-te mostrar mais dessa pele alva. E nem a ventoinha a rodar permanentemente no tecto apagava as gotas de suor da tua pele. Lembro-me da primeira vez que te beijei. Os tentilhões anunciavam o primeiro verdadeiro dia de sol. Tu anunciavas-me a tua verdadeira sede. Fiz-te limonada com limões de casca grossa e tu uma careta de cara grossa ao sentir-lhe o amargo. Eu beijei-te a testa e os meus lábios clarearam-se contra a tua pele. Não fugiste, nem por instinto. O toque dos meus lábios com a tua pele pareceu congelar o tempo. E a ti. Os teus olhos cerrados. O meu coração a ribombar. Os teus olhos cerram-se também agora e o meu coração ainda não desacelerou. Larguei-te um mesmo beijo na mesma testa na mesma pele. Não escureceste um tom desde o inverno. A tua figura alva pareceu até aumentar o caudal de luz branca, já que com o cair do verão também as tuas roupas foram caindo. Lembro-me de quando vi as marcas negras que te habitavam os pulsos. 2 negras pulseiras junto ao azul das veias. Pareciam dar início as mãos e condiziam com o negro decadente das unhas. Impressas na pele as nódoas negras foram desaparecendo com os meus afagos constantes. Passei a beijar-te os pulsos, passei a beijar o pescoço. Tu passaste a fugir. Não por medo ou para mo negar. Mas sim para me provocar e provocar o inevitável. Hoje também fugiste antes de te estenderes rendida na relva. Esta parecia alegrar-se com a tua presença sombria. O verde da relva parecia colorir os teus braços tornando-os ainda mais pálidos. Tu parecias tornar o mundo mais silencioso. Com os olhos cheios de sol, uma lágrima estende-se sobre a minha cara. Lembro-me de quando Maio te trouxe de novo lágrimas. Era o aniversário da tua mãe e largavas dor por não a teres ao teu lado. Não tinhas culpa. Nada podias ter feito para passares mais um aniversário com ela. Limpei-te uma lágrima com o polegar enquanto os outros dedos se enterraram na tua nuca. Trouxe-te a cabeça para junto do meu beijo e os meus lábios só pararam para exalar o fumo de um cigarro no fim de tudo. Os teus olhos olhavam o ainda inexpressivo tecto mas as lágrimas já não rolavam sobre a tua face. Parecias desenhar o céu a cada volta da ventoinha e foi o que fizeste depois com o verniz preto. Não eram as tuas tintas, mas usaste o verniz negro  para serpentear um fumo negro por todo o tecto deixando vários olhos marcados no caminho. Nunca mais fizemos amor nesse quarto. Talvez os olhos me assustassem. Pareciam sempre julgar-me. Olho à minha volta para ver se alguém te julga agora. A relva fica bem escondida atrás da casa, mas a tua lingerie pode atrair olhares mais curiosos. Lembro-me do teu olhar curioso sobre o teu ombro inchado de roupa. Vapor saia da tua boca anunciando o frio normal para esta altura do ano. Eu esfregava as mãos não para afastar o frio mas o embaraço. Seguia atrás de ti de passos inseguros depois de sair do autocarro. O principal medo que surgia na minha cabeça era o dela entrar numa qualquer entrada deixando-me órfão na noite. Tinha que agir depressa e não era tão bom nisso quanto devia. Como agora. Tenha que te levar para dentro antes que a tua pouca roupa chamasse atenção indevida. Agarrando-te nos braços arrasto-te para a casa deixando no verde uma enorme mancha vermelha. Lembrei-me então da primeira vez que te arrastei. Pesavas mais dessa vez. Os meses fechados naquela casa deixaram-te os ossos mais visíveis apesar de eu te ter alimentado bem. Comias pouco e mexias-te muito, mesmo quando as algemas ainda te apertavam os movimentos. Agora moves-te  inanimada. Largo-te na cozinha, com o teu sangue ainda a espalhar-se no nosso chão. Abro a porta do armário e tiro um saco preto e a lixívia. Não tinhas que ter fugido. Os teus pais estavam quase a pagar. Era só mais um ou dois dias. E ao mesmo tempo que largo o saco, uma lágrima larga-se no meu rosto. Pode ser que paguem na mesma. E então nem tudo se perdeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7487891200107360267?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7487891200107360267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7487891200107360267' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7487891200107360267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7487891200107360267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/06/good-bye-dollie.html' title='Good Bye Dollie'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-2317852082415994832</id><published>2008-06-19T17:32:00.003+01:00</published><updated>2008-06-19T17:37:44.768+01:00</updated><title type='text'>Bife Picado  Ou a receita de um serão bem passado </title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pegue-se num espectáculo bem saboroso, pleno de condimentos e já marinado em boa parte dos espectadores. Abra-se um auditório e corte-se tal que fique tão próximo e íntimo como uma pequena sala. Sirva-se a entrada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Duas luzes, um piano, dois talentosos performers, um fundo negro. As luzes preenchem um espaço rectangular que os performers enchem de início. O piano desfaz-se em mil e uma variações trazendo-nos o sal da saudade, o amargo do fel, o doce algodão doce ou até um fresco refresco de verão. O bailarino traz-nos o verão. Traz-nos o mundo a cada segundo. O piano condimenta a transfiguração permanente dos pés dançantes que tanto voam como uma pomba branca em solo sagrado, como se arrastam pesados em lama negra. Escorrega-se o tempo por entre o interpretativo corpo do bailarino que acompanha com sal do suor cansado a pingos constantes. Quase que cansa o comensal perdido na viagem que não é a sua. Perde-se totalmente no fim com um enorme apetite de mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com os convidados já de saliva curiosa no peito sirva-se então a sopa. Um Pot-Pourri de poesia servida em banco iluminados:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma dupla de poetas, 3 pares de bons leitores, um sem fim de poemas bem constituídos. Chegam primeiro as vozes femininas. Espalham na mesa uma boa manada de poemas frescos ainda crus de risos, mas bem areados em sorrisos. Depois o par mais improvável masculino. Bem temperados, depois de bem marinados que resulta num sabor forte e bem apontado à cabeça. Não recomendado a cabeças light. Depois de risos que martelam bem as palavras na parte de trás da cabeça passa-se ao casal. Aqui um aviso maior aos corações light. Palavras de ambos enchem-nos o peito numa torrente sem fim. As palavras além de rápidas e afiadas, querem-se quentes e plenas de sentido. Os olhos tendem a fechar-se e viaja-se num carro de quatro piscas ligados. Ligam-se os quatro piscas dos comensais e o peito bem posto num rosbife mal passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vai então à mesa a sobremesa do almoço. Aproveita-se os pratos em mau estado para espalhar o gelado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma mão cheia de senhoras de idade curta, uma improvável girls band, um palco bem polvilhado de luzes. A música esquece-se que é música e enrola-se muito bem no ambiente de luzes e de vestimentas. As coreografias raladas em finas tiras de humor e as girls bem marinadas em vontade de sátira. As 5 coloridas bolas de gelado servem-se com banana pouco natural e mas sem guarda-chuvinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dá-se então uma tarde solarenga de intervalo. As conversas digerem o almoço, o almoço assenta no estômago improvisado. Depois da ansiedade se sentir nas pontinhas dos dedos abrem-se de novo as portas para novo manjar. Dança flambé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um assombroso trio de bailarinos. Um conjunto de roupas improváveis, e um tema que se unta bem no ouvido. A dança desfaz-se bem em palco com poucos movimentos dignos de um tutu. Os bailarinos movem-se para formar sucessivas Polaroid de expressões caricatas e posições metafóricas. Os pés descascados logo de inicio. As cascas improváveis que se vão espalhando. As Polaroid começam a surgir repetidas mas de personagens diferentes. As metáforas começam a ficar menos desfocadas. As Polaroid mais salteadas. O seu conteúdo cada vez menos cru. E as luzes fazem por colorir os bailarinos numa cor que se afigura como um retrato a sépia. E eis que com um golpe de pulso da frigideira, e após mais alguma roupa cair, o comensal vê-se confrontado com o inflamar das Polaroid trazendo a nudez completa um inflamado picante às imagens metaforizadas. O fogo de um constrangimento ou a naturalidade de um flambé anunciado quase que grita nos ouvidos o que já de cedo se ouvia. As Polaroid queimam-se numa escuridão espalhada pela saída dos bailarinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De carne ainda inflamada sirva-se o prato principal. Uma salada russa de poemas com um sem fim de ingredientes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seis cadeiras de costas, uma Caixa Geral de Despojos, densas luzes, uma floresta por trás. Levantam-se poemas. Larga-se no ar o cheirinho de cada um deles e caem no estômago da alma sem que se dê conta. Quem cozinha cada um deles é de um talento imenso, e cada estilo á único. Sirvam-se palmas para tão boa coordenação cénica, sirvam-se sorrisos quentes a quem preparou tão divino manjar. Há um prato que merece segunda dose:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pinte primeiro uma gaiola&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;com a porta aberta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em seguida pinte&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;alguma coisa graciosa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;alguma coisa simples,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;alguma coisa bonita,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;alguma coisa útil...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ao pássaro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois, coloque a tela contra uma árvore&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;no jardim,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;no bosque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ou na floresta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e esconda-se&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;atrás da árvore&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;sem dizer nada, sem se mexer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Às vezes o pássaro chega logo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;mas pode levar muitos, muitos anos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;até se resolver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não desanime,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;espere.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Espere, se preciso, durante anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A velocidade ou a lentidão da chegada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;do pássaro, não tem a menor relação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;com a qualidade da pintura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando ele chegar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(se chegar)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;mantenha o mais profundo silêncio,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;espere que ele entre na gaiola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois que entrar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;feche lentamente a porta com o pincel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aí então&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;apague uma por uma todas as varetas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;do pássaro.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Finalmente pinte a árvore,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;reservando o mais belo de seus ramos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ao pássaro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pinte também a verde folhagem e a doçura do&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;vento,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;a poeira do sol,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;estação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois aguarde que o pássaro se decida a&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;cantar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se ele não cantar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;mau sinal:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;sinal de que o quadro não presta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas bom sinal, se ele canta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;sinal de que você pode assinar o quadro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então retire suavemente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;uma pena do pássaro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e escreva o seu nome a um canto do quadro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Jacques Prévert&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A sobremesa afigura-se deliciosa. Uma pequena tábua de queijos de produção própria e importação do interprete Tiago Bettencourt. Mostra-se um rockstar que se desdobra em sabores e autores para caber neste jantar. O humor fica ainda sobre a mesa, e ás vezes parece que o fumo forma dupla com o cantor bailando entre as luzes bem provadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um serão bem passado, gostoso e de barriga bem cheia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-2317852082415994832?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://quintasdeleitura.blogspot.com/' title='Bife Picado &lt;div&gt; Ou a receita de um serão bem passado &lt;/div&gt;'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/2317852082415994832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=2317852082415994832' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2317852082415994832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2317852082415994832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/06/bife-picado.html' title='Bife Picado &lt;div&gt; Ou a receita de um serão bem passado &lt;/div&gt;'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6179887760899626426</id><published>2008-06-05T22:06:00.005+01:00</published><updated>2008-06-05T22:58:37.778+01:00</updated><title type='text'>O Chamamento das Sereias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixei-te, como sabes, com um beijo e um sorriso no 3º piso do antigo colégio de órfãos na praça Gomes Teixeira. O velho elevador mandou-me de volta à rua e à companhia dos velhos leões que por ora não espalhavam água na fonte. Abri o mundo imaginário no colo e aguardei o vento. Quando veio trouxe consigo o som do velho motor eléctrico que me correu nas costas. Fazendo de mim esquina veio parar pouco adiante do meu banco. Agarrei na trouxa volumosa e segui rumo a ele. Ainda hesitei por alguma vergonha de passear a minha leitura. Mas o guarda-freio convidou-me a entrar e acabei por me sentar à janela que abri prontamente. Os Clérigos passaram despercebidos à medida que me embrenhava mais na leitura. Só me subiu a cabeça quando o eléctrico estacou em plena Batalha. Subi por obrigação para me colocar junto da paragem esperando que o trólei fosse colocado na posição inversa. Mas, de súbito, a Muralha Fernandina pareceu demover-me de retornar à baixa na companhia do livro. Fiz-lhe a vontade e acompanhei-lhe o perfil na velocidade do Funicular dos Guindais. As vertigens que nunca tive permitiram-me deliciar-me com a queda lenta até ao rio. A ponte férrea olhou-me de todo o seu ar altivo apontando-me um carro que me deixou atravessar. De dentro o sorriso que surgiu fez tilintar o sino da felicidade e sorri de volta à minha madrinha. Ainda com o sorriso na face desci até ao Douro onde ele me acenou breves ondas contra as escadas. Acenei de volta e rumei junto do Cubo onde se colam as pombas e se espalham os turistas. Olhei com desdém o S. João e decidi voltar a encontrar-me com o eléctrico. Junto à Igreja de S. Francisco um papel na parede informou-me que não voltaria a ver por ora o meu companheiro de leitura. Carregado com os livros e a roupa que foi caindo com o calor caminhei junto ao rio. Este pintava-se de prata e preto pelo sol enquanto prematuras iluminações coloriam os passeios. Enquanto vislumbrava o nosso Porto estendido sobre a escarpa vi o Palácio da Justiça apontando-me o meu destino. Percebendo que se seguisse o rio o meu destino se afastava olhei de sobremaneira as escadas que se erguiam à minha direita. Depois de parar para hesitar o impulso sobrepôs-se ao receio e acabei por subi-las. 93 contei até que uma deserta viela me mostrou mais um patamar. Mas aí não as contei. A minha atenção espalhara-se numa só direcção. Duas sereias carregavam um palácio que parecia reluzir o meu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;*Lembro-me de um livro pequeno de capa verde que falava de cipestres no Porto. Lembro-me de duas sereias roubadas com um laser que cortava pedra como se fosse manteiga. Lembro-me da euforia de as descobrir numa noite em que andei perdida  por ruas que não eram  minhas.  Lembro-me da tristeza de não as voltar a encontrar por mais que  as procurasse. Lembro a felicidade quando mas devolveste!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Miluji tě&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6179887760899626426?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6179887760899626426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6179887760899626426' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6179887760899626426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6179887760899626426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/06/o-chamamento-das-sereias.html' title='O Chamamento das Sereias'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7365245394166441688</id><published>2008-06-01T00:26:00.000+01:00</published><updated>2008-06-01T00:32:46.073+01:00</updated><title type='text'>Once you go you can never go back</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;O vento agitava-lhe as pequenas madeixas de cabelo que desciam em frente à sua testa. O sol esquentava-lhe o cabelo negro. Do rádio do carro alguém gritava por entre guitarras que estava na auto-estrada para o inferno. As chamas do inferno erguiam-se nos estofos do carro que condiziam com a pintura vermelha do carro. O vazio da capota recolhida parecia espalhar-se por toda a zona envolvente fazendo com que a estrada se equilibrasse no vazio dourado. Pequenos cactos castanhos e carcaças de animais bravios davam pequenos pontos de referência que o carro ultrapassava com grande velocidade. Conseguia ver o seu próprio olhar pelo retrovisor empoleirado em dois dados peludos. O sorriso quente não se via mas sentia-o bem a esticar-se na cara. O seus dedos tamborilavam no negro do volante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Os dedos tamborilavam no negro do velho volante. O edifício principal estendia-se por 4 andares que bloqueavam o sol a nascer. Poucos carros se aventuravam ainda no parque de estacionamento da Universidade. O som que se ouvia era o de uma qualquer drogada da pop a reclamar contra o mundo injusto. "Coitadinhas das meninas" era o pensamento que saía dos negros cabelos escondidos por um gorro não menos negro. Fazia frio. Só o carro ligado impedia os vidros de se embaciarem a cada respiração. Mas não impedia o ar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O rádio velho do carro velho dava agora as notícias das sete. "Bom dia" o tanas pensou ele. Imaginava-se na voz daquela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;jornalista sulista daqui a umas horas. Sorriu. Quis mesmo rir. Mas rapidamente o recolheu. Havia algo a fazer. Com o velho motor a fazer abanar o seu assento carregou no pequeno isqueiro ao lado do cinzeiro. Esperou pacientemente enquanto este aquecia e quando saltou não perdeu tempo a agarrá-lo e estendendo a mão cravou o ferro em brasa nas costas da mão direita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;A mão esquerda segurava o isqueiro rectangular que largava um aroma de gasolina enquanto ia dançando uma chama no seu &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;interior. Acendeu o cigarro e fechou o isqueiro contra a perna. Tinha-se encostado à berma para dar folga ao motor já demasiado quente e para encher os pulmões de fumo já demasiado vazios. Encostou o cigarro ao canto da boca e de uma caixa negra rectangular tirou uma guitarra igualmente negra que fez sentar no seu colo. Enquanto o cigarro lhe limpava os pulmões ele limpava a alma com uma canção num inglês imperceptível em que a palavra morte era uma constante. Ficou a dedilhar a guitarra enquanto o sol descia mais um pouco. O vento soprava satisfeito os cabelos negros dele que pareciam dançar ao som da música. Depois de refeito o peito guardou a guitarra de novo na caixa negra que cuidadosamente deitou no banco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Tirou do banco cuidadosamente a caixa de guitarra. Tinha que ter cuidado para não fazer barulho. "Ainda não". A mão direita latejava incessantemente. Ainda assim ele carregava a grande mala com a mesma mão. "A dor é nossa amiga, mantém-nos alerta." Subiu os dois lanços de escadas que o separavam da porta e entrou pela grande porta da universidade que começava agora a acordar com alguns estudantes a passearem livros e bocejos. Ele olhava fixamente um ponto imaginário que marcava o horizonte. Passou por um par de corredores vazios e entrou na casa de banho do terceiro. Pousou a enorme caixa no chão e abrindo-a tirou uma barra metálica que usou para travar a porta. Com esta travada procurou na mala uma lata branca e retirando-lhe a tampa dirigiu-se para a parede mais vazia. A sua cabeça ainda cantava uma música calma, que não o acalmava mas mantinha o seu pensamento mais limpo e objectivo. Três espelhos erguiam-se contra a parede. Chegou-se junto da janela e começou a espalhar a tinta vermelha contra a parede branca. Com um sorriso nos lábios a tinta começou a formar palavras no branco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Com um sorriso nos lábios largava palavras contra o vidro transparente. Repetia as de um artista qualquer enquanto sorria com a música a espalhar-se nas veias onde levavam a calma. A tinta vermelha espalhava-se agora no céu de fim de tarde.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Erguia-se também vermelha contra o horizonte a torre de uma estação de serviço, chamando para ela os que passavam no deserto. Ele foi cantando a metade de milha que o separava da torre. Encostou para dar de beber e beber. Foi fazendo bombear uns quantos galões para o depósito enquanto procurava no bolso uma nota que pagasse as bebidas. Seria bom ver alguém. Não que ele fosse um animal social. De todo. Mas neste sítio, nesta viagem seria bom ver alguém. Fechou o tanque e com as botas a baterem no alcatrão endurecido, dirigiu-se à pequena casinha apinhada de autocolantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Autocolantes apinhavam-se na parte interior da caixa de guitarra agora esventrada no chão. Um sorriso espalhava-se num deles mas não na cara dele. Agora estava concentrado a encher os bolsos com o conteúdo da grande mala preta. A lata de tinta tinha-se escostado a um canto e a universidade começava agora a acordar fazendo ouvir a sua respiração ofegante. Depois de vazia a longa caixa entrou para um cubículo e trancou a porta. Saltou por cima desta deixando lá dentro a caixa. Tirou a barra que empurrava a porta e atirou-a para dentro do cubículo ocupado. Saiu da casa de banho. A universidade tinha acordado com o seu atarefado rugido a percorrer os corredores. Ele estava parado junto à porta branca que sozinha se fechava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Fechou a porta ao entrar e voltou a ouvir o sinal sonoro que avisava o dono da sua presença. Segurava na mão direita, que ostentava cicatrizes circulares, o dinheiro e a carta de condução que lhe permitiriam comprar qualquer coisa para afogar o peito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;A mão direita que segurava uma arma semi-automática ostentava uma cicatrizes circulares. A mão esquerda segurava um objecto parecido mas erguia-se paralela ao chão. O rugido fora substituido pelos gritos. Feridas circulares ocupavam pessoas e paredes, um vidro não tinha aguentado e espalhava-se agora no chão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Por trás do balcão um vidro partido recortava o céu vermelho. Ele batia impacientemente no tampo do balcão enquanto olhava uma garrafa na estante em frente. A impaciência alargava-se agora às pernas e começou a percorrer os corredores da pequena e velha loja de conveniência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Parou de percorrer os corredores quando regressou à porta de onde tinha saído há quinze minutos atrás. O chão enchia-se de gente, sangue, cápsulas de balas e restos de madeira lascada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;O chão enchia-se de excrementos de rato e cascalho que o vento tinha empurrado. Farto de esperar agarrou na garrafa que queria e saiu fechando a porta atrás de si.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Abriu a porta do cubículo com um pontapé e entrou lá para dentro, largou as armas no chão e pegou na caixa de guitarra com a mão esquerda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Atirou a garrafa no banco de trás junto à&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;caixa negra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ligou o carro e espalhou pó arrancando para a estrada. Anoitecia mas não ligou as luzes. Levou o indicador e o dedo grande à têmpora para amenizar a dor de cabeça que começava a disparar com o anoitecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Na mão direita segurava ainda um revólver. As luzes azuis lambiam o vidro encostado à parede. Encostou o cano à têmpora. As costas da mão ainda latejavam. Ele sorriu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;A lua erguia-se já branca iluminando a estrada. Ele cantava. Os olhos fechados. O cabelo a ondular. A noite. A viagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://celi.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7365245394166441688?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7365245394166441688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7365245394166441688' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7365245394166441688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7365245394166441688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/06/once-you-go-you-can-never-go-back.html' title='Once you go you can never go back'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-3046853200185247500</id><published>2008-05-28T13:54:00.002+01:00</published><updated>2008-05-28T18:46:05.986+01:00</updated><title type='text'>Take Five!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoPlainText"&gt;O fumo dos nossos cigarros dava-nos uma aura vermelha em conjunto com as luzes a que chamávamos "devil eyes" que nos olhavam de cima do palco.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O meu trompete assim como a minha voz tinha perdido a força e a vontade de tocar apesar de o Louie me ir atirando "Yeah's" por trás do piano.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os meus olhos estavam fixos numa mesa onde um homem muito gordo se fazia acompanhar de dois relativamente magros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O mais gordo segurava na mão um charuto que largava no ar uma coluna de fumo branca. A minha coluna parecia identificar-se com a de fumo e abanava a cada oscilação de ar. E isso começava-se a notar no&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;trompete.&lt;br /&gt;Tocávamos num pardieiro chamado Hot Fyve que tinha trocado o i pelo y não por ser mais hip mas porque o nome original já tinha sido ocupado. O dono, Bobby, sentava-se atrás do balcão com o seu mau humor e mandava a sua namorada Pearl às mesas onde ainda respirava alguém. Mesmo com o seu mau feitio sempre a desfazer-lhe a cara os nossos cheques tinham cobertura ao fim do mês ao contrário de grandes estrelas de grandes clubes nocturnos. Era por isso que as&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;notas que saiam do palco ainda faziam por sair direitas. O Joe arrastava-se&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pela bateria às vezes, culpa da idade e das drogas. Já pouco via. Os óculos deixava-os no camarim em detrimento da estética. Os olhos deixava-os por vezes em casa para encher o nariz de crack. Mas as suas baquetas iam explodindo ritmadas contra a bateria. O meu pé acompanhava-lhe o ritmo em dias normais. Hoje o Big Paulie era quem carregava no chão.E a mim parecia-me mais que arrastava o pé contra a arena como um touro enraivecido. Talvez fosse por isso que nas suas costas lhe chamassem Big Bull. Eu hoje arrastava-me pelo palco. Os dedos quando não carregavam contra o trompete, tremiam dedilhando um guitarra no ar. No canto o Jack dedilhava&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o contrabaixo com mais atenção ao chão do que ao mundo real. O Jack nunca precisou de inspirar nada para viajar na sua mente. Conheço-lhe as viagens desde que jogavamos baseball no descampado junto ao rio. Era dele que esperava mais na música. Uma carreira ao lado daqueles que enchem clubes em New Orleans. Mas a guerra desligou-lhe a ambição e passou a tocar com o mesmo empenho que comia ou que respirava.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na mesa do Big Paulie pareciam so respirar fumo. O ar parecia tornar-se irrespiravel tanto que eu precisava de um cigarro. Mas não queria de todo que o Louie falasse. O mais animado dos 5. A vida para ele era um prémio. As suas habilidades no piano eram menores que qualquer uma das nossas . Ainda assim era ele que o tocava e que liderava a banda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Podia haver quem pensasse que era por ser o único branco da banda, mas na verdade devia por ser o que mais se divertia na música. Quem parecia estar a divertir-se com a música era o gordo e os dois amigos. Há algum tempo que a música que tocava em deixara de divertir assim como a vida que tocava. Tudo se tornara mais pesado. E os pesos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pareciam aumentar de tamanho a cada dia. O que eu queria era aumentar o tempo neste instante exacto. Expremia-o a cada nota neste último standart slow antes dos habituais cinco. A bateria parecia rufar um toque de funeral e o contrabaixo acompanhava-lhe o tom fúnebre. Deixamo-nos escorrer todos pela música até o meu trompete soar mais agudo. Então o Paulie quase que praguejou "Take Five" que tantas vezes desejei mas em que o meu coração quase parou. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Baixei-me para pousar o trompete e quando ergui a cabeça já um dos armários que acompanhava o Big Paulie acenava para uma cadeira à sua frente. Tirei um cigarro da mala do trompete e dirigi-me à mesa onde os devil eyes pareciam brilhar com mais intensidade. Sentei-me e procurei o isqueiro no bolso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Não vais precisar disto- disse o bizonte da direita enquanto me puxava o cigarro da boca. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- Então Tony que tal vai a vida? - disse o grande chefe por trás da sua enorme barriga que lhe toldava a voz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;- A mesma merda de sempre- respondi ainda irritado por não ter um cigarro entre dentes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Mas vai melhorar, não te preocupes Tony- disse ele num tom tão clemente que até fui capaz de respirar fundo- Desde que tenhas os meus 5 mil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Então o último sopro que ainda habitava os meus pulmões escapou-se por entre os dentes que se apertavam uns contra os outros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Pois Mr.Paulie, acerca disso, é que o televisor avariou e tivemos que comprar outro, sabe que os miudos são loucos por aquele quadradinho, e o meu Donald não sabe viver sem a televisão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-E sem pai?- indagou o Big Bull com toda a frieza de um assassino. O silêncio parecia ornamentar o olhar com que ele me olhava por entre o fumo do seu charuto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Let's go!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;A voz do Louie para me salvar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Bem, Mr. Paulie divirta-se na segunda parte - disse a minha boca sozinha enquanto me levantava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;-Sem dúvida que sim. - respondeu-me ele num sorriso demasiado bom para quem não era um grande fã de jazz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoPlainText"&gt;Pedi ao Paulie que tocassem uma sem mim e comecei a encher o peito de fumo. Ninguém me questionou. Fechei os olhos e ouvi como se fosse aquela a primeira vez que ouvia aquela musica. Respirei fundo. Abri os olhos e magicamente o Big Paulie tinha desparecido bem como a sua escolta. Fechei os olhos de novo e tirei mais uma passa do cigarro. Fora só mais uma ameaça. A quinta desde que tinha passado o prazo de devolução do dinheiro que me emprestara. O meu cigarro acompanhava o compasso da música enquanto na minha cabeça surgiam as notas. Visualizei toda a partitura. Era uma música alegre. Bastante alegre mas com um fim amargo. Hoje havia sido ao contrario. Uma melodia amrga mas com um fim mais alegre. O meu sapato batia já contra o palco. E recusei-me a abrir os olhos para mais uma passa. Até que ouvi um "não" seguido de uma correria pela madeira. Abri os olhos e vi o Bobby empurrar a Pearl para o chão. Só depois foquei o olhar na escuridão por trás do Bobby. Quase imediatamente ouvi a revoada de estrondos e senti como se levasse vários murros na zona do estômago. Cai quase imediatamente. Estilhaços do contra baixo voavam sobre mim enquanto ouvia os pratos da bateria chiarem. O nevoeiro começa a apoderar-se de mim. Vejo Louie deitado sobre o piano, na bateria já não mora ninguém e o Jack tosse junto de mim. Os seus olhos são calmos. Pearl grita lá à frente junto ao balcão. Há cinco corpos no chão. O meu trompete ergue-se a meu lado. Sopro nele. O último sopro. Já não é nada. Já não sou nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102); font-family: georgia;font-size:85%;" &gt;*concebido e escrito com a ajuda sonora da &lt;a href="http://www.myspace.com/thepostcardbrassband"&gt;The Postcard Brass Band&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-3046853200185247500?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/3046853200185247500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=3046853200185247500' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3046853200185247500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3046853200185247500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/05/take-five.html' title='Take Five!'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8794060777215204690</id><published>2008-05-10T19:08:00.003+01:00</published><updated>2008-05-10T19:15:35.925+01:00</updated><title type='text'>Sal dos Meses em Vertigem</title><content type='html'>Ainda não percebo porque continuamos a acender a lareira no Maio que se pôs. Esta chuva já não molha e o frio já não medra. Se nos faltar o calor em Setembro depois hás-de queimar as uvas no lume. Dá-me antes a malga do sangue de Agosto que assim aqueço-me melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sangue em Agosto, o tempo torna-se ridiculamente incoerente. O tempo que traz ora ciclones, ventos sem sentido de estética que me fazem nós no cabelo e que me levantam a saia lascivamente; o sol que nos arranca a pele quando tudo o que queremos é continuar a sentir o cheiro de Março na pele. Este tempo, que outro?, que só não é um inútil incompetente por nos deixar usar óbvios óculos de sol, escondendo que a noite passada foi de sal e que, afinal as lágrimas deixam cicatrizes. Ainda assim, sair para a rua de sol quando cá dentro as nuvens são cerradas, lembra-nos que o mundo nos ignora e que, no fundo, o ridículo de Fevereiro se perpetuou e que não há vento que o leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa as águas de Abril, deixa tudo o que queima o peito menos o sol de Julho, deixa-te ficar no manto de papoilas do novo verão. Amanhã acordas cedo pela manhã. Espalhas-te no vento com a seara a ondular e depois sentas-te naquela cadeira que temos no alpendre para secar o sal. Leva só uns quantos cigarros e o espaço da memória para um livro. Mais tarde eu levo o vinho e levo o meu discurso lento e rouco do tempo. Quando já for Junho e o ar deixar de espirrar, bateremos à máquina uma história que seja de Inverno, e tu deixas lá a tua neve. Depois virá a noite e cantaremos músicas no tampo da mesa, enquanto deixamos que o vermelho quente do vinho se espalhe pela cantiga de Maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro é a voz. Não por ser o primeiro, que estupidez!, nem tu o aceitarias apenas por isso. Verdade é que foi nos primeiros dias do ano que te descobri. Exibias um lenço ao pescoço, com todos os tons de vermelho que conheço - estava lá o afamado sangue de Agosto, quente, o vinho de Outubro e claro, não poderia deixar de ser, o esbatido vermelho daquilo que fica. Levantaste-te, era a tua vez, e tu, sempre coerente, leste o poema que trazias no caderno de capa grossa e que eu trazia já no meu peito mesmo antes de o conhecer. Abriste a boca e a verdade não podia permanecer escondida - revelaste-a, fugiu-te, por entre os lábios rubros, com a voz de Janeiro - "Um vermelho assim não tem regresso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me bem da ressaca de Dezembro, lembro-me dos dedos gelados a transcreverem um poema por entre as nuvens de respirar. Lembro-me de chorar. De lágrimas quentes contra o Natal frio.&lt;br /&gt;"Habituou-se a caminhar&lt;br /&gt;sob os plátanos, diluindo&lt;br /&gt;ressacas e lembranças imperfeitas.&lt;br /&gt;Pouco teriam em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num bar, o primeiro&lt;br /&gt;encontro, em lados diferentes&lt;br /&gt;mas não opostos do balcão.&lt;br /&gt;Ela vestia o mais ardente&lt;br /&gt;vermelho que já vira,&lt;br /&gt;sob um cinzento agreste que&lt;br /&gt;o frio de Janeiro quase desculpou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dormiram logo juntos.&lt;br /&gt;Mas ficou a dever-lhe um rasto&lt;br /&gt;de esperma feliz, na cama&lt;br /&gt;em que morria só. Ao seu lado,&lt;br /&gt;Berkeley, Wittgenstein, Espinosa,&lt;br /&gt;páginas de um curso que não queria&lt;br /&gt;e que nem ao menos lhe sujava as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semanas depois, passeavam de mãos&lt;br /&gt;dadas pelo jardim ou pelas ruas&lt;br /&gt;mais próximas do bar.&lt;br /&gt;Até ao dia em que deixou de vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coração em brasa, cinza por todo o lado&lt;br /&gt;– um vermelho assim não tem regresso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue escorria-me dos dedos cerrados, que vestiam pensos da ceifa de Outubro. Como poderia esquecer Janeiro. Como te pode esquecer Novembro? A noite chega de vez, e tu chegaste de vez ao tempo da gente que cresce. Tens que voltar a Novembro para voltares a trazer os traços que te levaram as rugas em Fevereiro. Tens que por a máscara do fim de Fevereiro para que te resguarde do sol do dia de Amanhã. Ainda é cedo para trazeres o chapéu rodado com a saia de flores, mas a máscara pode te cobrir o tempo nu de uma Primavera perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julho virá, mas não ainda. Será tanto o corrupio, os sorrisos enrolados em beijos, tanto, tanto o suor e as bebedeiras em vertigem que nem tempo terás para especular a coerência de Agosto. Um Julho de tanto Verão, de tanto sangue quente e chegará a fazer da Primavera Inverno. Não sei, nuca saberei, se trarás contigo o lenço vermelho. Não sei se depois de o sentires ainda serás capaz de o ostentar, mostrá-lo, torná-lo vulnerável pelos olhos - porque os olhos rasgam e mancham de negro (Julho não poderia ser este tudo para toda a gente). Seja como for, quer o uses ou não, Julho virá, mas não ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julho virá e ai vais ter que limpar a lareira para eu poder dormir a sesta fresca na cozinha fresca. Porei meu lenço vermelho e a boina ao xadrez castanho. Tu não te esqueças da saia, e o Verão que não se esqueça do ondular do trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saia, trá-la verde de esperança, verde dos montes da aldeia que te ouviu também a voz em Janeiro, trá-la verde para que nunca te esqueças que depois de Agosto vem Setembro, que depois do sal vem o mar, que depois de negro vem azul, e sempre, sempre o vermelho do lenço repousado no pescoço- para que as histórias nunca se partam na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;*escrita a quatro mãos, dois pontos finais, Celi M. e &lt;/span&gt;&lt;a style="color: rgb(204, 153, 51);" href="http://espes.blogspot.com/"&gt;SA.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8794060777215204690?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8794060777215204690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8794060777215204690' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8794060777215204690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8794060777215204690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/05/sal-dos-meses-em-vertigem.html' title='Sal dos Meses em Vertigem'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-996890238069720229</id><published>2008-04-18T12:33:00.000+01:00</published><updated>2008-04-18T12:34:14.596+01:00</updated><title type='text'>Lembro-me de ti(a)</title><content type='html'>Lembro-me primeiro de me doerem as unhas e de pizza ao jantar. Da Laika, do vento e das galinhas do lado. Lembro-me das cadeiras de verga e lembro-me de ser tão perto. Lembro-me de te mudares para alto, bem alto, e de querer mudar-me também para tudo ficar bem. Dos cereais misturados em latas de azeite a cairem na manhã tardia no nosso feliz leite. Lembro-me de ser metralha, zulu e sei mais o quê. De ser vitima de E.T.I. sem saber o negro que era. Lembro-me tão bem de um gravador a tocar num palanque, contando histórias antigas, que por não serem tuas as estudavas. Lembro-me de sleep-over's, slumberparty's e smarties. Lembro-me de uma gata, um gato, o meu gato e outro gato. Lembro-me de ti com um sorriso, sempre com um sorriso, mesmo se a vida to negava. Lembro-me do carinho e pedagogia com que sempre me afagaste, e ainda que não me lembre já do cheiro, lembro-me de me contares que sempre mo trouxeste para que ficasse marcado no coração. Lembro-te sempre. Lembro-te sempre no meu peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-996890238069720229?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/996890238069720229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=996890238069720229' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/996890238069720229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/996890238069720229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/lembro-me-de-tia.html' title='Lembro-me de ti(a)'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1526339424463474051</id><published>2008-04-18T12:26:00.000+01:00</published><updated>2008-04-18T12:32:52.129+01:00</updated><title type='text'>A Princesa Andorinha</title><content type='html'>Houve num tempo uma princesa chamada Ana Andorinha. Tinha as asas negras e o peito branco e gostava de voar por todo o lado. A princesa era filha dos grandes Reis Rolas. Viviam todos felizes no Palaninho desde que a pequena Ana se podia lembrar. Ana gostava muito do Palaninho. Era um grande ninho feito de pauzinhos e argila recolhidos por passarinhos de todo o reino. As paredes exteriores estavam enfeitadas com penas de mil cores e na torre mais alta do Palaninho estendia-se a pena de pavão que se via por todo o lado. &lt;br /&gt;Houve um dia em que o vento soprava mansinho e Ana pediu ao seu pai para voar até ao Pomar dos Passarinhos. &lt;br /&gt;- Podes voar mas não te esqueças de descansar e vem para casa antes que se levante o vento do pôr-do-sol.&lt;br /&gt;A Ana prometeu que sim e voou contente pela manha fora. &lt;br /&gt;-Ah, como sabe bem voar! - disse Ana ao sentir o vento deslizar por baixo das asas fazendo-a planar. Voou feliz durante campos e campos. Viu outros passarinhos e disse-lhes olá e bom dia com muita alegria. Gostava tanto de voar. Viu ratinhos a passear no campo e disse-lhes adeus lá de cima. Eles respondiam contentes e a Ana dava piruetas para os ver sorrir. &lt;br /&gt;Quando a pena de Pavão já não se via ao longe, e ar era mais quente e fácil de voar Ana viu as primeiras macieiras com as suas maças vermelhinhas a brilharem ao sol. Que feliz que Ana se sentiu! Parecia Natal de novo e voou com tanta força para o Pomar como corria para as prendas no natal. &lt;br /&gt;Estava tão cheia de sede de voar tanto que mal aterrou no ramo deu uma bicada na primeira maçã vermelhinha que viu. Era tão doce e fresquinha. Estava mesmo feliz. Continuou a beber da maçã que o sol ainda não tinha aquecido. Quando ficou satisfeita sentou-se no ramo a sentir a brisa, e ficou a olhar para o grande pomar dos passarinhos. Foi então que viu um passarinho castanho voar de um galho para o outro. Ficou a observar o que ele fazia muito curiosa. A Ana era muito curiosa.&lt;br /&gt;Ele voava para junto de uma maça e em vez de a bicar batia-lhe com a asa e voava para outra, onde batia outra vez na mação com a asa. Dois toques e voava. A Ana estava muito intrigada. &lt;br /&gt;Até que o passarinho voou para junto dela e ela sem vergonha nenhuma e cheia de curiosidade perguntou:&lt;br /&gt;-Que estás a fazer às maçãs? - a cara dela estava cheia de curiosidade. O passarinho voou, deu uma volta à Ana e pousou no mesmo galho. Ana assustou-se com medo que ele lhe fosse bater como batia às maçãs. E ele de imediato estende a mão e Ana protegeu-se entre as asas dela. Depois ouviu um riso, e espreitando por entre as penas viu que o passarinho estranho lhe estendia a mão para a cumprimentar.&lt;br /&gt;- O meu nome é Pedro Pardal. Prazer em conhecer-te,,, qual é o teu nome?&lt;br /&gt;-Ana Andorinha - respondeu ela sem pensar bem no estava a fazer. Com o coração ainda aos pulos por causa do susto e ao mesmo tempo as penas arrepiadas porque este pardal era mesmo simpático. &lt;br /&gt;-Sê bem-vinda ao pomar Ana. Eu acho que és nova por aqui não é? - Ana acenou com a cabeça - O que eu estava a fazer não era bem às maçãs, era às lagartas.&lt;br /&gt;-Mas aquilo são maçãs, não são lagartas - Respondeu a Ana com alguma insolência.&lt;br /&gt;E então o Pedro Pardal explicou à Ana que as lagartas viviam dentro das maçãs e que eram muito boas e saborosas.&lt;br /&gt;-Blhec!- disse a Ana com a ideia de alguém comer lagartas. - Se tens aqui tantas maçãs porque é que comes lagartas?&lt;br /&gt;-Pela mesma razão que tu comes maçãs quando há aqui tantas folhas! - respondeu o pequeno pardal fazendo os dois rirem-se muito. &lt;br /&gt;E assim começou a risota de um dia passado a rir, a voar, a rebolar na relva, a chapinhar no lago, e a comer maçãs. Depois o sol começou a ficar vermelho e os dois passarinhos despediram-se com a promessa de no dia a seguir se encontrarem de novo para brincarem. &lt;br /&gt;A Ana voava para casa feliz por ter feito um novo amigo. O sol ainda lhe aquecia a barriga mas estava a começar a esconder-se por trás do pomar. Ela voava de olhos fechados , a sentir o vento passar-lhe pelas penas. Até que se sentiu ir contra algo. Caiu. Tentou voar mas não conseguia. Abriu os olhos mas via tudo escuro. Estava tudo tão escuro e agitado. Até que com o medo Ana desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pedro acordou  com os primeiros raios da manhã. Saltou do ninho e pôs-se logo a assobiar de contente. Deu umas quantas piruetas no ar, voou junto è relva e bem alto no céu, e depois voou na direcção do pomar. Pelo caminho viu muitos passarinhos pendurados nos fios a conversarem preocupados, mas estava tão entusiasmado que nem parou para perguntar o que se passava. Chegou ao pomar e como ainda era cedo começou a procurar algumas maças que fossem muito boas. Marcou-as com o bico para depois ir comer com a sua nova amiga. Sentou-se depois no ramo e esperou que a Ana viesse. Esperou até o sol estar lá no cimo e ela não veio. Começou a ficar triste, e preocupado com a ausência da sua nova amiga. Começou a pensar que ela não queria mais brincar com ele. Ou que não tinha gostado de brincar. Estava tão triste. Até que começou a ver vir na direcção do pomar um pássaro ao fundo. Aproximava-se a uma velocidade grande. E depois olhou melhor e viu que eram mais. "Será que ela traz mais amigos?" pensou o pequeno pardal com o peito a encher-se de esperança outra vez. &lt;br /&gt;O bando foi-se aproximando, até o Pedro perceber que era um Esquadrão de Estorninhos. Ficou intrigado por vê-los por aqui, mas ficou mesmo assustado quando eles pousaram na macieira onde ele estava.  O estorninho maior pousou mesmo junto dele. &lt;br /&gt;- O passarinho Pardal conhece a Princesa do Reino?&lt;br /&gt;- Eu não. - respondeu o Pedro&lt;br /&gt;-E viu uma Andorinha por estes lados ultimamente.&lt;br /&gt;- Só a Ana, mas ela não é nenhuma princesa.&lt;br /&gt;- O passarinho viu a Princesa Ana Andorinha? disse o Estorninho de forma autoritária.&lt;br /&gt;-Não, sim. Eu não sabia que ela era a Princesa - respondeu o Pedro confuso.&lt;br /&gt;- Mas teve contacto com ela?&lt;br /&gt;-Tive. Ontem estivemos a brincar aqui no pomar todo o dia e depois ela foi para casa e prometeu que voltava hoje. E não voltou - disse o pequeno Pardal tão assustado como triste.&lt;br /&gt;-Onde estava o sol quando ela partiu? - perguntou o guarda de peito inchado. &lt;br /&gt;-Ali. - apontou o Pedro.&lt;br /&gt;-Obrigado - disse o Estorninho - Esquadrão, voar na direcção do vento, comigo.&lt;br /&gt;-Espere! e a Ana?&lt;br /&gt;-Está desaparecida. - e dito isto o Esquadrão levantou voo na direcção de onde veio.&lt;br /&gt;-Espere! Eu quero ajudar! - gritou o Pedro, mas ninguém o ouviu.&lt;br /&gt;Mas o Pedro não era Pardal só de nome. Saltitou no ramo até à maçã mais próxima, comeu e voou atrás do esquadrão. Voava mais baixo do que eles e procurava no chão algo diferente. Ele conhecia aquele campo como a palma da sua asa.  Foi voando até que viu uma pequena pena negra no chão. Pousou e agarrou na pena. "Pobre Ana" pensou ele  "Foi raptada pelos Gatos Gatunos". Correu o chão e encontrou algumas pegadas na direcção do sol do meio-dia. Foi saltitando e viu um ratinho à procura de comida. Viu-o e  foi logo falar com ele. &lt;br /&gt;-Rato Ricardo! Viste os Gato Gatunos?&lt;br /&gt;-Olá Pedro, por acaso vi! Ontem à noite estava na minha toca a pentear os bigodes e ouvi eles a passarem todos contentes e a fazerem muito barulho. Eu encolhi-me muito com medo.  - respondeu o Ricardo um bocado assustado.&lt;br /&gt;-E para onde é que eles foram? - perguntou o Pedro&lt;br /&gt;-Foram na direcção do velho celeiro! Tu vais atrás deles? É muito perigoso! &lt;br /&gt;Mas o Pedro já não ouviu o final do que o Rato disse. Voou com toda a força em direcção ao celeiro. Os gatos eram muito preguiçosos e o Pedro queria chegar lá enquanto eles dormiam. &lt;br /&gt;O grande celeiro vermelho começou a aparecer no horizonte. O Pedro voava sobre grandes campos cheios de trigo, e a barriga dele dava voltas. Não porque tivesse fome, mas o medo parecia andar às voltinhas na barriga. Bateu as asas com força para chegar mais depressa. Tinha medo mas ao mesmo tempo queria ver a sua amiga. Estava ansioso. Quando o celeiro já era muito grande o Pedro voou na direcção do telhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou por uma frincha no telhado. Cheirava a palha e o sol só entrava por pequenos raios que atravessavam a parede de madeira. Foi andando devagar sem as patas fazerem barulho através de uma grande tábua que unia o telhado. Quando chegou a meio parou e deitou-se na tábua a espreitar cá para baixo. Viu dois gatos, um vermelho e um malhado. Estavam deitados a dormir no feno mas pareciam poder despertar a qualquer momento. Correu os olhos pelo escuro mas não conseguia ver a Ana. Então o Pedro decidiu voar para mais perto do chão. Viu encostada à parede uma forquilha e logo voou para o topo do seu cabo. Os gatos não se mexeram, mas podiam estar alerta. Mas como ainda era alto o cabo, eles não chegavam ao Pedro. Foi então que viu  uma coisa preta que se mexia mesmo entre os dois gatos. Era a Ana! Parecia estar amarrada para não voar. Ele tinha que fazer alguma coisa. Tentou magicar alguma coisa na sua cabeça de pardal. Com toda a força que tinha empurrou o cabo da forquilha para que caísse. E antes que ele tocasse no chão voou para o lado oposto do celeiro. O cabo caiu com grande estrondo ainda um pouco afastado dos dois gatos que num salto se puseram de pé e correram para junto do barulho. &lt;br /&gt;-Que é que foi isto Gualter? - perguntou o vermelho&lt;br /&gt;-O barulho veio daqui, Guilherme - respondeu o malhado.&lt;br /&gt;Enquanto isto e voando o mais depressa que conseguia foi ter com a Ana e agarrando nas cordas tentou rompê-las com o bico.&lt;br /&gt;A Ana ao ver o seu amigo ali tão perto não conseguiu deixar de exclamar:&lt;br /&gt;-Pedro!&lt;br /&gt;-Ali! - gritou o Gato Gualter&lt;br /&gt;-Agarra-te as minhas patas - disse o Pedro à Ana. Ela agarrou e ele tentou com força voar na direcção do telhado. Os gatos saltaram e quase os apanharam com as suas unhas afiadas, mas o Pedro conseguiu com muito esforço bater as suas asas e chegar com a Ana à tábua do telhado. Enquanto ele lhe tirava as cordas ouviu os gatos em baixo.&lt;br /&gt;-Por aqui Guilherme, acho que conseguimos subir por aqui. &lt;br /&gt;-Consegues voar? - perguntou o Pedro à Ana&lt;br /&gt;-Estive muito tempo amarrada, não sei mas acho que sim.&lt;br /&gt;-Então vamos por ali. E o Pedro puxou a Ana de volta pelo buraco onde tinha entrado. Começaram a ouvir barulhos mais em cima.&lt;br /&gt;-Vamos! - gritou o Pedro à sua amiga enquanto saíam pelo buraco. - Vai tu primeiro!&lt;br /&gt;Ela foi à frente e o Pedro viu os gatos nas tábuas do telhado já . Ele saltou atrás mas quando olho para a frente não a viu no céu. &lt;br /&gt;-Ana! - gritou o pequeno Pardal&lt;br /&gt;-Aqui em baixa! - disse a Ana do chão junto ao celeiro. Então o Pedro desceu e ajudou a apoiar a sua amiga.&lt;br /&gt;-Anda, vamos que eles não apanham. &lt;br /&gt;Correram os dois, a Ana apoiada no Pedro em direcção à seara. Estavam quase a entrar na seara quando ouviram a porta do celeiro abrir com um grande estrondo. Correram para dentro da seara com esperança de lá se esconderem. O barulho parecia vir atrás deles. Eles corriam para longe do celeiro. Até que à frente deles viram um gato castanho. Sem tirar os olhos dos dois pequenos passarinhos o Gato miou tão alto que ambos tiveram que tapar os ouvidos com as asas. Os outros vieram na direcção dele e não tardaram em aparecer, um de cada lado. Estavam cercados. No meio da seara de trigo, cercados por todos os lados pelos Gatos Gatunos. Ana estendeu as suas frágeis asas à volta do Pedro com medo. Pedro não conseguia voar com os dois por mais que uns metros. Não podia fazer nada. E do nada um chilrear gritava:&lt;br /&gt;-Atacaaar!!&lt;br /&gt;Era o Esquadrão de Estorninhos! Tinham-se dividido em 4 grupos, Enquanto cada grupo atacava um gato com bicadas, o quarto grupo pegou nos dois passarinhos içando-os no ar, voando para longe do celeiro. Os outros juntaram-se a eles e só pararam no pomar. Lá encontraram o chefe dos Estorninhos que logo lhes fez sinal.&lt;br /&gt;-Missão cumprida! - Exclamou o Capitão Cotovia - Como está a Princesa?&lt;br /&gt;-Doem-me um pouco as asas, mas dentro de dias já devo ser capaz de voar. Tenho é muita fome.&lt;br /&gt;Mas ao acabar esta frase a princesa viu que o seu amigo pardal lhe trazia uma maçã vermelhinha. Comeram e riram-se e agradeceram ao Esquadrão tê-los salvo,&lt;br /&gt;Nos dias seguintes o Pedro foi visitar sempre a Ana e levava-lhe maçãs para que melhorasse. As asas dela depressa recuperaram mas a amizade entre os dois pequenos passarinhos ainda hoje dura, e partilham muitas vezes maçãs por todos os Pomares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1526339424463474051?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1526339424463474051/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1526339424463474051' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1526339424463474051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1526339424463474051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/princesa-andorinha.html' title='A Princesa Andorinha'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6654358720163375157</id><published>2008-04-13T19:57:00.002+01:00</published><updated>2008-04-13T20:05:08.340+01:00</updated><title type='text'>!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever assim a quente nunca foi o meu forte. É dificil perceber o que escrevo quando as lágrimas me correm os olhos. Quero ser uno e não quero que me corra o sangue esta tristeza desmedida. Quero ver, ser, respirar melhor. É me dificil respirar com tudo o que me puseste no peito. Encheste o meu para esvaziar o teu.&lt;br /&gt;Ninguém quer ouvir. O mundo está surdo. Está surdo de tanto barulho. De tanta notícia. Novas. As vidas. Surdas surdas. Porque ouvir-me na minha própria cabeça é melhor que me ouvir da tua boca. Todo o mundo surdo. Por isso escrevemos na esperança que ainda não esteja cego.&lt;br /&gt;Quero comer porque foi uma idiotice vir para aqui com esta fome. Quero que ela me saia da cabeça e tu também. E as lágrimas da cara e o mundo de ti. Sou demasiada dor e demasiado negro para que saia algo que não turvo dos meu dedos. O mundo esse está surdo. Ninguém ouve senão a sua voz etérea a dizer o que pensa. Tudo o que pensa. Estou tonto. Serei um louco por querer felicidade. Serei tão pouco que o mundo me vire assim as costas. Está surdo. Quando é que deixaste de me saber?&lt;br /&gt;Já me perdi. Já não me encontro. E tudo pelo que me perco é agora pisado por ti. Uma dor proeminente na cabeça. Tonto tonto. Vivo conformado ao mundo. Medo de magoar, medo de agitar o mar.Toda a gente que é desprezo. Nunca vos dezprezei e é com o meu cuidado que me espezinham. Sois altos de mais. O vosso cheiro é tão mau quanto o espirito. Eu sou uno, sou íntegro. Já os vossos cus não podem dizer o mesmo. Porque passam a vida a meter nele tudo o que vos dá jeito . A merda que o mundo é começa nos olhos que o veem. Que se lixe o mundo surdo que já não quer ouvir ninguém.&lt;br /&gt;Os julgamentos participados maravilhosamente na mente. De merda! E as alegações de acusação brilhantemente expostas. E as de defesa?&lt;br /&gt;Não me defendo já. Choro. Copiosamente. Porque o mundo surdo prefere ver-se a sorrir. Porque ninguém ouve o que não quer ser. E é tudo uma merda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6654358720163375157?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6654358720163375157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6654358720163375157' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6654358720163375157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6654358720163375157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/blog-post.html' title='!'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8222872830652147577</id><published>2008-04-13T19:54:00.000+01:00</published><updated>2008-04-13T19:57:13.943+01:00</updated><title type='text'>Transfigurações: Sono</title><content type='html'>Do chão floresce um algodão redondo e fofinho. No céu voam pardais branquinhos em bandos triangulares. Há uma montanha de almofadas do tamanho de uma casa. A brisa sopra docemente fazendo zumbir os ouvidos ao de leve. Deitado em cima das almofadas os meus olhos são puxados violentamente para a terra. O corpo todo mole em dormencia, os olhos parecem até trocar-se com a vontade de sonhar. O rosa e o azul bebé parecem beijar-se num são tão calmo que nem alberga o sol. Parecem cair do tecto flocos de neve quente que vão afagando a pele acalmando-a. Umas bailarinas silenciosas vão rodando sobre as pontas das sabrinas cor-de-rosa que combinam com a saia em tule da mesma cor. Há um som leve de xilofone que amacia o tempo. Os olhos a quererem fechar. Embriagado parece. Os olhos a ficarem escuros. Toda a cor branda a abrandar. Já nem ouço o xilofone. Já não vejo nada. Só o calor quentinho. Já não peso nada. Um calor quentinho. Não ouço nada. Calor Quentinho. Já não... quentinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8222872830652147577?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8222872830652147577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8222872830652147577' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8222872830652147577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8222872830652147577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/transfiguraes-sono.html' title='Transfigurações: Sono'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5206704016644832903</id><published>2008-04-08T10:34:00.002+01:00</published><updated>2008-04-08T10:36:37.297+01:00</updated><title type='text'>(Sem Assunto)‏</title><content type='html'>O negro vem comer-me o coração, as lágrimas estancaram-se lá atrás, mas a dor fica aqui como sempre. É facil falar para despejar a dor de nós, o dificil é falar sem a dor nos toldar a voz. Há dias em que morro. Hoje morro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5206704016644832903?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5206704016644832903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5206704016644832903' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5206704016644832903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5206704016644832903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/sem-assunto.html' title='(Sem Assunto)‏'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6835056250639808743</id><published>2008-04-04T20:32:00.001+01:00</published><updated>2008-04-04T20:32:43.345+01:00</updated><title type='text'>Robot</title><content type='html'>Os dedos redondos metálicos, o tronco e as pernas em rectas perpendiculares ao chão. Caminho em tons de cinza e o mundo aparece-me em grelhas verdes. Os sensores falam-me do perigo. O perigo não o sinto. Não sinto. Ajo, executo, não penso. Não vivo. Vivo. O metal arranha-me os movimentos, o vidro acompanha-me o olhar. Suspender, hibernar, desligar. Não durmo. Reparar. Reparo em tudo e em todos. Não reparo em mim. Eu não existo. Não sou lata mas conservo-me artificialmente entre suplementos e sintéticos. Durmo. Acordo. Nunca. Suspendo, reinicio. Eu não existo. Faço-me existir por aquilo que faço. Faço existir. A ti aos outros. Tu existes porque eu te faço existir. Mas como posso eu existir. Quem me faz? Made in China. Made in Paraíso. Since Adão. Caminho em cinzento. Verde verde o olhar. Grelhas de vida, grelhas para a vida. Tudo segundo plano. Nunca existir. Executar, cumprir, seguir, nunca fazer. Não penso. Não olho, meço, avalio e registo. Não ouço, gravo e edito. Não cheiro, recolho e analiso. Não saboreio, testo e indico. Não sinto, nada. Não existo, só faço existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6835056250639808743?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6835056250639808743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6835056250639808743' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6835056250639808743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6835056250639808743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/robot.html' title='Robot'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1528201467981574190</id><published>2008-04-04T20:31:00.000+01:00</published><updated>2008-04-04T20:32:18.625+01:00</updated><title type='text'>Aprimorar</title><content type='html'>Hoje o dia é de primavera. Cheira intensamente a ti naquela tarde de primavera. Quando no jardim verde de inveja, enquanto as arvores floresciam eu te beijava a frente com o sol a beijar-me as costas. Traizas uma saia azul que fazia lembrar o tempo e uma camisa branca que me fazia olvidar tudo. Cheirava a ti e a flores. Cheirava tudo a felicidade. Hoje cheira a primavera. Não quero que cheire a feliz porque isso é para outro dia. Um que tu te vistas do tempo e eu me pendure na tua mão. Tempo tinto de ternura da primavera. Os passarinhos não se beijam mas namoram, bem perto do meu olhar. As flores abrem-se e vestem-se das cores que habitam o meu peito. O vento gentil sopra sobre as folhas na puberdade e eu lembro-me do teu cabelo a ondular. O sorriso corre o dia. Tu corres-me o sangue, o sangue corre-se de alegria. Espera o dia. Vive a alegria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1528201467981574190?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1528201467981574190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1528201467981574190' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1528201467981574190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1528201467981574190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/04/aprimorar.html' title='Aprimorar'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8936156592299395743</id><published>2008-03-12T13:26:00.001Z</published><updated>2008-03-12T13:38:53.292Z</updated><title type='text'>Despicable</title><content type='html'>Sento-me pela manhã na mesa recatada de um café sossegado numa rua com pouco movimento. Espero pelo meu café, bocejo o meu cigarro e no fim mando calmamente pôr tudo na conta que pagarei no final da semana. Sou um homem de hábitos. Levanto-me sempre à mesma hora, vejo sempre o mesmo canal durante a torrada que me sirvo ao pequeno-almoço. Faço o chá, preto, sempre da mesma forma, no mesmo recipiente, colocando o saquinho dentro da agua quente sempre mesmo tempo. Tenho um problema com a desorganização.&lt;br /&gt;É por isso que este fulano me faz ferver o sistema nervoso devagarinho.&lt;br /&gt;Entra sempre a horas diferentes naquele café que é só meu. Há dias em que não vem ou nem se chega a encontrar comigo. O seu aspecto parece mais caótico a cada dia que a semana vai enchendo, e o seu ar varia de tal forma que às vezes nem me parece ele. Nunca vê ninguém a não ser o taciturno empregado de balcão com quem gosta de ter monólogos sensaborões sobre as manchetes dos jornais que se amontoam nos transportes públicos. Os seus óculos de péssimo estado e as suas bochechas de barba mal feita fazem só por si enervar qualquer ser humano com mínimas capacidades visuais. A sua postura e andar "i own the place" dão cabo de qualquer fígado de tão azedo.&lt;br /&gt;Irrita-me e nada posso fazer. E por isso a frustração vai crescendo. Sou um assassino profissional. Sou muitas vezes eu que torno aquela facadinha no matrimónio literal, que resolvo à lei da bala quezílias e discussões. Sou eu que cobro literalmente o couro e o cabelo de caloteiros sem vergonha. Não é uma profissão de que possa falar em casa, mas a minha casa também não é daquelas onde se falam. O sangue espalhado no chão é a minha vida.&lt;br /&gt;Mas não o posso matar a ele. A única coisa que me liga aos assassínios que faço são os molhos de notas deixadas em locais inóspitos. Se me ligo por um sentimento que seja então tudo pode ruir. Mas quero. Nas manhãs em que ele entra mais balançante só me apetece retirar a arma que trago junto às costelas e fazer um respiráculo naquele cérebro apodrecido. Chego a visualizar o círculo vermelho enquanto o sangue desliza até pingar do queixo para as sempre irritantes camisas brancas de fraldas de fora.&lt;br /&gt;E não me entendam mal, eu não sou nenhum psicopata, ou sociopata, ou o normal tolinho que anda de rifle em punho a praticar o seu desporto favorito. E não deixo de espetar um balázio na tromba de alguém que não me agrade por medo de ser apanhado por um inspector gordo que fuma cigarros humedecidos com suor. Matar é o meu trabalho, e sei melhor que muita gente deixar o trabalho no "escritório". E sabia também deixar o mundo no sítio até este último caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notícias, o trânsito e o tempo espalhavam-se pela casa enquanto me barbeava. Na minha cabeça não corria nada do que a televisão anunciava, mas sim a descrição exacta do que se iria passar. Tenho o hábito de narrar tudo do fim para o início, não sei se são tiques de profissão se de personalidade mas sempre foi assim. Imaginava primeiro tudo no sítio, depois eu a ordenar tudo, a morte, etc. Era o que corria na minha cabeça agora. A antecipação do serviço do dia. Ou pelo menos pensava eu.&lt;br /&gt;Depois de empurrar a torrada, vestir o blazer e dar um último aperto ao nó da gravata fechei a porta reforçada do último andar que a esforço tinha transformado numa penthouse de luxo. Desci as escadas e fui visto por dois vizinhos que saiam também de suas casas. O prédio era fraco e os seus outros habitantes pobres. Assim o tinha escolhido eu. Esta gente tinha mais perguntas sobre si própria para se questionar sobre a vida dos outros. A minha vida também não era sujeita a questões, a gravata preta fora o início de uma desculpa para arranjar um carro funerário e deixá-lo à porta do prédio. A morte sempre limpa a cabeça de dúvidas, e no fundo nem a mentia, estava só um bocadinho antes de funerário na linha de comando. Sai para um sol radioso nada habitual de Janeiro. Caminhei calmamente até aquele que considerava o meu café. Também lá a minha profissão era tida como o que não era e assim é que estava bem.&lt;br /&gt;O barulho de um sininho alertava o dono da minha presença. Mas hoje não era preciso. Senti o estômago revolver ao abrir da porta. Vi-me frente a frente com escassos metros de distância da personagem que me irritava solenemente. Com a calma injectada à força no sistema nervoso larguei no balcão um "bom dia" simplório e recolhido, tentando fazê-lo passar directamente ao senhor de avental.&lt;br /&gt;-Bom dia ò chefe! E desculpe lá se lhe disser que não seja um tão bom dia pró seu negócio!&lt;br /&gt;E após proferir esta frase no tom jocoso que a sua postura tornava nojento, desatou num riso tão desprezível que me vi mal para não dizer nada. Logo eu que sempre soube arrumar todas as emoções no fundo do poço. Sentei-me e pedi um café mas mesmo antes da sua chegada acendi um cigarro. Foquei a minha atenção nas nuvens alvas que saiam da ponta do cigarro enquanto largava nevoeiro sobre a mesa. O café caiu-me pesado no estômago e esta ainda reclamou mais quando o sujeitinho saiu e deixou um "Até manhã amigo" a dançar no ar.&lt;br /&gt;Com uma palavra despedi o empregado e saiu para a rua de cigarro na boca. As nuvens que tinha largado lá dentro pareciam ter-se espalhado no seu cá fora. A minha disposição estava ainda mais enevoada. Sacudi os sapatos pretos e entrei no carro igualmente negro que reflectia a luz difundida nas nuvens. Arranquei para o destino pela rota programada na tarde anterior. Os dedos batucavam no volante a cada sinal vermelho e por isso decidi fazer-me acompanhar de música para que ela me limpasse o nervoso que ainda estalava nos meus dedos.&lt;br /&gt;Depois de estacionar caminhei para o apartamento do alvo por um caminho de cascalho propositadamente. Além de me limpar os sapatos de qualquer areia indiciadora acalmava de uma maneira bestial. Era como um cerimónia tribal que preparava para o assassínio a seguir. Normalmente não precisava disto e começava a ficar inquieto. Para piorar uma chuva miudinha começou a cair no chão ainda quente do sol.&lt;br /&gt;Procurei o número 23 e caminhei lentamente para a sua entrada. Verificando que a porta estava fechada e atravessei para o outro lado da rua. Olhei para o relógio e suspirei ao constatar que ainda estava dentro do plano. Com a companhia de um cigarro dirigi-me para a entrada do prédio oposto e longe dos olhares alheios esperei um movimento no 23. Depois de três cigarros a luz interior do prédio acendeu-se apesar da claridade que as onze da manhã espalhavam no céu enevoado. Atravessei para o outro lado e fingi tocar a uma campainha no exacto momento em que alguém saia do elevador. Aguardei um interlocutor fictício e quando o homem que saiu do elevador abriu a porta eu segurei-a dizendo para a minha suposta visita: "Já está aberta". O vizinho saiu e eu sai insuspeito. Enquanto subia no elevador tirei as luvas pretas do bolso, vesti-as e tirei do bolso umas algemas que segurei numa mão enquanto na outra segurei um pedaço de adesivo. Ao sair do elevador tirei o adesivo preto que coloquei no óculo do porta em frente à fracção B onde iria bater a seguir. Não devia estar ninguém em casa mas de qualquer forma não gosto de arriscar. O modus operandi é algo demasiado valioso para alguém como eu, e alguém ter uma pista que seja dele, é o mesmo que deitar toda uma carreira ao lixo.&lt;br /&gt;Respirando fundo pressionei finalmente a campainha da porta que me interessava. Segurei uma algema aberta na mão direita enquanto esperava que o alvo magricelas e pálido abrisse a porta. Não tardou muito para ele aparecer com uma t-shirt velha e segurando uma toalha à volta da cintura.&lt;br /&gt;"Bom dia, o meu nome é Pedro Amaral e trabalho para a Sentz Seguros" iniciei eu para quebrar o gelo enquanto estendi a mão com a algema dissimulada.&lt;br /&gt;Logo ele me estendeu a dele num movimento mais reflexo e eu num movimento prendi-lhe esta à algema enquanto o meu joelho se enfiava contra o músculo da perna, causando a queda imediata. Rapidamente passei para trás dele prendendo a outra mão atrás das costas. Com um pontapé delicado empurrei-o para longe da porta para que esta fechasse. Com um pé fechei a porta enquanto me estiquei em direcção à camisola do alvo e lha enfiei na boca para que o barulho fosse menor. A surpresa do instante trabalha sempre comigo e por isso até calar o sujeito tudo tem que ser feito de uma assentada. Agarrando no colarinho por trás puxei-o até a casa da banho que tinha previamente estudado na planta. Lá chegado tive de passar do arrastar à força bruta, agarrando no magricelas cheio de medo e a pontapear tudo o que conseguia. A sua parca força e pouca agilidade fizeram embater a sua canela na parte debaixo da sanita o que causou guinchos abafados pelo tecido e uma menor agitação por parte dele. Aproveitando isso enfiei-o no chuveiro que me pareceu melhor opção do que a banheira com hidromassagem na altura de fazer o plano. Encostei-o de forma relativamente confortável mas os seus olhos esbugalhados espalhavam a agitação que os membros desgastados já não lhe permitiam. Aproximei-me de novo para abrir o chuveiro altura em que o franzininho decidiu espetar-me uma bela cabeçada na cintura. As minhas mãos evitaram-lhe a cabeça a tempo e nem hesitaram em enfiar-lha contra a parede. A força foi a suficiente para lhe fechar os olhos mas sem o deixar inconsciente. Abri o chuveiro e deixei que a água lhe suavizasse o choque. Afastando-me o suficiente para não apanhar com água, tirei do coldre que trago por baixo do braço a minha arma hoje tão infeliz e colocando o silenciador apontei-lha à cabeça. No instante exacto que abriu os olhos talvez sentindo o calor de ma bala apontada à sua cabeça, os seus olhos desfizeram-se numa expressão de medo. E neste preciso instante o meu mundo caiu. Pressionei o gatilho de forma errada. Com o medo que se apoderou de mim. A expressão que eu vi completamente assustada não era a do magricelas do número vinte e um da rua das magnólias mas sim a do gordo oleoso de carácter nojento e sentido de humor duvidoso. Quem eu tinha acabado de executar era ele, e ninguém me tinha pago para o assassinar. Felizmente a sua expressão só me tinha vindo assombrar no fim. Tentei expulsar o demónio de mim e voltar à rotina. Deixei a água correr até estancar a hemorragia, de qualquer maneira o finguelinhas não devia ter muito sangue. Fui à cozinha e procurei sacos do lixo. Como não encontrei um suficientemente grande tirei o que tinha trazido no bolso um daqueles pretos de grandes dimensões. Debaixo da banca procurei uma garrafa de lixívia. A boa arrumação da empregada deu-me facilmente o que queria. Fui até ao quarto e o nariz explicou-me que era seguro fumar aqui, tirei um cigarro e sentei-me na cama. Tentei expulsar todo aquele nervosismo de mim.&lt;br /&gt;Já de noite deixei que um copo de Douro 2003 me escorresse na coluna e me limpasse esta carga que trazia. Tudo tinha acabado por correr bem. A casa limpa, o corpo desfigurado e abandonado como sempre. Sem razões para alarme. A não ser aquela cara que me tinha assombrado para sempre. E foi na placidez da lareira de Janeiro e com um cigarro a esfumar-se no ar que tomei a decisão que me traria aqui.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, sem gravata no pescoço ou blazer a cobrir a camisa branca e o colete negro desci até ao café. A semi-automática enfiada nas costas presa pelas calças, o cigarro a escorre-me da boca. A barba por fazer e o cabelo desgrenhado de quem não se viu num único espelho. Os olhos fundos sobre olheiras negras como a noite branca. Os punhos cerrados em tensão pré-guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me de frente para a porta e pedi uma torrada e um sumo que se coloria por trás do vidro do balcão. O senhor Rodrigues por trás do balcão teve a hombridade de apenas subir a sobrancelha. Melhor para ele pensei eu. Já depois de eu pedir um novo maço de cigarros e o cinzeiro se encher dos restos do antigo o sininho no canto da porta dava a partida ao ritmo acelerado do meu coração. Com o seu ar gingão entrou o fantasma de toda a minha noite e disse no seu sorriso patético:&lt;br /&gt;-Eh chefe, noite difícil!&lt;br /&gt;Senti o meu estômago ferver como nunca antes. A minha expressão deve ter transparecido tão bem que ele virou-se rapidamente para o balcão e pediu o seu "pinguinho". Já o meu olhar nunca lhe saiu da nuca. A minha cabeça fervia com vontade de ver o cérebro dele fumegar à passagem de uma bala à queima-roupa. As suas mãos gordas e desajeitadas seguravam a chávena de onde sorvia o seu café descolorado. Até este acto era perfeitamente nojento. Hoje que me sentei mais próximo do balcão conseguia mesmo ouvir aquele barulho tão pouco civilizado. Tinha decidido não o fazer aqui. O café havia sido tão bom companheiro que não me parecia justo estragar assim com aparições macabras em todos os jornais. Aguardei que depositasse a moeda no balcão e soltasse palavras de despedida num tempo que pareceu eterno.&lt;br /&gt;Com um acenar de cabeça deixei a minha despedida no balcão e meia dúzia de notas bem crescidas na mesa de onde me levantei.&lt;br /&gt;Com a respiração já ofegante iniciei a perseguição e contei a custo 10 longos metros de distância do café. Terminado esse limite imposto por mim não perdi tempo a enfiar-lhe o pé pela perna a dentro. Senti o osso ceder e toda a sua figura balofa se espalhou no alcatrão de má qualidade. Só a queda deixou logo a sua delicada cabeça a sangrar. Fraco de merda! Conduzi repetidas vezes o meu pé contra as costelas protegidas por uma densa camada de gordura. Até que o meu desespero atingiu o clímax e ajoelhando-me em cima dele fiz colidir o meu punho com aquela cara que me assombrou e me fez perder tudo. Havia de lhe tirar para sempre aquela expressão parva da cara gorda. Quando já a minha respiração se desvanecia e a dele desaparecia levantei-me e olhando-o nos olhos ensanguentados e inchados, retirei das costas a arma quente do contacto e apontei-lha à cabeça. Já conseguia ouvir as sirenes e a minha respiração acalmou. Disparei e senti-me um peregrino chegando a Roma. O meu braço desceu apontando a arma à terra, e a policia não tardou a chegar. As mangas da camisa todas vermelhas e a arma na mão fizeram rapidamente o ponto da situação e não ofereci resistência para chegar aqui.&lt;br /&gt;-Essa parte já nós sabemos senhor Semedo. Fale-nos das outras 42 mortes.&lt;br /&gt;-O registo dessas pode encontrar em pastas separadas no meu escritório. -respondeu o homem de mangas vermelhas sentado na sala escura com um espelho onde ninguém se via e onde todos viam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*uma pequena homenagem a um dos meus filmes favoritos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;De Battre Mon Coeur S'est Arrêté&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8936156592299395743?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8936156592299395743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8936156592299395743' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8936156592299395743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8936156592299395743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/03/despicable.html' title='Despicable'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-3647830172282951446</id><published>2008-03-04T10:37:00.002Z</published><updated>2008-03-04T10:49:10.613Z</updated><title type='text'>Pensa Praga</title><content type='html'>A luz espalha-se no azul. Lembras-te dos verbos? Do vento e do mar? O azul espalha-se na luz. Há tempo e uma vontade de o preencher contigo. De me preencher contigo. O vermelho espalha-se no peito. De amr. Tenho-te a ti e só preciso do ar para sorver no teu regaço. O peito espalha-se no vermelho. Há uma urgência em te pintar. Pintar o teu cabelo penteado pelo sol. O branco que se espalha nos caracois. Comemos caracois de massa e sorriso de sobremesa. Os caracóis espalham.se no branco e o coração vai cantando alegria. Deixo que me leves a mão e o olhar. Caminhas segura no paralelo desalinhado. Infinito. O verde espalha-se no céu, a primavera floresce nos teus dedos. Sorri só mais um pouco, estica bem. O céu espalha-se no verde do teu vestido. Olha a felicidade. É bom. Vai ser melhor. Espalharmo-nos naquela cidade. Deixar correr felicidades, sorrisos, beijos, memórias, monumentos, e momentos, noites, dias, alegrias, solenidades, sabores, sentidos. Vamos agora. Felizes. O algodão doce espalha-se no papel. Já sei escrever de novo. O papel espalha-se no cor-de-rosa. E tudo é&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-3647830172282951446?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/3647830172282951446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=3647830172282951446' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3647830172282951446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3647830172282951446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/03/pensa-praga.html' title='Pensa Praga'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6378010276710121233</id><published>2008-02-08T18:40:00.000Z</published><updated>2008-02-08T19:12:33.155Z</updated><title type='text'>Aqueles de quem não escrevemos</title><content type='html'>Estende a mão no frio de uma janela de Janeiro. Na ponta do indicador surge ele de violino ao ombro. No ombro ela de saia negra. No negro da alma gravilha calca-se e descalça-te. O violino chora, chora e sussurra com a ondulação do pequeno cabelo dele. O cabelo dela esvoaça enquanto uma pirueta marca no ar congelado uma flor vermelha. Os cabelos dela são relâmpagos e os dedos dele são colcheias.&lt;br /&gt;Fecha os olhos e ouve o violino chorar. Chora e chora sem dor. O tempo que esmaga e faz doer, as cordas que vibram e fazem doer. Abre os olhos vê a bailarina dançar. Abre a palma da mão e deixa-a dançar. Sente a dor fugir até à mão gelada onde o sangue já não vai onde a luz se perdeu sem aquecer onde tudo é tão pouco e tão pouco é tudo onde já dança a bailarina. Deixa que ela espalhe o escuro sem perder de vista a luz. Deixa-a falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Si tu veus je peux&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;danser danser danser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;jusqu'au vent souffler &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;jusqu'à la pluie mouiller&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;jusqu'au froid tuer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa o violino chorar. Deixa-te suspirar e soprar. Deixa-te chorar e molhar. Deixa o frio&lt;br /&gt;deixa deixa agora e vem dançar, que o violino toca contigo, dança e dança contigo voa e o tempo contigo. O violinista, na ponta da tua vida larga o violino no teu colo agora deixa a musica sair de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6378010276710121233?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6378010276710121233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6378010276710121233' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6378010276710121233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6378010276710121233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/02/aqueles-de-quem-no-escrevemos.html' title='Aqueles de quem não escrevemos'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6508985700682847363</id><published>2008-01-21T17:31:00.000Z</published><updated>2008-12-08T21:13:33.530Z</updated><title type='text'>o medo vencer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/R5TZ3YyjfOI/AAAAAAAAABY/1jvxYfbfpeg/s1600-h/DSCN0465.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/R5TZ3YyjfOI/AAAAAAAAABY/1jvxYfbfpeg/s400/DSCN0465.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157987018816584930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Olha. Foge. Tenho medo, tenho medo de ter medo. Não te agarres a esta mão que ela não te toca. Tenho medo de te tocar, toco só uma guitarra solitária que fechei no tempo. Queres que ela chore para ti? Sou assim eu. Choro e toco uma guitarra com o teu medo.&lt;br /&gt;Teu que é meu. Tu que és minha. Mas que tenho medo de te ter. Não digo nada. Que digo afinal? Que é que espalho neste chão desconjurado pintado de branco. Quem sou eu?? Medo, medo. Deixa que te diga que é medo que sou. Não Semedo, não medonho. Sou medo. Aquele preto, aquele luto que encobre e discorre o coração. Para quê? Para quê o músculo vermelho que se agita? Antes o naco de carne que esguicha sangue. Medo é o que sou. Mas sou gente e sofro com o medo. Não sou transfigurado nem personificado. Toco guitarra lembras-te? Mas sou medo.&lt;br /&gt;Se bem te lembras, já te cantei e toquei. Lágrimas é certo. Embaraço teu, que as lágrimas são minhas! Para quê? Para me deitar sobre a cama de dor. Mas uma cama real, eu sou real! E na almofada asfixiar todo este medo. Se ao menos te falasse. Se&lt;br /&gt;nada nada! Se nada! O medo é maior. O medo é mais forte. O medo sou eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6508985700682847363?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6508985700682847363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6508985700682847363' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6508985700682847363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6508985700682847363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/01/o-medo-vencer.html' title='o medo vencer'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/R5TZ3YyjfOI/AAAAAAAAABY/1jvxYfbfpeg/s72-c/DSCN0465.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8437316517547375583</id><published>2008-01-06T19:18:00.000Z</published><updated>2008-01-06T19:56:47.537Z</updated><title type='text'>Amor de Almofada</title><content type='html'>O candeeiro fazia chover ouro na mesinha de cabeceira. Ela ria-se ruidosamente. O branco dos dentes contrastava com o negro da boca aberta que ria desmedidamente. As mãos dele circundavam-lhe a cintura. O riso bate no céu dois metros acima da cabeça deles. As mãos dele apertavam-lhe a cintura enquanto o lençol se enrolava nas pernas dela. Estas agitavam-se e torciam o lençol. O riso transformava-se lentamente em tosse. As mãos dele param. Sorri. Sorri feliz. As roupas pousadas em cadeiras de lados opostos da cama. O branco do lençol pairava sobre as peles ainda quentes. A porta do roupeiro aberta para trás mostrava de volta a felicidade que ambos sorriam.&lt;br /&gt;-Não me faças cócegas! - O sorriso  pintava-lhe também a voz e os olhos. Os olhos dele espalhavam-se pelo branco do tecto. Imaginava o fumo que se espalhara por aquele tecto na primeira vez que ela dormiu a seu lado. Já não precisava daquele travo a corroer-lhe a língua para sossegar o coração agitado. A felicidade espalhava-se junto ao tecto e aquecia todo o quarto. Um pôr-do-sol imaginário aquecia-lhe os pés abandonados pelo mar azul de tecido enrolado nas pernas dela. Ela parecia ver no tecto gotículas de suor que caiam por todo o chão oleado à sua volta. Detestara sentir aquele chão gelado no seu pé virgem daquela casa. O sorriso ainda aclarava o quarto que se tornava escuro e sonolento. Havia agora fotos de ambos juntos na cómoda que os vigiava pacientemente. Tudo era diferente agora, mas a felicidade iluminava-os enquanto ainda se olhavam de cabeça espalhada nas penas alvas aprisionadas em fronhas escuras. As mãos dele abraçavam-lhe agora as costas nuas aquecidas pelo oceano de calor que ainda lhe navegava o peito. O amor escrito no titulo de um livro que se encostava carinhosamente ao relógio-despertador apagava docemente a luz para que o sono os raptasse de vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8437316517547375583?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8437316517547375583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8437316517547375583' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8437316517547375583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8437316517547375583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2008/01/amor-de-almofada.html' title='Amor de Almofada'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4580502282995171212</id><published>2007-12-26T23:25:00.000Z</published><updated>2007-12-27T00:08:33.655Z</updated><title type='text'>Conto-lhe o Natal</title><content type='html'>&lt;a href="http://celi.blogspot.com/2006/12/havia-no-ar-o-rebulio-de-natal-ao-13-da.html"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Havia estrelas transparentes contra o céu que aquecia levemente as calças pretas de bombazine. Ela como um anjo vestia uma saia que terminava numas botas que lançavam pelinho. Com um olho mais aberto que o outro por causa do sol ele observava tudo isto.&lt;br /&gt;-Se fosse só um raminho não te custava nada. - lançou ela por entre o silêncio perdido na confusão de sons.&lt;br /&gt;Ele baixou rapidamente os olhos mas o coração queimou o ar todo que serviria uma resposta.Os pés dançavam-lhe nervosamente contra a neve de pedra da calçada. Ela olhava para ele e para o seu azevinho. Alternadamente. O vermelho do azevinho parecia reflectir-se na pequena bochecha dele e contrastava com o frio que ela sentia nas mãos demasiado brancas. Tinha-as cerradas como se isso tornasse a sua vontade mais forte e ele lhe desse um bocado de azevinho. -A minha avó esta doente sabes? E eu passo o Natal com ela. Com ela e com os meus pais. Com quem passas tu o Natal?-a face dele escondia-se em vergonha- Deves passar com a tua mãe. Nós somos poucos mas o Natal é fixe assim. Gostas do Natal?- perguntou ela novamente sem resposta verbal mas com uma enorme velocidade das calças de bombazine.&lt;br /&gt;Normalmente ele já teria levado uma canelada e um valente puxão no azevinho seguido de uma corrida de pés pequenos mas frenéticos, mas as bochechas de azevinho eram completadas por umas belissimas folhas verdes nos olhos que faziam derreter o pequeno coração de Sara.&lt;br /&gt;-Olha lá ó cara de azevinho, como é que te chamas mesmo?-atirou ela num pedido em desafio que o coração pedia.&lt;br /&gt;-Eu chamo-me David.... Da-David Félix. - respondeu ele de forma completa após o virar de cara dela fingindo desinteresse.&lt;br /&gt;-Olá David, dás-me um bocadinho do teu azevinho?- o tom mandão parecia ter desvanecido um pouco e as mãos há pouco enroladas em si próprias enrolavam agora o cabelo que não se deixava enrolar estendendo-se até aos ombros.&lt;br /&gt;Desta vez a resposta dele surgiu num lento abanar de cabeça fazendo esvoaçar de novo um não.&lt;br /&gt;-Fogo, porquê?-perguntou ela deixando que toda a impertinência voltasse à sua voz.&lt;br /&gt;Ele, sem nunca tirar os olhos do chão e com o azevinho a queimar-lhe as faces, respondeu num sussurro praticamente inaudivel por entre os pregões a 5 euros:&lt;br /&gt;-Porque se te der tu vais embora e eu fico aqui sozinho outra vez.&lt;br /&gt;Sem pensar muito bem na resposta e a uma velocidade de estrela cadente ela rispostou com um sorriso nos olhos:&lt;br /&gt;-E não!&lt;br /&gt;E então ele olhou-a pela primeira vez desde a sua formal apresentação e pela primeira vez sentiu o peito manchado de vermelho e dourado largando todo um Natal num sorriso de olhos entreabertos e com o sol a iluminar-lhe a felicidade.&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;(continua no Natal!)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4580502282995171212?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4580502282995171212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4580502282995171212' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4580502282995171212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4580502282995171212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/12/conto-lhe-o-natal.html' title='Conto-lhe o Natal'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7507981091539557383</id><published>2007-12-06T10:14:00.000Z</published><updated>2007-12-06T13:46:42.214Z</updated><title type='text'>Quarto Crescente</title><content type='html'>O mundo cinzento plana. Sorrisos, conversas, copos que chocam, garrafas em bandejas. Música, música sem dono que se deixa cantar sob a noite. Risos, conversas, discussões. O rectangulo enorme espreme-se contra a parede e vai atirando cores e imagens para a sala apinhada. A sala apinhada tem já mil cores espalhadas nas paredes, assim como mil sons a abafar o ar. Fumo, fumo. Fumo que lhe permite esconder aquela dor que ainda não conseguiu pintar no seu peito. Ainda ou já. Empedrenida e perene. Não sai nem quer. E ela sorri fingindo a sua alegria, farta de ouvir a pergunta em que o bem há muito perdeu o significado. «Está tudo bem!», grita, chora soluça,e as lágrimas. Tudo lá dentro a esncher para despejar em casa. Na varanda com um cigarro ou uma outra personagem. Com o negro do céu ou o esbracejar das plantas. Tudo para casa. Aqui sorriso, riso, conversas. Copos que afogam, lágrimas em garrafas . Sem Música. Sem nada. Um silêncio digno de uma banda sonora. Um silencio que pede acção. Uma acção que pede para ser tomada. Uma felicidade cinzenta que plana mas teima em pousar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;"Se tens medo da dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;vem ver o que é o amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Se não sabes curar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;vem ser o que é amar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Para ver-te amanhecer,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Para ver-te amanhecer,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Quero ver-te amanhecer"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tiago Bettencourt, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Campo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7507981091539557383?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7507981091539557383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7507981091539557383' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7507981091539557383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7507981091539557383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/12/quarto-crescente.html' title='Quarto Crescente'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8699769586820516126</id><published>2007-10-19T14:25:00.000+01:00</published><updated>2007-10-19T19:24:37.435+01:00</updated><title type='text'>Lua Cheia</title><content type='html'>Corre sobre o pequeno beco uma brisa que faz abanar todas as plantas de pequenas folhas verdes que o luar deixa ver.  O cinzento do chão ganha uma alvura fria fazendo lembrar um lago gelado de inverno. Só falta mesmo um banco vermelho de madeira. O cigarro deixa fugir uma coluna de pensamento no ar. O pensamento alheado corre para além do que a vista alcança.nos olhos o reflexo do luar faz brilhar o que o coração rebente. Já não habita o inverno no peito. Antes o verão. Mas um verão chuvoso e húmido. Hoje os olhos secam-se a tempo do útlimo cigarro, antes de irem descançar na branca almofada do sono. Amanhã ainda haverá luar. E a luz do luar consegue sempre apaziguar o fogo negro da distância. A lua traz a plenitude do sorriso, ainda que com lágrimas nas faces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 0);"&gt;"Deixa-me existir no espaço novo&lt;br /&gt;Que acordaste em mim&lt;br /&gt;Não vês que é de nós&lt;br /&gt;o jardim que se fez&lt;br /&gt;Não vês que é para nós o jardim&lt;br /&gt;que nos faz em olhares&lt;br /&gt;que este frio faz tremer em ficar&lt;br /&gt;e faz voltar o que tens e que é meu"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tiago Bettencourt, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Jardim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8699769586820516126?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8699769586820516126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8699769586820516126' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8699769586820516126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8699769586820516126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/10/lua-cheia.html' title='Lua Cheia'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6207065222117230793</id><published>2007-10-17T10:30:00.000+01:00</published><updated>2007-10-17T10:48:36.187+01:00</updated><title type='text'>Quarto Minguante</title><content type='html'>Há um candeeiro que ilumina a secretária onde a um canto se amontoam papeis e fantasmas. Formando um losangulo, os braços estendem-se sobre o tampo deixando o centro preencher-se pela sua cabeça. Os cabelos, da cor do sol, espalham-se em redor à espera de uma brisa que não chega. O único som que se ouve é o dos carros a acorrerem ao circulo lá fora. Há um silêncio bafiento dentro do quarto. Ela abafa o choro para não o interromper. As lágrimas correm velozes atravessando-lhe a pálida cara e caem contra a madeira sem fazerem barulho ao partirem.  Há um negro no peito que se espalha até chegar ao dedos em mil fagulhas que queimam e doem. Os pés, cobertos de cores que não habitam a alma enrolam-se com vergonha da diferença. A cara cai para o lado e ela olha o branco da parede. A dor é tão mais pesada quando não se pode apagar. Como a fome é mais doentia quando não se pode comer. Como as mãos doem mais quando não podem acariciar o coração de volta ao nosso peito. Usando o fundo da palma das mãos ela apaga o choro da cara e foge do tampo. Mas da dor não pode fugir, apenas poli-la e faze-la brilhar para que se junte às outras medalhas no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 0);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«Se as flores não mudam de cor&lt;br /&gt;vais ter que as deixar viver&lt;br /&gt;Em terra que é feita de nós&lt;br /&gt;toda a chuva daninha de pó&lt;br /&gt;toda a erva que tenta esforçar&lt;br /&gt;vai sempre acabar por morrer»&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tiago Bettencourt, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Noite Demais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6207065222117230793?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6207065222117230793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6207065222117230793' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6207065222117230793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6207065222117230793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/10/quarto-minguante.html' title='Quarto Minguante'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6954919206960012301</id><published>2007-10-15T09:46:00.000+01:00</published><updated>2007-10-15T10:22:33.007+01:00</updated><title type='text'>Lua Nova</title><content type='html'>Há escuro e noite. Há tanta noite. A cegueira habita a visão e o ouvido floresce afinado. O resvalar da água nos seixos e plantas. Quer puxar tudo. Arrancar o mundo para que corra com ela. E quando encontra uma rocha a água ri-se calorosamente lembrando uma criança no verão.&lt;br /&gt;Ao nariz chega o cheiro fresco das folhas castanhas banhadas pelo orvalho. A pesada árvore que as viu nascer range ruidosamente com o vento, mas o som traz o choro de uma mão de negro que vê partir o seu filho.&lt;br /&gt;Sentada no chão agarra entre as mãos uma palha arrancada do chão e com ela sente o vento e tenta mudar-lhe a direcção. Olha somente o polvilhado de estrelas e procura a que lhe pertence. Ao encontra-la começa a desfazer a palha em pequenos instantes e deixa voar o tempo do negrume. Abre então uma pequena caixa prateada que na escuridaão perde o brilho e as palavras. Tira um cigarro e acende-o. É esse o problema palavras. Vem a escuridão e dissolvem-se no vento. Só as acções se gravam. Na pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;«Desce o tempo e a noite vem lembrar que as tuas mãos também &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;já nao são de nós para ficar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;Por ser tanto quanto somos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;Certo quando vemos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;Calmo quando queremos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 102, 51);"&gt;Hoje, só por ser Outono, vou...»&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tiago Bettencourt, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Outono&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6954919206960012301?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6954919206960012301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6954919206960012301' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6954919206960012301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6954919206960012301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/10/lua-nova.html' title='Lua Nova'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-537365806665225478</id><published>2007-06-15T11:22:00.000+01:00</published><updated>2007-06-16T23:17:22.152+01:00</updated><title type='text'>A Princesa das Pérolas [Conto Infantil]</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm;"&gt;Há muitas marés atrás havia um reino rodeado de mar por todos os lados e que tinha um castelo feito de corais. Nesse castelo havia uma torre alta como o voo de uma gaivota, toda pintadinha de vermelho e branco para que as gaivotas não batessem lá quando passassem. Lá vivia um príncipe chamado Gaio Gaivota. Chamava-se assim porque vivia muito sozinho na sua torre e a única companhia que tinha eram as gaivotas. Como cresceu naquela torre, aprendeu mais depressa a falar com as gaivotas do que com outros humanos. Mas ele gostava muito delas, e a sua melhor amiga chamava-se Pena d’Asa.   A Pena voava todo o dia e à noite vinha-lhe contar tudo o que via. Durante o dia o Gaio sonhava voar com a sua amiga Pena. Mas nunca podia sair do seu castelo. O seu pai, o rei Mauro Mar, tinha medo que alguém lhe levasse o filho ou tentasse fazer-lhe mal. Era o seu único filho e um dia viria a ser o rei de toda a Terra do Mar. E por isso Gaio só tinha amigas gaivotas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;Mas o rei que era muito mandão um dia decidiu pôr uma notícia na porta do castelo e mandou dizer em todo o reino. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;“A todas as donzelas,” começava o texto, “eu o Rei Mauro Mar decidi que esta é a altura certa para o meu filho Gaio Gaivota encontrar alguém digno de se chamar Princesa. Mas como o meu filho não conhece nenhuma donzela a sua selecção será feita através de um presente que cada donzela deste reino oferecerá ao meu filho. “ &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;Toda a gente se precipitou num grande alvoroço e durante alguns meses muita gente dedicou-se inteiramente a tentar fazer algo de muito exuberante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;Mas tudo isso passava ao lado de Gaio que vivia lá em cima acompanhado das suas amigas gaivotas que nada sabiam do assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;Um dia a Pena chegou mais cedo do que era costume. Gaio ainda estava a dormir a sesta quando o bico dela bateu na janela cheio de entusiasmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Olá Pena – disse o Gaio – Vens muito cedo hoje! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Tenho uma coisa importante para te contar – respondeu a Pena – Hoje estava a voar na Praia das Conchas quando vi uma menina muito triste a chorar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Porque é que ela chorava, Pena? - Perguntou o príncipe muito preocupado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Não sei! - Respondeu a Pena muito envergonhada – Ela andava a caminhar na areia e cantava uma canção do mar enquanto olhava para o chão e deixava cair lágrimas. Percorreu toda a praia assim e depois subiu de volta à vila e eu não a vi mais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;- Era uma canção triste? – Perguntou ele&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Eu não percebia o que ela dizia, mas parecia a música das baleias quando ficam perdidas na praia – disse a pequena gaivota de penas cinzentas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;E ficaram os dois a imaginar porque é que a menina chorava até a lua os mandar irem dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;No dia seguinte mal almoçou o príncipe Gaio pediu para sair da mesa e subiu a correr as escadas para o quarto. Abriu a janela e pôs-se a olhar o céu procurando Pena. Passaram nuvens com muitas formas, mas o Gaio só queria que chegasse a sua amiga gaivota. Falou com outras gaivotas mas nenhuma tinha visto a Pena. O sol foi caindo devagarinho e a Pena nunca mais aparecia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;Veio a hora de ir jantar e até o Rei Mauro reparou que algo se passava com o Gaio. Mas ele comeu rapidamente para voltar de novo para a janela. Quando acabou de subir as escadas e chegou ao seu quarto já a Pena lá estava. Ele logo abriu a janela e disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Até que enfim!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;- Não foi culpa minha. Hoje o vento soprava forte como um tubarão. – Desculpou-se a gaivota.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;- E então viste-a de novo? – Perguntou o príncipe entusiasmado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;- Vi! - Respondeu-lhe a Pena – Mas ainda estou mais confusa do que ontem!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-Porquê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;- Por muita coisa – começou ela – Eu estive na praia quase o dia todo mas hoje ela só apareceu mais tarde. Quando chegou, vinha com um cesto castanho. E começou a olhar para o chão e apanhar o que de princípio me pareciam conchinhas. Tentei aproximar-me para ver melhor mas o vento não deixava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 11.35pt 4pt 0cm; font-family: georgia;"&gt;-E depois? Viste o que ela apanhava? – Perguntou o Gaio curioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; font-family: georgia;"&gt;- Não vi, mas o cesto parecia cheio de olhos de peixe, ou ovos de rã. – Respondeu a Pena desapontada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; font-family: georgia;"&gt;-Aposto que eram ovos de caranguejo! -respondeu o príncipe que não percebia nada do mar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; font-family: georgia;"&gt;-Não, tontinho, os caranguejos nascem no mar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- E ela chorava? - Perguntou ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Não! – Respondeu a gaivota enquanto se sentava na cómoda. – O mais estranho é isso, ela hoje parecia tão feliz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- Gostava tanto de a conhecer. Mas como? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Ela não tem asas – respondeu a Pena enquanto abanava as suas para exemplificar – e tu nunca sais daqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Já sei! – E dito o isto o Gaio correu pelas escadas a baixo esquecendo-se que a sua amiga gaivota não o podia seguir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;3 marés depois, num dia de muito sol, uma donzela chamada Catarina Conchinha chegava a casa depois de mais um dia a fazer roupas para muita gente. Era costureira, fazia mil e uma roupas. Desde meias a vestidos. Mas como viviam numa ilha e havia poucos materiais a Catarina fazia tudo a partir de coisas do mar. E não fazia coisas nada feias. Vestidos de algas azuis, camisas com botões de búzios, e até chinelos de conchas de mexilhão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ora numa tarde a Catarina chegou a casa e encontrou dois guardas do reino à sua porta. Ficou logo muito assustada, e mais ainda quando eles lhe disseram que tinha que ir ao castelo porque o rei queria vê-la. Pelo caminho foi pensando que sempre se tinha portado bem e que nunca tinha feito nada de mal e por isso não sabia porque quereria o rei falar com ela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O que ela não se lembrou foi que tinha feito um fato para o jovem príncipe. Por ordem do rei Mauro. Era um vestido com escamas de atum polidas, e que ao sol brilhava tanto que até magoava os olhos. Fez-lhe também uns sapatos pretos de tinta de lula e uma camisa de pele de tubarão. A jovem Catarina tinha-se aprumado a sério no fato do príncipe porque achava que ele devia viver uma vida muito sozinha naquele castelo sem ninguém. Houve alturas em que gostava de ter asas para voar até lá em cima e falar com ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Chegada ao castelo foi para a sala do Rei onde ele estava sentado num grande trono de coral. A Catarina ficou de boca aberta com aquela sala tão bonita. As colunas estavam cheias de conchinhas e em cada lado da sala em cada uma das janelas havia um aquário com plantas e muitos peixes que faziam com que a sala parecesse estar no fundo do mar. Um peixe balão encheu-se de repente e a Catarina viu entrar o Grande Rei Mauro, seguido por um rapaz que nunca tinha visto. Era bonito. Os olhos dele eram da cor da areia molhada e o cabelo da cor do fundo do mar. O sorriso dele era o de um golfinho saltitante. Só depois reparou que trazia vestido o fato que ela fizera. A cara dela apanhou um escaldão de repente. Então o Rei falou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- Aproxima-te Costureira Catarina Conchinha. – Disse ele com uma voz de peixe-espada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ela aproximou-se um dos guardas trouxe uma cadeira feita de ossos de baleia para que se sentasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-O meu filho gostou muito do teu fato – continuou o Rei – mas ele queria-te fazer uma perguntas por isso vou-te deixar a sós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E dito isto o Rei Mauro saiu e deixou-os sozinhos. Ai a Catarina viu uma gaivota sair detrás de um dos aquários e ir para a beira do príncipe. As pessoas diziam que ele falava com as gaivotas mas ela nunca acreditou. Mas agora pareciam estar a falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- Vai lá! Fala com ela. – Dizia a Pena ao príncipe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Tenho vergonha – respondia ele – e se ela não gosta de mim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- Mas tens que saber porque ela chorava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Mas ela é tão bonita, não percebo como uma donzela tão bonita chorava. Olha para os cabelos dela, parecem o mar quando se enrola junto à areia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Vai lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E o príncipe ganhou coragem e foi. Calcando os seu sapatos novos foi até junto da jovem costureira que parecia tão assustada que ele tinha medo de falar e a sua voz parecia não querer ajudá-lo quando fez a pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Porque choravas no dia antes de apanhares estas bolinhas? – e apontou para os botões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ela riu-se tanto que se esqueceu onde estava enquanto ele olhava para ela sem saber o que fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Essas bolinhas são pérolas, e a razão porque eu chorava são elas mesmas. - O príncipe parecia ainda mais confuso – A minha bisavó ensinou-me a fazê-las quando eu era ainda do tamanho de uma gaivota. Eu deixo cair lágrimas na areia e o vento e o sol e o sal encarregam-se do resto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;A cara do príncipe abriu-se como o sol no meu de uma tempestade do mar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;-Então era por isso que cantavas a canção das baleias, para conseguires chorar? – Perguntou o Gaio sorrindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;- Sim!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E ficaram os dois a conversar até o rei Mauro voltar com o convite para jantar. 3 luas depois casaram-se na praia das conchinhas. Ela costurou um grande vestido com penas de gaivota que a Pena e as suas amigas gaivotas lhe deram. Ele usava o fato que ela lhe deu, e uma pulseira de pérolas que ela lhe fez nos dias em que esperava o casamento. Todo o reino gritou vivas ao Príncipe Gaio Gaivota e à Costureira Catarina Conchinha, Princesa das Pérolas. Depois de casarem viajaram nas costas de uma baleia e viram muitos lugares, até que voltaram à torre do castelo onde são tão felizes como grande é o mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-537365806665225478?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/537365806665225478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=537365806665225478' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/537365806665225478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/537365806665225478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/06/princesa-das-prolas-conto-infantil.html' title='A Princesa das Pérolas [Conto Infantil]'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7415837335291850110</id><published>2007-06-11T23:54:00.000+01:00</published><updated>2007-06-12T00:22:23.142+01:00</updated><title type='text'>Amor de Comboio</title><content type='html'>Árvores voavam a toda a velocidade na janela. Não que ela as visse, os seus olhos fechados empurravam-lhe a cabeça para baixo em várias tentativas de lhe fixar o sono. Era incrível como se estivesse fora da cama tudo o que queria fazer era voltar para lá. E como quando lá estava estava eternidades a olhar o candeeiro em forma de globo. Nunca gostara dele e atribuía-lhe agora as culpas das noites mal dormidas. Quando se mudou para casa dele queria-o ter trocado. Mas ele era tão intransigente em certas coisas. Como nestas viagens de comboio ao sábado. Estava farta mas cada vez que tocava no assunto acabavam sempre por elevar a voz mais do que era costume. Mas a sua inaptidão para discutir levava a melhor sobre a sua oposição a estas viagens. Por isso acabava sempre por deixar que o sono lhe escondesse a face enquanto ele à sua frente brilhava os olhos ao mundo que passava furiosamente rente ao vidro. Só não sorria por vergonha. Mas a alegria era a de um miúdo de 5 anos aquando do seu gelado semanal. Os dois pares de pés cruzavam-se num abraço de pernas. Estavam frente a frente e os olhos dele fugiam na direcção dela muitas vezes. Aí não era capaz de conter o sorriso. Mesmo com as pálpebras dela a negaram-lhe o olhar, a sua expressão adormecida explodia-lhe no coração como o tinha feito da primeira vez que a vira. Madeixas caiam-lhe sobre os olhos e o lábio indeciso escondia-se sob um dente medroso. A respiração ondeava-lhe o peito decotado. Da primeira vez os olhos fugiam-lhe perigosamente para lá e o suor nas mãos parecia suficiente para dar vida a um deserto. Quando relembrava esses momentos em frente à beleza dela parecia-lhe que tudo fazia sentido, a vida em comum bem como a sua própria. Uma senhora mais mecânica que simpática anunciou-lhes o fim da linha. Ele levantou-se, arrancou-lhe os dedos refugiados entre os joelhos e puxou-a em direcção à porta contagiando-lhe o sorriso junto ao vento solarengo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7415837335291850110?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7415837335291850110/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7415837335291850110' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7415837335291850110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7415837335291850110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/06/amor-de-comboio.html' title='Amor de Comboio'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5317573900149115229</id><published>2007-05-28T23:26:00.000+01:00</published><updated>2007-05-29T00:03:34.112+01:00</updated><title type='text'>Amor de Sofá</title><content type='html'>O lento respirar escorria entre as almofadas. A TV muda criava na sala ambientes de mil cores. A cara pálida dela debruçada nas costas dele enchia-se da mesma cor que inundava a sala. O seu braço circundava o tronco dele, a mão espalhada na sua barriga. A sua cabeça ondulava coma respiração dele enquanto a dele se afundava no canto do sofá. A mão dele desmaiava apontando o livro que deixara cair do sofá. Apesar do sono os cobrir como um manto invisivel os olhos dele permaneciam abertos. Olhava a carpete vermelha e os sapatos espalhados nela.&lt;br /&gt;Lembrava-se da primeira vez que soltara os sapatos naquela carpete. Não morava ali ainda. A carpete, ele já se moldava nas paredes que agora se tingiam de verde com o resumo de um jogo de futebol. Lenta e pesada herança a do tempo. Queria voltar a esses dias em que a carpete vermelha morava na casa dela. Em que lhe retribuia o sorriso com flores e chocolates. Doces tempos. Queria voltar a saborear esses sorrisos. Agora pareciam cair numa noite infindavel sem o amanhecer do sorriso dela. Um suspiro deslizou-lhe dos pulmões.&lt;br /&gt;Os olhos dela abriram-se de repente. Até que se certificaram onde estava afinal o resto do corpo e descansarem de novo. Era assim agora. O conforto das suas costas, o conforto do seu calor, o conforto de o ter. Era agora mais feliz por não ter que arriscar o frio da solidão. E tudo era tão bom. Do primeiro dia a esta noite. Na televisão um casal discutia num qualquer anuncio para colocar a mulher no seu lugar de subordinada empregada . Era tão feliz por não ter de passar por isto todas as noites. De não o ouvir levantar a voz à tanto tempo que nem se lembrava da ultima vez. A placidez da felicidade. A doçura do tranquilo amor.&lt;br /&gt;Os olhos dele colados agora no ecrã. Preferia uma discussão. Preferia que ela se irritasse para que a tempestade lhe voltasse a mostrar que havia um sol.  Agora tudo era este calor que já nem era quente. A a sua pele preencheu-se de pequenos pontos.&lt;br /&gt;Ao ver o arrepio dele ela perguntou:&lt;br /&gt;-Tens frio? Vamos para a cama. E com a sua propria resposta sentenciou mais uma noite. E mais uma noite sentenciou mais um pedaço do vermelho da carpete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5317573900149115229?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5317573900149115229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5317573900149115229' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5317573900149115229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5317573900149115229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/05/amor-de-sof.html' title='Amor de Sofá'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-888389888000769925</id><published>2007-04-19T22:59:00.000+01:00</published><updated>2007-04-19T23:11:49.114+01:00</updated><title type='text'>M no céu</title><content type='html'>Hoje apetece-me escrever no céu. Sem ter que me prender a textos e canetas. Escrever só. Encher de metáforas molhadas um vidro baço. Dar azo a mil versos luminosos numa lampada longa. Espalhar assim a minha palavra por tudo e tudo. Uma palavra só. Uma palavra onde coubesse o mundo. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mundo&lt;/span&gt; não explica o mundo todo. Uma que explicasse. Uma frase, pelo menos. Uma frase que enchesse o céu, ficasse reflectida no mar e inundasse os olhos do universo. Uma frase que fosse minha, e tua,  e do mundo, e só de alguém e de toda a gente. Uma frase só. Uma frase de amor, como "Se o amor for azul, quero ser o teu mar" ou sobre a morte: "Por mais que a saudade me lave os olhos é o teu nome que melhor se lê no meu olhar". Mas estas falam para alguem. Tinha de ser uma frase que falasse ao mundo. Sem discurso directo. Mas tudo me parece tão rente ao chão. Tão pouco celestial. E eu queria era escrever no céu. Uma letra que fosse. Um M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-888389888000769925?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/888389888000769925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=888389888000769925' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/888389888000769925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/888389888000769925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/04/m-no-cu.html' title='M no céu'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6830629059526910065</id><published>2007-04-12T09:33:00.000+01:00</published><updated>2007-04-12T10:44:50.731+01:00</updated><title type='text'>Cola</title><content type='html'>É um pouco estranho falar da cola nesta ultima história.  Acho que todos vemos a cola como algo impuro e um pouco nojento. Ninguém gosta de ter os dedos a colar ou que os pés se colem ao chão. Mas este amor de cola não é nada disso. Talvez um pouco.&lt;br /&gt;As circunstâncias em que se conheceram eram tão diferentes de hoje. Como a cola no fundo, tem aquele aspecto liquido e pastoso, mas passado algum tempo é dura e vitrea. Pois bem. Comecemos por ai. Kabisa era uma criança a bem dizer. Tinha passado a senhora à pouco tempo mas não se sentia como tal. Era ainda uma criança que já vestia saia de senhora. E foi ao conhecer Montsho pela primeira vez que se sentiu mulher. Ele fazia senti-la assim. Porque ele era homem, era homem e queria-a. Ela sentia-se pequenina à beira dele, mas era um pequena maior. Então começaram a colar-se. Ele porque se sentia admirado, ela porque se sentia bem a admirar.&lt;br /&gt;Isto foi o liquido e pastoso. Hoje tudo é oposto.  Kabisa habituou-se à presença de Montsho e deixou que ele se cola-se a si. Hoje mesmo que quisessa estava demasiado colada a ele. Ele admira-se com ela, ele idolatra-a como em tempos ela o idolatrou. Ela gosta desse idolatro. E colam-se assim no amor sem precisarem de pensar na cola que os une e como ela mudou ao longo do tempo. Talvez nenhum dele repare que se colaram sem pensarem e que mantem a cola sem saberem. Mas ainda que pensem nisso constantemente a cola que os une é demasiado forte para se descolarem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6830629059526910065?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6830629059526910065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6830629059526910065' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6830629059526910065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6830629059526910065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/04/cola.html' title='Cola'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1293931309997959984</id><published>2007-03-28T10:35:00.000+01:00</published><updated>2007-03-28T10:50:11.316+01:00</updated><title type='text'>Sinais Vermelhos são Pôr-do-Sol</title><content type='html'>Tocar a felicidade com a ponta dos dedos. Tocar com eles na tua pele de seda branca. Perceber o meu sorriso pelo calor que me enche a cara. Ver o reflexo do meu sorriso na tua cara. Não só no brilho dos teus olhos, mas por toda a cara espalhado como a felicidade espalhada em mim. Ser feliz no teu abraço. Ser feliz no teu amor. Ser aquilo que quero ser naquilo que quero ser. Ser teu em ti. Largar o amor nos dedos e deixá-lo escrever-te, escrever-me.Escrever-nos. Letras amontoam-se mas são uma gota no oceano do meu sentimento. Discorro o pensamento à procura de uma frase que sejas tu. Que seja o teu sorriso pelo menos. Nada há que expresse o brilho que dele sai e me inunda o corpo todo numa felicidade. Por ser a tua beleza e a tua alegria. A nossa felicidade. Nós.&lt;br /&gt;Sonho-te, sonho-te esta e todas as noites. E dias. Numa sala de sofás castanhos. O cheiro a verniz. O piano no canto. Uma voz masculina canta e há livros pousados no chão da sala. A televisão ilumina-nos. A tua beleza ainda me atinge no peito depois de tantos anos. Sonho-te assim. Quero-te assim. Sei que vai ser assim. Não sei não. Não sei se os sofás vão ser castanhos, não sei se vamos ter um piano. Ter-te a ti é tudo. Tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1293931309997959984?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1293931309997959984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1293931309997959984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1293931309997959984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1293931309997959984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/sinais-vermelhos-so-pr-do-sol.html' title='Sinais Vermelhos são Pôr-do-Sol'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7179580836906093576</id><published>2007-03-20T20:52:00.000Z</published><updated>2007-03-20T22:09:28.516Z</updated><title type='text'>Areia</title><content type='html'>Dificilmente estão a pensar num número inferior a uma centena de pedras. Quando pensam em areia digo. E é impressionante que ninguém visualiza uma ou duas pedras por si só. Cada pedra que compõe a areia é uma história por si, cada pequeno pedaço. Acho que só damos conta de alguma pedra quando ela é demasiado invulgar, ou de um material diferente. Mas numa mão cheia de areia não se vê um único grão. É um verdadeiro exercício de paciência sequer contar o número de pedras que compõe uma mão cheia de areia. É igualmente difícil descrever todos os grãos que contribuíram para este amor de areia.&lt;br /&gt;Tomáš já caminhava pela praia de Tereza bem antes de se conhecerem. Digo-o no sentido figurado já que no país deles não há mar. Digo-o porque já eram familiares alguns grãos de areia. Mas não me interpretem mal. Eles não se conheciam, habitavam espaços comuns sem se conhecerem. Por isso é que quando finalmente se falaram não foi difícil partilharem viagens e tempos. Tinham sempre outra razão para se encontrarem que não a presença um do outro. Isto pode até parecer mau, mas deu-lhes a capacidade de juntarem grãos sem terem de aceitar a areia. Não sei se me faço entender. Se tiverem 5 pedrinhas na mão não lhe chamam areia pois não? Ao terem os mesmos espaços, os mesmos caminhos não eram obrigados a chamar nada ao que tinham na mão. Isso é a melhor maneira de aceitar a areia. Mas não significa que seja fácil.&lt;br /&gt;Se já estiveram na praia deitados com roupa normal aperceberam-se que a areia se mete em todo lado. Ai reside o seu principal problema. Claro que gostamos de sentir a areia nos pés mas se encontramos uns grãos no pescoço já não achamos tanta piada. E foi ao sentir a areia onde não queria que Tereza se afastou. Tomáš sem saber estava a por areia onde não podia. Felizmente não se aperceberam que habitavam os mesmos caminhos. Foi então que o caminho os voltou a juntar e a deixar grãos nos seus sapatos quando iam para casa. Ambos fingiam que não sentiam nada, mas o andar tornou-se impossível. Tereza começou a habituar-se ao calor da sua sombra, Tomáš já não vivia sem o sorriso dela. &lt;br /&gt;E grão a grão foram construindo o seu amor. Sempre sem pressas e observando cada pedra nova com a mesma curiosidade com que olharam a primeira. Até que chegou a pedra de uma casa juntos, a de uma vida juntos, até a pedrinha branca e dourada. Chegou uma pedrinha chamada Táňa e uma chamada Petr. E se me perguntarem a mim eu acho que vem outra pedrinha a caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7179580836906093576?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7179580836906093576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7179580836906093576' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7179580836906093576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7179580836906093576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/areia.html' title='Areia'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4193247717170835947</id><published>2007-03-16T11:51:00.000Z</published><updated>2007-03-16T13:04:49.562Z</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>Se não me engano estão agora a pensar na expressão "Claro como água."Não podiam estar mais certos. Sorrio. A água é assim mesmo. Se pedirem a um miúdo de 5 anos que vos descreva o que é a água duvido que ele use muito mais que a própria palavra. A água é assim. Podia usar muito mais chavões bonitos como "é o bem mais precioso" mas parece-me tão desnecessário pela beleza deste amor. Parece-me também desnecessário descrever o local one se encontraram.&lt;br /&gt;A água encontra-se em qualquer lugar e corre sempre para si própria. Fonte, ribeiros,rios,mar. Seja onde for ela encontra-se. Também me parece que assim seria com Silje e Alessandro. Não importa muito como ou onde se conheceram. Eram 2 gotas de àgua num oceano de gente. Apaixonaram-se e aprenderam a nadarem juntos. Tão natural quanto se pode ser. A harmonia que deles exalava era inquestionavel. Os amigos pensaram o mesmo que vocês no inicio do texto: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Claro como água&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A felicidade de ambos juntos soava como aquelas fontes e jardim no verão. A relacção deles era transparente e toda a gente olhava sem medo. Tanto Silje anunciava o seu sorriso como Alessandro afirmava o seu olhar. O mais engraçado é que ambos sabiam que o ciclo ia volatar e afasta-los de novo. Apesar do nome vos ter indicado ainda não tinha dito que Silje era estrangeira no pais de Alessandro. Ela tinha de voltar e ambos o sabiam. Como se sabe que a água evapora. E eventualmente o sol chegou para ela. É engraçado como desejamos sempre o sol mas como ele às vezes se pode tornar incómodo quando nos abrasa. Acho que a Silje pensou o mesmo. &lt;br /&gt;Mas na distância eles voltaram a provar de que era feito o seu amor. Mantendo-se imutável a ligação de ambos apesar de ela chover mais a norte ela mantinha sempre os olhos no mar. Através de infiltrações e grandes rios o sal mantinha-se agarrado a ela, como prova que o mar nunca se lhe arredaria do espirito. Alessandro nunca hesitou em afirmar que o mar não era mar sem aquela gota, e que apesar de ele ter ficado, o mar era o conjunto dele e de Silje. Mais nada importava. Nem sequer quem o sol puxou. Como nota pessoal e abusando das metáforas, digo-vos sem medo, sabe mesmo bem beber o amor deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4193247717170835947?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4193247717170835947/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4193247717170835947' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4193247717170835947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4193247717170835947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/gua.html' title='Água'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1907851397404052664</id><published>2007-03-07T13:40:00.000Z</published><updated>2007-03-12T22:38:02.337Z</updated><title type='text'>Borracha</title><content type='html'>Soa esquisito este. A borracha soa demasiado impura, demasiado vulgar para ser amor. É o que anda no fundo dos nossos pés, nos negros pneus dos carros, é o que usamos para apagar o que está errado. Comecemos por ai.&lt;br /&gt;Brad surgiu para apagar uma paixão errada. Como todas as de Helen. As paixões. Ela sempre foi de mil e uma paixões e despaixões. O problema é que desta vez apagou mais do que queria. Já explico.&lt;br /&gt;Brad era o rapaz que toda a gente queria, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pretty-boy, jock&lt;/span&gt;, e ainda inteligente. Helen, não se pode dizer que fosse feia e nunca teve um C na vida dela. Parece na maneira como eu descrevo que foram feitos um para o outro, mas não era bem assim. Apesar de parecer assim, isto é antes de adicionarmos ao quadro as roupas e as expressões e o cenário. Percebem o que eu digo? Pronto. Era assim. Até que o Brad se apaixonou por ela. Tempos engraçados esses, ela a trata-lo como outra qualquer paixão frustrada dela e ele a esculpir-lhe tronos no gelo que ela lhe atirava.  O que ele conseguiu fazer foi apagar nela esse branco e essa apatia que ela vivia. Então, bocadinho por bocadinho ela foi-se desfazendo e sendo parte com ele. Formaram um novo conjunto inseparável. Separável mas sempre unido. Como a borracha dos elásticos.Cada um foi para universidades diferentes.  Largaram em distância mas mantinham sempre aquele amor. O problema foi que nunca o quiseram reconhecer como tal. Esquivavam-se dobrando-se e contorcendo-se como só a borracha confere. Nem nunca assumiram que eram alguém na vida um do outro. É engraçado para mim dizer isto, porque apesar de os saber assim também os sei juntos. E sei que apesar dessas distancias e de se apagarem as identidades um do outro por viverem em conjunto, serão sempre postos juntos por aquilo que para sempre os unirá. A borracha. Se se vão apagar completamente ou se vão encontrar o verdadeiro nome para o que os puxa um para o outro, isso já não posso contar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1907851397404052664?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1907851397404052664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1907851397404052664' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1907851397404052664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1907851397404052664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/borracha.html' title='Borracha'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1815806701000059198</id><published>2007-03-07T12:03:00.000Z</published><updated>2007-03-07T12:06:11.971Z</updated><title type='text'>Terra</title><content type='html'>Dolores desenhava a sua vida, sempre a caneta. Sem precisar de corrigir nada, porque tudo o que fazia estava bem, e fazia tudo. Até chegar ao novo emprego. Tinha 23 anos se não me engano quando entrou para a Latinair e logo para cima de muita gente. Como sempre havia sucedido não teve medo e entrou a ganhar, como se o plano dela também resultasse aqui. Havia resultado no ballet, no violino, na escola e na faculdade. Empenho e dedicação e tinha tudo o que queria. Sempre nessa confiança começou sem perceber que tudo o que caminhava era em círculo, e sem saber foi percorrendo uma espiral que a afundava cada vez mais na solidão. Acho que todos os amigos se esqueceram dela porque sempre fora bem sucedida.&lt;br /&gt;Pablo fazia na Latinair aquilo que a experiência lhe ensinara a fazer, nada de cursos bonitinhos, ou notas brilhantes, apenas o que a vida lhe martelara na cabeça. Mas era feliz assim, tinha as sextas-feiras de amigos, os domingos de família. Sem grandes ambições. Nunca soube bem como é que se chegaram a misturar estas vidas, mas encaixaram perfeitamente. Gosto de os ver como a terra onde o amor decidiu crescer não se sabe bem como. Terra de papoilas. Eles são assim, não se percebe nem se questiona, vê-se e admira-se. Um amor quente e gelado dependendo da posição do sol, mas que é sólido e confortável. Pablo ganhou ambição e é já gestor. Dolores foi puxada para longe do abismo por ele e chegou a directora geral. Ainda não têm filhos, nem perspectiva deles mas eu passo a vida a dizer: "Se for menina, tem que se chamar papoila!". Eles riem-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1815806701000059198?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1815806701000059198/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1815806701000059198' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1815806701000059198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1815806701000059198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/terra.html' title='Terra'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-931011884793148880</id><published>2007-03-06T18:15:00.000Z</published><updated>2007-03-06T18:15:29.887Z</updated><title type='text'>Vidro</title><content type='html'>Esta forma de amor é engraçada. Eu devia ser proibido de falar deste amor. Gosto de vidro partido, acreditem ou não, gosto mais dele assim do que direitinho. Mas direitinho também é bonito, o mundo gosta mais dele assim.&lt;br /&gt;O mundo nunca importara muito para Vadim, porque sempre se achara indiferente a ele. Era mais no seu pensamento. Conhecera Nika ainda ela era menor. O ridiculo do proverbio "O amor não escolhe idades" é bem claro no movimento de nariz que a maioria das pessoas tem quando ele envolve a diferença de idade que separa a maioridade. Ele tinha 21 acho, ela 16 ou 17. Parece-me que em poucos casos se sinta amor com essa idade. Nem eu sei se ela sentia, mas pelo menos dispôs-se a cultivá-lo. &lt;br /&gt;Não eram o que se costuma chamar de casal perfeito. Não tinham grande coisa em comum a não ser o enorme sentimento que os unia. Toda a gente olhava para lá e não via nada, como o vidro se for limpinho. O amor de vidro é assim, só se nota se tiver sujo. Mas eles estiveram limpos muito tempo. Viviam felizes no seu amor, a diferença de idades de ambos fazia com que os amigos não fossem comuns e por isso o amor se centrava só nos dois. Nika ainda estudava, Vadim também, mas à noite enquanto trabalhava de dia. Mas arranjavam sempre tempo de estarem juntos, fazendo dos horários puzzles que montavam habilmente com a força da prática. &lt;br /&gt;Até que pela primeira vez o vidro quebrou. Partiu-se mas sem se estilhaçar. É este o problema do vidro, parte-se facilmente.  Partiram-no juntos, porque estava demasiado sujo, e enquanto puxavam de um lado para o outro para lhe verem melhor a sujidade partiram-no. Nika encontrou outro homem, da sua idade, com mais coisas em comum. Vadim guardou o seu pedaço de vidro com carinho. Mantinham o contacto, mantinham o jogo do puzzle, e o vidro, talvez com as lágrimas da infelicidade de ambos, foi-se lavando, e ficando mais claro. Até que Nika percebeu que o vidro pode ser refundido e de novo colado. Aprenderam então a colar e a limpar melhor. &lt;br /&gt;Sorrio com este amor. Porque apesar de ser o mais transparente, é também o mais frágil. Mas a fragilidade também une. Que o digam a Nika e o Vadim que depois de partirem e colarem tantas vezes o seu amor aprenderam a limpá-lo melhor que nunca. Mas isso não significa que não parta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-931011884793148880?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/931011884793148880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=931011884793148880' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/931011884793148880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/931011884793148880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/vidro.html' title='Vidro'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4508979160734891377</id><published>2007-03-06T15:28:00.000Z</published><updated>2007-03-06T15:02:45.210Z</updated><title type='text'>Ferro</title><content type='html'>Frio mas forte.  Acho que todos nos habituamos ao fogo associado ao amor. Os mais perspicazes associam-no à paixão. Pois a temperatura é uma analogia fácil, bem como a dureza. Conto-vos a primeira história.&lt;br /&gt;Não sei como se conheceram, mas aprenderam a viver juntos antes de aprenderem o sentimento. Tinham já a presença do outro bem cravada no corpo antes de se cravarem os nomes. Zhou e Yun.&lt;br /&gt;Partilhavam o caminho para a escola até ao dia de enverdarem por outros estudos no caso de Yun, ou pelo trabalho no caso de Zhou. Só aí se aperceberam que precisavam da presença constante. Mas ainda lhe chamavam amizade.&lt;br /&gt;Yun nunca entrava em casa vinda da Escola Técnica que não passasse na loja onde trabalhava Zhou. A loja pertencera em tempos ao seu avô, e agora, depois de ter sido comprada por uma grande cadeia, recebia a ironia de bom grado e empregou Zhou facilmente ao aperceber-se que ele conhecia toda a clientela, além dos cantos à casa. A cliente mais regular era agora Yun, que entupia sempre a entrada com a sua grande capa de cartão cheia de esquissos e projectos. Foi precisamente quando a cara de Zhou começou a aparecer por todo o lado no bloco de desenho que Yun se apercebeu que afinal a amizade começava a substituir as últimas letras por duas novas e maiores. Ele já se apercebera. Mas para ele não precisava que houvesse um único toque para ser uma relação. Não precisavam de se chamar um casal se já eram à muito tempo.&lt;br /&gt;Casaram na Lua Nova de Maio ignorando por completo os rituais e tradições. A vida a dois surgiu tão naturalmente que nunca precisaram de se afirmar nem a amigos nem a familia. Quando se olha para o quotidiano deles é raro encontrar um momento em que se toquem. Nunca os vi dar um único beijo. Acho que se habituaram a esse estar sem precisarem do calor fisico, preferindo o brilho. As discussões deles são tão frequentes como as carícias. Um amor de ferro trazem ambos ao peito. Não que isso seja sinónimo de menor intensidade de sentimento, apenas uma maneira diferente de amar. Um amar de ferro, na mais pura das suas formas, se ponta de ferrugem, o principal problema desta composição do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4508979160734891377?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4508979160734891377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4508979160734891377' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4508979160734891377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4508979160734891377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/ferro.html' title='Ferro'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7340388424964230573</id><published>2007-03-06T14:29:00.000Z</published><updated>2007-03-06T14:37:11.388Z</updated><title type='text'>7 Materiais de Amor</title><content type='html'>De que é feito o amor?&lt;br /&gt;O meu nome é Laska e vou mostrar como o amor pode ser feito de 7 materiais, que se combinam ou que só por si constroem os corações redondinhos e vermelhos. Trago-vos sete amores que encontrei pelo mundo, sete construções na mais simples e complexa das formas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7340388424964230573?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7340388424964230573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7340388424964230573' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7340388424964230573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7340388424964230573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/03/7-materiais-de-amor.html' title='7 Materiais de Amor'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-4819849270911800553</id><published>2007-02-14T15:13:00.000Z</published><updated>2007-02-14T16:25:43.301Z</updated><title type='text'>Amar apenas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Parece um bocado redutor eu sei. Talvez se o ouvissem através da minha voz, gasta do tempo com aquela gravidade que só a idade traz, entendessem melhor. O amor evolui assim com a idade. Ou talvez tenha evoluído comigo. Agora não consigo perceber. Alias, acho que era impossível perceber. Porque nós só vivemos a nossa vida, só vivemos os nossos amores. Sorrio hoje aquela ideia vã e demasiadamente romântica de que amor só há um na vida. Desculpem-me se me alongo em devaneios mas a idade permite-mo.&lt;br /&gt;E aí está, já viram como uso a idade para tudo o que me apetece? Até para o amor. Parece-me que ela, a idade, está acima do amor nisso dos conceitos que desculpam tudo. Mas o amor é mais universal e mais usado. Sempre aquela desculpa, do é amor, foi por amor, o amor move montanhas. É uma capa. Viram como eu usei a idade? Eu posso dizer, o mundo é uma enorme parvoíce, e vocês até consideram isso se eu disser, a idade mo ensinou. O amor é igual. Triste, triste o uso do amor nos dias de hoje.&lt;br /&gt;Agora um contra, estão a começar a aperceber-se de outro factor que se sobrepõe à idade e ao amor, a desilusão. Vêem-me desiludido. Pois eu digo, usem esses óculos se quiserem, mas o que vos digo não é de quem está desiludido. Tenho na minha mão o nome da minha mulher envolvendo-me o anelar à 48 anos. O maior amor é dela. Mas nunca foi o único. Houve mais antes do dela, e houve depois. Sorrio com o esgar de pensamento. Largo-me agora do vestido de "avô" porque disse isto. Já não me conseguem imaginar com uma mantinha nas pernas. E eu sorrio por isso. Tudo o que eu diga a seguir pode estilhaçar ou recuperar essa imagem.&lt;br /&gt;Filhos. Percebem? O que disse foi o que queriam no fundo que fosse verdade e que recupera a imagem mais fácil do amor. Mas não. Nunca tive filhos, por muito que os tenha desejado.&lt;br /&gt;Já chega de devaneios. Amo hoje com 73 anos, e amei durante grande parte desse tempo. A minha mulher amei-a durante 42 anos, com dificuldades e alegrias. Fui feliz e fui amado. Ela partiu, e o preto que vestia não era nada comparado com o que me enegrecia a alma. Mas aí é que está tudo. O amor existe pronto, não é preciso rosas e velas para que exista. Hoje amo outra vez. Outra mulher. Outro amor. Amar apenas porque assim vivo, amar apenas que é o que sabemos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-4819849270911800553?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/4819849270911800553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=4819849270911800553' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4819849270911800553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/4819849270911800553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-apenas.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; apenas'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6296293700750719470</id><published>2007-02-13T16:03:00.000Z</published><updated>2007-02-13T16:45:06.602Z</updated><title type='text'>Amar sequer</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se calhar sou eu. Se calhar a minha ideia de amor ainda é a dos corações e príncipes que me salvam do dragão. Eu sei que é ridículo, e claro que eu não espero que me salvem do dragão. Ninguém me salva sequer de um domingo fechada em casa. Mas às vezes podia. Tenho 37 anos, um gato e um T2 com um quarto vazio. Tão vazio como eu. Acho que no liceu já esta procura da perfeição do amor me impedia de não ser só. Eu chamo-lhe perfeição engraçado. Desde ai que nunca me deixei enlaçar por ninguém por achar que o sentimento não era aquele. Acho que nunca dei mais que dez beijos a ninguém. Pena é o que te escorregou direito ao coração. Aposto que te saiu "Coitada" da boca. Não isso que falo. A complacência é o que me atiram à mesa em almoços de família e jantares de amigas. Já nem sei se as tenho.&lt;br /&gt;Lembro-me muitas vezes do Bernardo. Esse deve-me ter arrancado uns nove. Noite numa discoteca, daquelas que se enchem de gente que já não dança, só olha e comenta. Sorrisos, e flirt, muito flirt. Bebidas e gargalhadas.&lt;i&gt; Tinha os olhos verdes. &lt;/i&gt;Lembro-me que me veio trazer a casa, e que ele se fez notoriamente interessando em subir os 9 andares do meu prédio, mas não estava num cavalo branco. Solto uma gargalhada. Não há muito tempo já.&lt;br /&gt;O cavalo branco dá-me espaço para contar aquilo que quero dizer. A perfeição disse eu lá atrás, ou acima, &lt;i&gt;já não faz muita diferença&lt;/i&gt;. Convenci-me que era isso que eu buscava. Que era a pureza e perfeição que ambicionava. Que tudo o que me agradava num homem era a perfeição que não via. Estou-me a repetir. &lt;i&gt;Que se foda!&lt;/i&gt; Já não me importa. Agora e enquanto o coelho branco me chama apercebo-me que tudo o que eu procurava é um naipe de cartas, é um boneco de plástico, é um reclame de São Valentim. Foram as caixas de cereais e as pipocas do cinema, as montras de perfumarias, e sei lá já que mais. Foram eles que me ensinaram assim. Eu acreditei. Foi a cinderela! Foram todas essas que destruíram o coração em criança. Não falta muito tempo.&lt;br /&gt;Tomei à meia hora os comprimidos para amar. &lt;i&gt;Que divertido soa agora&lt;/i&gt;! Parece que posso ver um reclame a anuncia-las no cartaz em frente à paragem lá de baixo. Já não paro de rir. A culpa é do coelho de óculos e de chapéu. É tão engraçado... Vai-me levar, vai-me levar para lá para baixo, onde há príncipes solteiros, vestidos de azul e vermelho. Azul.... Vermelho. Já vou.... Já ouço o amor gritar-me aos ouvidos... o amor sequer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6296293700750719470?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6296293700750719470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6296293700750719470' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6296293700750719470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6296293700750719470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-sequer.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; sequer'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8525776871028070899</id><published>2007-02-12T13:56:00.000Z</published><updated>2007-02-12T14:57:21.803Z</updated><title type='text'>Amar tudo</title><content type='html'>Ainda tenho guardado sorriso daquele dia. Toda a gente me gritava que não me podia atirar assim. Que ainda o conhecia há pouco tempo, que as coisas têm tempo. Não quis saber. O mundo parece tão pequenino quando quem nos dá a mão é gigante. Ouvia os ralhetes e recomendações e sorria as respostas sem me importar. Comentários, bocas menos próprias, apelos. Nada tocava o sorriso que ele deixava lá. A minha família batia na tenra idade, no emprego pouco estável, na verde relação. As minhas amigas na história dele, nas histórias de divórcio, nas histórias de vida fechada em casa a tomar conta dos filhos. Os meus amigos atiravam piadas sobre a traição, a monotonia e o "amarrar".&lt;br /&gt;Lembro-me bem melhor das flores na igreja do que dos comentários deles. Nesse dia toda a gente sorria mais. Já estava feito e era inevitável. Recordo-me do sabor do beijo. Da festa e da alegria que explodia em mim. Explodia mesmo, não era aquela euforia, mas a alegria bestial sem medos ou preocupações. O dia mais importante da minha vida. Foi assim que o rotulei dias antes e durante dias depois. Era tudo mais novo ainda que o vestido e o novo círculo dourado que me cobria a mão. O acordar, o jantar e o viver. Habitar a mesma cama, a mesma casa e a mesma casa-de-banho. Sorrir mesmo enquanto lavava os dentes. Dormir no calor, acordar no calor. Adormecer no sofá com 23 anos e ir para cama com 5, carregada e coberta por ele. Amanhecer com torradas e café. O belo novo. E tê-lo mesmo. Ele ser meu. O seu sorriso e tudo. Amar-lhe tudo. Dos pés à cabeça, do riso à lágrima, dos carinhos às discussões. Era tudo meu. Tudo.&lt;br /&gt;Pelo menos assim julguei. E tomei-o como meu. Tive-lhe a certeza e deixei de me agarrar. Vivia despreocupada e deixei de me preocupar. Vivia segura e deixei de o puxar. Tudo tem que se renovar, tudo. Até o amor. Tomei o casamento por um contrato de amor vitalício e deixei de amar. Sem amor. Sem a luz do amor, ele perdeu a capacidade de distinguir a minha frente das costas. Perdeu-se no escuro delas, no escuro da minha indiferença. Perdi o amor. O amar já tinha eu perdido. Perdi tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8525776871028070899?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8525776871028070899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8525776871028070899' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8525776871028070899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8525776871028070899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-tudo.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; tudo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5052273794277197696</id><published>2007-02-11T19:15:00.000Z</published><updated>2007-02-11T19:19:44.521Z</updated><title type='text'>Amar como?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde sempre foi assim a dois. Nunca fomos de grandes números. Dois quartos, dois pratos na mesa, dois.  Nem avós nem primos nem sequer irmãos. Só eu e ela.   E a minha mãe. Nunca tive outra vida por isso não a sei melhor ou pior. Soube-as assim e fui feliz assim. Tenho avós e primos mas nunca se acercaram. Só quando comecei a usar os óculos da idade é que percebi que tinha a ver com o facto de sermos dois.   Que eles não se aproximavam, digo. Famílias às direitas, percebem o que digo? Nunca fomos de direitas, eu e a minha mãe. Fomos de todo o lado, felizes em todo o lado. Saltamos de casas, saltamos de trabalhos da minha mãe e de escolas. Mas éramos felizes assim a saltar. Deu-me a vida toda. Escola e assim. Faculdade, curso, psicologia. Deu-me liberdade, responsabilidade e felicidade. Sorrisos com sorrisos. Nunca vi a minha mãe chorar, e acredito que deva ter chorado a sua vida de infortúnios. Mas ela nunca me mostrou, a mim ou a alguém.&lt;br /&gt;Já trabalhava. Vivia ainda com a minha mãe, na casa que começamos os dois a pagar. Quarto andar num lugar tranquilo e cheio de passeios para fugirmos à noite. Precisamente no passeio em frente à minha casa. Uma árvore  ainda demasiado jovem era segura por um pau forte. Mais forte do que eu julgava. Ele encostara-se lá, o cigarro encostado à sua boca, o fumo misturado com o nevoeiro. Era um lugar sossegado, como já disse, e o aspecto dele não se ambientava nada ao passeio. Por isso logo o estranhei. Falou-me quando me aproximei. Não sei como me reconheceu, e não sei o que disse porque estava ocupado a reconhecê-lo a ele. Não poderia. "A tua mãe disse que esperasse cá em baixo." Com a palavra mãe o meu coração tremeu. Se esta figura não se enquadrava no passeio, não era de todo agradável a presença dele com a minha mãe. Agarrei as chaves com mais força. Agora as suas palavras caiam-me com latência na cabeça. Não me recordo das palavras, mas lembro a dor em crescendo com elas até culminar na palavra "Pai". Aí o meu estômago deu uma volta, as mãos cerraram-se em si completamente e o meu rosto carregou-se. Éramos dois. "Talvez pudessemos começar tudo de novo".&lt;br /&gt;Então ri-me. Ri-me mesmo, e no fim do riso e perante a total falta de acção dele disse-lhe "Como?". Era impossível, nunca poderíamos ser 3.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5052273794277197696?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5052273794277197696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5052273794277197696' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5052273794277197696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5052273794277197696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-como.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; como?'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5067712247417547144</id><published>2007-02-10T15:37:00.000Z</published><updated>2007-02-10T16:24:36.510Z</updated><title type='text'>Amar debalde</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Também eu pensava que isto não existia. Debalde. Não a palavra. Por essa nutro um carinho de descoberta por folhear um dicionário. Em vão. Amar em vão. Pensava que não existia. Pensava que o amor era para toda a vida, que se fazia a dois e nunca poderia ser em vão. Vão, inútil. Naqueles dias de sol em que os meus olhos fogem para o mar penso se não terá sido a minha dor a fazê-lo assim, se não será o meu ressentimento que torna tudo tão negro e desagradável visto daqui.&lt;br /&gt;Tínhamos amigos em comum. Era assim. Saíamos em conjunto, dois beijinhos e olás. Começaram a nascer sorrisos e vergonhas. Os nossos amigos começaram a reparar e a gostar. Nós começamos a gostar. Começamos a sair mais vezes, a juntar palavras aos olás. A falar só um para o outro, e as semanas começaram a ficar mais longas. Sábados alegrias. Sorrisos, gargalhadas. Até que um dia a voz dele surgiu no telefone. Dois bilhetes para o teatro, teatro a dois. O escuro tornou-nos confortáveis e a mão dele procurou a minha. Sorriso abrasador quando a personagem principal gritava de lágrimas. Nessa noite, pela primeira vez antes de sair do carro dele senti-lhe o olhar quente nos meus olhos. Demasiado quente. Ardente. Como nos filmes. Segundo encontro a sós trouxe rosas e beijos de despedida. Vermelhos, as rosas e os beijos.&lt;br /&gt;E continuamos no vermelho, ele envolvia-nos e dava-nos mais e mais calor. Felicidade, alegria e saudade. Começamos a chamar-lhe relação. Parece-me tão dura esta palavra agora. A segurança dessa mesma relação e das três décadas levaram-nos para a mesma casa. Erro. Eu amava já. Debalde. Eu sei, isto soa demasiado magoado, demasiado emocional para ser correcto. "Nenhum amor é em vão!". Mas foi, e tornou-se porque eu deixei. Comecei a perder regalias e sorrisos. Via-lhe os olhos mais fechados que abertos, a boca mais fechada em beijos do que aberta em conversas. O cair no escuro, o vermelho ficou castanho e o castanho ficou preto. Ciúmes no negro, possessivo na luz da rua. Dor e amor. Incompatíveis. Comecei a sentir-me pequena e indefesa ao lado dele. Lágrimas, lágrimas demais para ele. Gritos dele e choro compulsivo meu. Medo. Já começam a perceber o vão. Não são sinónimos mas eles enchem o vazio do amor. Medo, dor, ciúme e gritos. Deixou de haver vermelho. Até um dia. Um dia o vermelho voltou da pior forma. Vermelho salgado de lágrimas, vermelho no chão. A casa tornou-se vermelha, eu vermelha e negra. Dor para mais dor.&lt;br /&gt;O vermelho durou até vir o branco e azul. Hospital, um mês para curar o peito e o corpo. Uma vida para curar o vermelho. Milénios para curar o amor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5067712247417547144?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5067712247417547144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5067712247417547144' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5067712247417547144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5067712247417547144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-debalde.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; debalde'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8522626416656477161</id><published>2007-02-09T14:37:00.000Z</published><updated>2007-02-09T15:37:44.273Z</updated><title type='text'>Amar fora</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não me orgulho disso. Pode parecer tão hediondo que nunca me vão acreditar. Quem tem mais de 10 anos de casamento e me lê sabe que não é tão fácil como dá nos filmes. Chegar à velhice com a mantinha nos joelhos numa casa do lago e dizer "Querida, durante estes anos todos nunca te traí" é algo tão sincero como raro. Não sou o único. Claro que isto torna muito mais fácil o que vou dizer. Não digo que seja verdade ou justificação. "Toda a gente tem um caso" dizia-me o meu pai uma vez na casa de férias quando lhe contei. "Isso é só uma maneira de sabermos apreciar o que temos em casa." Mexia na lareira. Não sei se consigo imaginar o meu pai a ter alguém para além da minha mãe. Sempre pacato e de poucas palavras nunca pensei que o meu pai tivesse coragem para tal coisa. Eu tive-a.&lt;br /&gt;Não aconteceu porque quis. Procurei tanto uma relação exterior como a afastei. Aconteceu-me e deixei acontecer. Nos dois sentidos. Deixei que ela acontecesse e deixei que continuasse a acontecer. Casado há 12 anos, a 2 filhos e à habituação ao quotidiano. Uma noite de copos com os amigos. &lt;i&gt;How typical.&lt;/i&gt; Acabaram todos muito bêbados muito depressa. Eu também. Sei como nos conhecemos por ela mo confessar no leito de amor depois. E aconteceu assim. Fomos e sentimos. Ela não pareceu importar-se com a minha saída repentina a meio da noite. Chamadas e mensagens depois. Primeiro encontro sóbrio com dificuldade. Tinha medo e respeito pelo casamento. Mas a sua memória era-me tão boa. E aconteceu. Jantar num restaurante longe da cidade. Café e cama. Repetiu-se e começou a crescer algo em mim. Em vez de apreciar o que tinha em casa começava a esquecer. Encontros amontoavam-se e a pouca presença em casa começava a notar-se. Viagens de negócios, serões e afins. Traz-me dor agora que penso nisso. A palavra divórcio começava a dançar na minha consciência. Impossível, família, sociedade emprego. Uma amante é normal, divórcio e casamento não. Triste sociedade.&lt;br /&gt;Continuei assim, amei-a sim. Mais que a minha mulher admito, mas sou um fraco nunca fui capaz de me divorciar. Nem de contar á minha mulher. Ela era indiferente nesta altura. Mas a situação tinha que acabar, o amor reprimido e a culpa começavam a angustiar-me. 2 anos e começava a ser demais. Ninguém me sabia aconselhar, nem o meu próprio pai.&lt;br /&gt;Até que tomei uma decisão. Erradamente, como tudo que fiz. E tomei uma atitude. E agora pesa-me. O amor dela nunca mais o vou ter. O amor da minha mulher e dos meus filhos não sei. Só o saberei daqui a 7 anos. Quando poder amar outra vez. Sem algemas e sem grades.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8522626416656477161?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8522626416656477161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8522626416656477161' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8522626416656477161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8522626416656477161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-fora.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; fora'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-3140914615781443295</id><published>2007-02-08T11:09:00.000Z</published><updated>2007-02-08T11:10:58.223Z</updated><title type='text'>Amar cedo</title><content type='html'>Pois foi. Cada vez tenho mais certeza disso. Foi cedo. Com 15 anos não se sabe amar. Mas eu quis. 10º ano. Escola fresquinha e sinal de idade adulta.  Lembro-me da primeira vez que o vi. Olhos tímidos, sorriso traquina, as calças largas que me apaixonavam na altura.  Os nossos nomes juntaram-nos. Quando disseram que iamos ficar por ordem alfabética pensei que me fosse calhar um traste qualquer, daqueles que chateia mais que ajuda. Mas adorei quando ouvi o meu Rita  a seguir ao Ricardo dele. Chamem-lhe sexto sentido, chamem-lhe romanticismo barato, mas tive a certeza naquele momento que os nossos nomes  iam ficar juntos bem mais do que naquela mesa.&lt;br /&gt;E não foi preciso muito para andarem juntos em corações na última página de cadernos. Nesta altura vocês estão a pensar, "Ai que saudades das paixões da adolescência", pois também eu tenho saudades. Sorrio tanto a pensar nisso. Lembro-me daquelas pequenas coisas que fazia o coração disparar por nada. Chegar ao intervalo e ir a correr contar à Joana que ele tinha usado a minha caneta! Nem sei o que é feito dela. Devem pensar que eu não sei dar títulos. Isto não era amor. De todo. Numa noite mágica de uma festa na escola ele beijou-me. E cresceu dai. Fomos usando as mãos dadas, e usando o sorriso um do outro. Fomos crescendo em conjunto nesse ano de que mal me lembro o que se passou a não ser ele. Cartas, saudades, e prendas. Dia dos Namorados. Pela primeira vez senti-me adulta nesse dia. Chocolates, cinema. Não me lembro do filme mas devia ser uma comédia pirosa. Também ao que o devo ter visto. Por esta altura sempre que tinhamos o escuro do nosso lado aproveitavamo-lo em beijos e amassos. Sorrio com o uso desta palavra. Mas era mesmo isso. Começou tudo a evoluir, e então já com os meus 16 anos orgulhosamente ditos a toda a gente tomamos o último rumo.&lt;br /&gt;Era Verão já e como sempre os meus pais não estavam em casa durante o dia. Saímos da escola sem almoçar e viemos directos para minha casa, aproveitando a sexta-feira livre.  A porta do quarto fechada à chave. As roupas no chão rápido de mais. A urgência do sentir. O olvidar das precauções. Primeira vez, rápida e desenfreada.  Mal me lembro. Continua sem ser amor, dizem vocês. Pois, esse estava para crescer.&lt;br /&gt;Férias. Longas e sem um beijo. Regresso às aulas sem Ricardo na chamada. Não havia télemoveis nessa altura. Para meu sofrimento. E acabou assim. Nunca mais o vi, nem quis ver.&lt;br /&gt;O amor? Esse nasceu em Fevereiro, no dia dos Namorados. Atirada para a idade adulta de vez. O amor, cedo de mais no meu colo. Cedo, mas o amor da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-3140914615781443295?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/3140914615781443295/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=3140914615781443295' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3140914615781443295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3140914615781443295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/amar-cedo.html' title='&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;Amar&lt;/span&gt; cedo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5842504753105951918</id><published>2007-02-05T21:01:00.000Z</published><updated>2007-02-05T23:01:17.406Z</updated><title type='text'>7</title><content type='html'>O tecto do meu quarto mostra-me só a a tua imagem. Está pintado de branco mas a tu torna-lo no mais sujo dos cinzentos com a tua pele alva.  Sorris-me e eu sorrio contigo. Felicidade. Agora que a noite te afastou queimas-me o peito como se me faltasse o teu calor. E falta-me. Sinto meu corpo doer por o teu toque ter levado consigo a minha pele.  Habita-me o teu cheiro mas o meu corpo desmaia pelo teu calor. Explode no ar mostra-me os 7 quilómetros que nos separam. Corria-os agora se soubesse que o teu beijo me podesse esperar.  7 anos ao teu lado não seriam suficientes para te poder largar um segundo sem o coração  gritar a tua ausência. Grita-me mas bate também com força por te saber em mim. Corre nas minhas veias o licor que vem da tua boca e me embriaga sem pedir. E sinto-me em ressaca por não mais te beber. Por não me encheres a respiração tanto quanto eu queria.  Choro-te a ausência hoje mas já sorri tanto a felicidade. Mostraste-me hoje mais 7 maneiras novas de te sorrir. Ensinaste-me de novo que a felicidade é o infinito. E passas a vida a mostrar-me que para lá deste infito há mais e mais. Aprendo contigo a cada dia que mais um passo significa mais um nível de felicidade e mais um carimbo no nosso amor. Já andamos 7  passos  neste caminho juntos e espero mais mil, mas um milhão, para que a minha felicidade aprenda também ela a dizer que te ama.  Tanto como eu te digo. Tanto como eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;*Miluji tě.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5842504753105951918?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5842504753105951918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5842504753105951918' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5842504753105951918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5842504753105951918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/7.html' title='7'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6366384184004526214</id><published>2007-02-02T19:24:00.000Z</published><updated>2007-02-02T19:42:12.351Z</updated><title type='text'>Música de Filme [Toranja]</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dentro de mim&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estás dentro de mim.  &lt;/span&gt;Tentei. Gritei-te para que saisses. Vesti-me da ira, enchi-me do ódio. Mas não consigo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dentro de mim.  &lt;/span&gt;Não te consgio tirar de cá e não te quero tirar. As lágrimas caem no piano e estilhaçam-se. Pensei ter conseguido. Tirar-te de mim. Mas não. É mentira e não concebo mais isto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É pena quase não poder ficar, és quente quando a luz te trás.  &lt;/span&gt;Se ela te trouxesse mais vezes. O frio não me consumiria tanto. Mas aceito-o agora. Perdido no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;silêncio &lt;/span&gt;vejo a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lua&lt;/span&gt; entrar-me em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;casa, &lt;/span&gt;e espalhar-se no chão.  Sozinho no mundo. Sinto que tudo parou no escuro. Já nada vejo. Para quê ver? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sempre sou mais um homem, mais humano, mais um fraco.  &lt;/span&gt;Nada me vai tornar o deus que tu queres ver. O herói. Neste mundo de vulgares. Nesta casa que o tempo deixou. Deixou-me assim.Só a lua ilumina este chão amarelecido do mundo. Estas paredes cansadas do vento parecem apertar-me mais contra mim. Sozinho.Neste mundo. Choro só. Caem as lágrimas que tocam agudos no piano. Aqui com a lua. Se ao menos me ouvisses! Se ao menos te sentasses naquela poltrona velha da sala. Gritar-te-ia: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dança em mim!&lt;/span&gt;" Mas não. Tudo está acabado. Mundo, vida e fim! É o fim. O último sopro de uma caminhada. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vamos embora daqui, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para dentro de mim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6366384184004526214?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6366384184004526214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6366384184004526214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6366384184004526214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6366384184004526214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/msica-de-filme-toranja.html' title='Música de Filme [Toranja]'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5004666542746730893</id><published>2007-02-02T17:50:00.000Z</published><updated>2007-02-02T18:41:13.603Z</updated><title type='text'>Ensaio [Toranja]</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não vês a agonia a escorrer nas paredes&lt;/span&gt;.  Não vês? Será que é possivel não veres como tudo arde em mim e escorre até ao chão. Esta agonia imensa da tua ausência.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; As portas não param de ranger&lt;/span&gt;. Gente, entra e sai. Lembra-me que não estás aqui, faz vibrar a tua lembrança na minha cabeça. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É como um corte que entra no tímpano&lt;/span&gt;. E dói, uma dor aguda que faz chiar o coração, e me estripa e enche de fúria. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não aguento o barulho de dentro&lt;/span&gt;. É insuportável. Roi e magoa e grita-se do fundo do meu peito. Alto, altíssimo. Ensurdecedor. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já não estou só eu a ouvir...&lt;/span&gt;Já toda a gente à minha volta reparou, eu bem vejo os olhos deles.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Já anda nas ruas!&lt;/span&gt; Olha-me nas ruas de lado. Marginal, sinto-os sussurrarem marginal. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já comentam por aí!&lt;/span&gt; Falam nas minhas costas, falam por todo lado. Leio-lhes nos lábios "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;qualquer coisa não está bem...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fala-se demasiado alto para quem está tão longe...&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Eu não pedi para ouvir isto. Parece que fazem de propósito. Que esperam que me doa. Atiram-me assim o que eu já ouvi gritar. Já ouvi! M&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;as não tinha que haver pedrada alguém levou por arrasto.&lt;/span&gt; Eu não precisava disto. Não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A luz continua presa ao tecto&lt;/span&gt;. Tão débil que lhe consigo ver o vermelho bem demais. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por mais que se tente tirar&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;está alta demais&lt;/span&gt;. Já peguei num banco mas mal lhe chego. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou encadeia os olhos&lt;/span&gt; e não me deixa ver onde está o vidro que a protege. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou queima quando se toca&lt;/span&gt;. Como se tudo não passasse de um esquema para me queimar. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parece que sabe queimar&lt;/span&gt;. Parece arquitectar um plano para que a ponta dos meus dedos arda tanto como o meu peito. Parece que se aproveita de ser a única fonte de luz. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parece que não tenho janelas&lt;/span&gt;. E esta luz sufoca-me. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não entra ar aqui&lt;/span&gt;. E eu já nem respiro. Já nei sei que preciso de respirar.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Tira a mão quente dos olhos. &lt;/span&gt;Que agora já não te tenho pena, nem que te escondas e me aqueças outra vez. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tira o frio da frente&lt;/span&gt;. Tira-o porque já não me importa se estou com frio. Já nem me sinto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já tenho tão pouca gente para me encontrar&lt;/span&gt;. E não te quero ver a ti outra vez. Não quero. Deixa-me. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desata-me os olhos&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desata-me a cara&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desata o meu corpo dentro do teu&lt;/span&gt;. Desaparece de uma vez por todas que já não te aguento aqui. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tira-me a voz que puseste no tempo&lt;/span&gt;. Estou farto de a mandar calar. Ela parece que não me ouve. Que não me ouve ou que não me quer ouvir. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que não está a querer desistir&lt;/span&gt;. De me magoar, de marcar em mim o sitio onde exististe. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De pisar os membros no chão&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De arrancar os braços no tecto&lt;/span&gt;. Os braços que formavam o abraço. Quando nos apertávamos tanto que nem nos sabia distinguir. E já não sei agora. Estás tão entranhada na minha carne que já te sou.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tira-me de mim.&lt;/span&gt; Arranca-me do meu corpo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vá&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tira-me de mim. &lt;/span&gt;Larga de mim o meu cheiro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vá, tira-me de mim. &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Rasga da minha cara o meu sorriso. Queima em mim o que já te é porque quero renascer das cinzas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova...! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5004666542746730893?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5004666542746730893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5004666542746730893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5004666542746730893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5004666542746730893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/ensaio-toranja.html' title='Ensaio [Toranja]'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8890422285846176233</id><published>2007-02-02T17:24:00.000Z</published><updated>2007-02-02T17:39:26.021Z</updated><title type='text'>Contos [Toranja]</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não posso ser só eu. &lt;/span&gt;Não posso. Nem vou ser. Não penses que eu venho assim num cavalo e te dou o amor dentro de um coração. Não é assim que se faz. Isso é só nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contos de embalar&lt;/span&gt;. Vais ter que ser muito mais do que isso. Vais ter de construir esse amor. E &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não posso ser só eu a dar sentido à razão.  &lt;/span&gt;Alheares-te desse mundo que vives e em que esperas o meu sentimento sem dar nada. O a dares essa paixão que se consome e não produz. Que arde mas queima mais que aquece. A paixão não chega, porque aparece e desaparece e não se preocupa com o rasto de migalhas que deixa no meu peito. Elas podem desaparecer e depois não sabes voltar. Perdida num mundo de lobos maus e bruxas podes não voltar.  Tens de ser tu.  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tens que escrever quem vês em mim, &lt;/span&gt;para saberes quem eu sou mesmo quando não me olhas. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vais ter que contar quanto dás por nós.&lt;/span&gt; Se me acreditas, se nos acreditas. Se merecemos o tempo que gastamos a construir-nos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vais ter que despir o que tenho a mais&lt;/span&gt;. Largar os meus defeitos no chão mas sabendo que eles existem, e que até gostas de mos ver vestidos.  Tens de me ajudar a cuidar desta flor vermelha. Com cuidado e sem demasiado calor ou frio.  Vais ver que ela cresce. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que volta a crescer por não parar.Que volta a crescer por ser maior. &lt;/span&gt;Sem mais contos de embalar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8890422285846176233?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8890422285846176233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8890422285846176233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8890422285846176233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8890422285846176233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/02/contos-toranja.html' title='Contos [Toranja]'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-1674833182240389923</id><published>2007-01-28T18:41:00.000Z</published><updated>2007-01-28T19:12:40.426Z</updated><title type='text'>Tocar a Madrugada</title><content type='html'>Abre os olhos só um bocadinho. Isso assim, e esse sorriso está perfeito. Não te mexas, quero guardar bem esta imagem na minha cabeça. Não! Ainda não está. Não é o mesmo que tirar uma fotografia. Mais como pintar um quadro, fazer uma escultura, ou até mesmo escrever a tua descrição. Porquê? Bem, primeiro tenho que te olhar, mas olhar sem o filtro vermelho. Que filtro vermelho? Ora ora, a essa não te respondo. Portanto, olho -te assim, depois reparo em tudo e anoto com o lápis ou gravo uma figurinha. Como a dobra que o sorriso deixa na tua bochecha. Depois usando o pincel toco na tinta laranja porque é ela que nos banha para pintar o teu sorriso. Assim tocada pela madrugada. Ela vem sem que nós queiramos e desenha-te a face. E tu sorris e olhas-me fazendo da tua cara a face de uma estátua que esperamos ser que acorde. Eu sei que não estás a dormir. Mas há algo nas estátuas mais bonitas que nos faz desejar que elas se movam e nos falem. Eu sei que tu falas. E por isso te pedi que ficasses quieta só um segundo. Agora já te guardei na tela que trago no peito para te ver quando quiser. Que tela? Hoje estás mesmo preguiçosa! Essa resposta vai-te custar um beijo. Um beijo. A tela não existe. Não, não te enganei, deste-me um beijo por isso vou-te mostrar a tela. Vês ali onde os primeiros raios de sol tentam romper o escuro? Estica o teu braço até lá. Claro que chegas! Fecha os olhos. Sentes o calor na ponta dos dedos? Guarda essa sensação. Sentes a comichão no peito, como se algo se movesse lá? Isso és tu a pintar a tua tela. Se também tenho a madrugada pintada na minha tela? Tenho sim. O amanhecer do teu olhar quando os teus olhos se abrem e enchem o meu peito de calor. Agora podes fechá-los e deixar que o silêncio nos embale enquanto o sol não nos acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;"Amar ou odiar, ou tudo ou nada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;o meio termo é que não pode ser.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;a alma tem que estar sobressaltada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;para o nosso barro se sentir viver."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;    Fausto Guedes Teixeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Porque o amor tem que ser acção, porque sem acção somos estátuas que não acordam. Vivam, amem.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-1674833182240389923?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/1674833182240389923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=1674833182240389923' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1674833182240389923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/1674833182240389923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/tocar-madrugada.html' title='Tocar a Madrugada'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5268986394883972567</id><published>2007-01-26T14:08:00.000Z</published><updated>2007-01-26T14:42:47.415Z</updated><title type='text'>Espalhar o Nevoeiro</title><content type='html'>Sorri comigo só um bocadinho. Olha-me só mais 5 momentos. Respira-me só este instante. Teu. O instante? Sim o instante é teu, mas referia-me a mim. Custa-me tanto às vezes largar-te e ter de enfrentar o nevoeiro sem ti. Pensavas que eu gostava do nevoeiro? Também eu. Mas não gosto mesmo dele. Gosto-o a teu lado, porque nos torna invisíveis e porque te enfeita os cabelos e as mãos. Se calhar nunca reparaste, mas quando estamos assim juntos no nevoeiro, eu chego a sussurrar um pedido ao despertador. Que pedido? Que não toque e não me acorde, porque me pareces mesmo um sonho. Não me olhes assim. Eu sei que é mau pareceres um sonho porque os sonhos só duram uma noite, e eu já não sei adormecer sem ti, mas o branco esfumaçado a rodear-te traz-me lembranças dos sonhos contigo. Ah, pois é. Queres é saber porque é que não gosto do nevoeiro. Porque quando tenho que largar a tua mão ele parece fechar-se à minha volta para te esconder e tenho medo que desapareças nele. Abraça-me. Mas pensando bem não é o nevoeiro. É a tua ausência que torna tudo tão pequeno e sem sentido. Porque tu encantas o meu mundo de tal forma que quando ele se vê um bocadinho sem ti fica mais feio. Não percebeste? Tu és os meus óculos e eu vejo mal sem eles. Pior? Quando não te tenho o mundo fica difuso e desfocado, mas quando me aqueces o olhar tudo tem mais cor e mais definição, o que torna o mundo mágico aos meus olhos. Sem ti tudo é nevoeiro, mesmo que o sol esteja a brilhar no máximo do seu calor. Porque só o calor do teu abraço dissipa a humidade do meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 51, 204);"&gt;*com a pequena ajuda do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;António&lt;/span&gt; de Rodrigo Leão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5268986394883972567?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5268986394883972567/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5268986394883972567' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5268986394883972567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5268986394883972567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/espalhar-o-nevoeiro.html' title='Espalhar o Nevoeiro'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-3919298281275170454</id><published>2007-01-25T00:12:00.000Z</published><updated>2007-01-25T01:00:58.801Z</updated><title type='text'>Tempos Adversos/Restos</title><content type='html'>&lt;i style=""&gt;Há vidros no chão. &lt;/i&gt;Ainda não abri bem os olhos mas vejo reflexos no chão. &lt;i style=""&gt;Fui eu?&lt;/i&gt; Olho as janelas no tecto. Não vejo recortes no escuro do céu. De onde virão os vidros? Esfrego os olhos e volto a abri-los. Se ao menos tivesse luz. &lt;i style=""&gt;Quem foi &lt;/i&gt;que a apagou? Respiro e fecho os olhos. Abro-os e esquadrinho o negro. Só há aquele contraste no chão. O interruptor, onde está? O sol demora? Respiro, num crescendo até me levantar. Caminho evitando o contraste do negro no chão e palpando a parede sinto o clarão bater-me nos olhos. Fechados. Lentamente vão se abrindo deixando aos poucos que os fios de luz passem pelas pestanas. &lt;i style=""&gt;Há folhas no chão.&lt;/i&gt; Escritas. Palavras amontoam entre os montes de folhas espalhados pelo chão. &lt;i style=""&gt;Há livros no chão.&lt;/i&gt; Desço ao chão outra vez. Junto a uma folha. Pouso lá os olhos. Ainda não se constroem as palavras nos meus olhos. Feridos. Estive a chorar? Porque estive a chorar? Tento outra vez, mas os vidros afinal estão nos meus olhos e impedem-me de ler. Calmamente danço com o olhar até ele se habituar ao negro das letras contra o branco. Da folha grita-se uma só frase entre todo o texto. “&lt;i style=""&gt;Lutamos em vão”.&lt;/i&gt; Fecho os olhos e respiro. Percebo tudo agora. Os vidros são afinal os pedaços que o meu coração largou sobre o chão. &lt;i style=""&gt;São restos de nós. &lt;/i&gt;Levanto-me, vou ao encontro da porta. Andar. &lt;i style=""&gt;Claro que temos que andar!&lt;/i&gt; Tudo se entende agora. Abro a porta e a outra. Vejo a estrada. Os meus percorrem-na. Correm-na. Para longe de ti desta vez. Para fora de ti desta vez. As tuas palavras ecoando-me agora ao ouvido, as palavras que diziam que nada é eterno, &lt;i style=""&gt;que um dia a história acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem não quis saber tirou a mão e partiu. Deu o que não tinha para levar. Fechei o corpo e fugi&lt;/span&gt;. Ainda não sei para onde, ainda não sei porquê. Mas o meu interior ainda arde. Labaredas laranja consomem o meu interior ainda que não se vejam do meu exterior de fora. Sou uma sombra do que era. Ninguém quis saber, toda a gente tirou a mão, deram o que não tinham. Levaram-me e eu fugi. Levaste-me. Há um resto de nós aqui. Há restos de nós no fogo. Mas o teu sorriso ainda vai arder. Porque é enorme e queima devagar. A esta distancia. Queima mas já aqueceu. Quiseste-me saber sem restrições, quiseste saber-te dona de mim. Já não és, nem nunca foste. Os dias amontoam-se sobre esta minha fuga. Não vou voltar porque já nem tu estás parada no mesmo sítio. E nem que nos quiséssemos encontrar não íamos conseguir. Daríamos voltas numa dança interminável que o ritmo ditaria. Fantoches da guitarra, marionetas desse baixo. E tu sabe-lo, já o sabias naquela tarde de Março em que me mostravas no mar o infinito que sabias perdido em nós. Mas deixaste que o licor azedasse e se tornasse no veneno que me injectaste durante estes anos. Mas agora tu também o tomas, também te contorces com as dores que foram minhas. Deitas-te agora no chão que calcaste, bebes agora tudo o que me quiseste espremer. Não te digo isto de cima mas digo-to daqui do teu lado. Não lado a lado. Costas com costas, mas no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mesmo chão. Hoje vens tu e eu já sei de cor o travo do teu licor e os restos de mim no chão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 0);"&gt; *Textos  feitos a partir das  músicas  dos Toranja "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 204, 0);"&gt;Tempos Adversos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 0);"&gt;"  e "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Restos&lt;/span&gt;" para um projecto &lt;a href="http://www.toranjanet.com/phpBB2/index.php"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-3919298281275170454?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/3919298281275170454/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=3919298281275170454' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3919298281275170454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/3919298281275170454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/tempos-adversos.html' title='Tempos Adversos/Restos'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7910531561631654062</id><published>2007-01-24T21:46:00.000Z</published><updated>2007-01-24T22:02:25.214Z</updated><title type='text'>Cheirar o Mar</title><content type='html'>Sente este cheiro. A humidade acorda o cheiro do teu pescoço e atira-mo para o nariz. Não sentes? Só sentes o cheiro do mar? Nonsense! O mar não tem cheiro. Oh sim, tem aquele cheiro que nós chamamos do mar, mas é só o sal e o iodo e o ar banhado de sol. Não te rias! Sim, por o mar não ter cheiro o ar banhado de sol não pode ter? Não te ponhas a fazer desenhos na areia, tou a falar para o mar? Já falei muitas vezes. Hm hm. Vinha-lhe contar de ti, do teu sorriso e de como me fazia feliz. Antes de te poder contar a ti. E ele ouvia-me e respondia-me. E o cheiro dele, quer dizer, o cheiro do iodo e do sal e do ar banhado muitas vezes de lua, ajudavam-me a escrever. Era como se eu lhe contasse e o mar misturasse as minhas palavras na areia e me desse umas novas para te contar ao mundo. E agora? Agora já não preciso de novas, já não preciso de lhe falar e de lhe contar porque te conto a ti. Ah, como é que faço para te contar ao mundo? Deixo que o coração fale sozinho, ligo os meus braços directamente ao peito e ele conta-te ao mundo. Não acreditas? É verdade, mas vá tem uma ajudinha do cheiro do mar. Pois não, não estou com o mar, nem preciso, porque o cheiro ao mar também pode ser aquele que o teu pescoço faz navegar no meu nariz. Melhor que o do ar banhado de sol, do iodo e do sal. É o mar que cheira a ti.  Porque o meu mar és tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7910531561631654062?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7910531561631654062/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7910531561631654062' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7910531561631654062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7910531561631654062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/cheirar-o-mar.html' title='Cheirar o Mar'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-5545515259936239805</id><published>2007-01-22T23:49:00.000Z</published><updated>2007-01-23T00:25:18.724Z</updated><title type='text'>Rir o Jazz</title><content type='html'>Assim só nós. Como só nós sabemos. Podes sorrir. Sorri. E ri-te se quiseres. É de ouro esse teu riso, mesmo de ouro. Não, não digo isto no sentido cliché que já está mais enferrujado e escuro que os postes junto ao mar. Digo porque é assim que ele se sente. Claro e brilhante - brilhante de brilho e não de genial!- e que larga um som que enternece quando cai sobre nós.  Não sei como. E o teu riso vai direitinho ao meu peito e faz tocar o meu tambor vermelho. Sim, tonta, claro que me refiro ao coração. Como é que o coração toca? Dá cá a tua mão. Ouves? Bater não é a mesma coisa que tocar? Pois claro que não! Ele bate no meu peito mas toca no teu. Em vez de franzires as sobrancelhas desdobra a metáfora. Vês como sabes, mas dito assim fica mais bonito. Recapitular? Tu ris, exacto, o teu riso vai até ao meu coração e ele toca no teu. Como se o teu riso fosse uma sequencia de agudos no piano pedindo o contra-baixo e a bateria. Ups, desculpa fiz mais confusão. O piano é o teu riso, a bateria é o meu coração e o contrabaixo sou eu a vibrar no teu coração. Pois, se calhar ando a ouvir jazz a mais. Mas o jazz é como tu, nunca se cansa e gosta-se sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;*obrigado ao senhor Bernardo Sassetti pela ajuda com a sua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Da Noite - Ao Silêncio&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-5545515259936239805?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/5545515259936239805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=5545515259936239805' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5545515259936239805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/5545515259936239805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/rir-o-jazz.html' title='Rir o Jazz'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-9086640861758588305</id><published>2007-01-20T16:38:00.000Z</published><updated>2007-01-20T17:00:19.699Z</updated><title type='text'>Envolver a Noite</title><content type='html'>Tens frio? Chega-te mais perto do meu coração. Assim, abraça-me e cola-te ao meu peito. O escuro? Tens medo? Não sejas tonta, é só o ar. Claro que não é mais pesado! É por isso que sussurras? Sim, talvez a noite peça mais silêncio. Realmente, está muito mais silêncio à noite. É normal que esteja mais frio, mas o nosso calor não sai daqui. Pensa assim, se não fosse o escuro nunca viamos as estrelas. Gosto da noite por isso, porque me traz a lua e as estrelas, e traz o teu abraço aqui colado ao meu. Já pensaste nisso? O nosso abraço, aquele que nos aquece e adormece, anda sempre ao contrário do sol, como a noite. Se o dia vem ele logo tem de se esconder. Já pensaste? Mais uma razão para não temeres o negro da noite. Vá, traz lá o sorriso que vestiste hoje. Fica-te tão bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-9086640861758588305?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/9086640861758588305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=9086640861758588305' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9086640861758588305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9086640861758588305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/abraar-noite.html' title='Envolver a Noite'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-6819632682294257050</id><published>2007-01-14T18:30:00.000Z</published><updated>2007-01-14T18:48:43.583Z</updated><title type='text'>Dias Anos</title><content type='html'>Complementar. Claro e sem dúvida. Gelo no peito, vidro nos olhar. Borboletas no estômago. Ferro nos dedos,  sede nas mãos. Luz no sorriso. Segundos contigo, séculos sem ti. Felicidade, crua e inebriante. Vermelho, vermelho no coração. Coração em ti, cabeça em ti. Mundo em nós.  Perdido quando não me seguras a mão. Lágrimas no sorriso, sorriso que não sai nem entre lágrimas. Peito que explode a cada sopro teu. Sopro suspiros à tua distância, inspiro em torrentes do teu pescoço. Tremo. Num arrepio e num suspiro. Adoro-te, o Verão e o Inverno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-6819632682294257050?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/6819632682294257050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=6819632682294257050' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6819632682294257050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/6819632682294257050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/dias-anos.html' title='Dias Anos'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-8016856054849370041</id><published>2007-01-06T18:58:00.000Z</published><updated>2007-01-06T19:26:50.539Z</updated><title type='text'>Mundo nosso</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;"O calor, o vermelho, a graciosidade, como tudo ficava bem no meu sorriso."&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://celi.blogspot.com/2006/03/transfiguraes-desejo.html"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Celi M. 28/03/06)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;                            &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;E fica agora sem querer sair. E cola-se sem se levantar. O vermelho exala, irrompe e explode da minha face. Visto-me de vermelho e não o largo mais. É a cor que me pinta a alma, é tudo o que vejo dos meus olhos. O vermelho de um sentimento que corre do meu sangue para o teu, o vermelho que me colas à face, o vermelho com que pinto as mãos sempre que elas te abraçam, o vermelho que me entra no nariz vindo do teu pescoço. A graciosidade, com que dançamos, com que falamos, com que beijamos, com que andamos, com que nos sentimos. Sinto-me um bailarino com os passos que se unem formando um movimento lindo e coordenado, contigo. Sem coreógrafo ou encenador. Assim, sorrio, no teu sorriso. O calor. O aroma dos teus olhos, o som do teu coração, o desenho do teu aroma, o sabor do teu abraço, o calor da tua saliva. O calor que nos viaja e nos leva a voar. Sem pensar nas vertigens que nos prendiam ao chão, sem pensar no destino, mas na viagem. A nossa viagem. Adoro o "nós" que nos sai das palavras, adoro os nós que mostramos ao mundo. Sem medo. Somos um nós feito de mim e de ti. E sorrio, sorrio com tudo o que sempre quis sorrir. Sorrio contigo, como nunca sorri com ninguém.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-8016856054849370041?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/8016856054849370041/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=8016856054849370041' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8016856054849370041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/8016856054849370041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2007/01/mundo-nosso.html' title='Mundo nosso'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7534580691741809774</id><published>2006-12-28T00:58:00.000Z</published><updated>2006-12-28T01:27:17.188Z</updated><title type='text'>Conto-te o Natal</title><content type='html'>Havia no ar o rebuliço de Natal, ao 13 da Lotaria de Natal juntavam-se os molhos de grelos e de meias. O mundo revolvia e corria em busca de tudo.Ele sentado num banco de uma rua que se movia como um turbilhão segurava só num ramo de azevinho. E sorria a ver aquela gente toda passar, olhava as sacas que traziam e imaginava que prendas levariam ali. O saco dava uma grande dica, mas as suas caras e as suas roupas ajudavam também. Os seus caracois loiros reluziam ao sol naquela amena tarde de Dezembro, mas ele trazia umas luvas que tornavam as mão em dois dedos de tamanhos muito diferentes dando-lhe um ar ainda mais angelical. Os seus minúsculos 10 anos davam-lhe um gozado descanço nesta altura. A sua mãe percorria agora as rua ali próximas em busca da sua prenda. Não sabia o que ia ter, mas também não se preocupava muito. A prenda de Natal que queria era mesmo a azáfama toda da noite que cedo chegaria. Até que de repente o Sol deixou de lhe bater na face. Um objecto não muito grande pos-se exactamente lugar do sol enfeitando-se com o halo deste. Ele semi-cerrou os olhos tentando perceber de quem se tratava. Pelo tamanho não era a sua mãe, a figura era pouco maior que ele. Quando os olhos se acomodaram viu-a pela primeira vez. Deve ter sido de ter o sol atrás a enchê-la de dourado, ou talvez o arrefecimento dele porque ela lhe tapou o sol, ou então o fumo que saia de um assador de castanhas ali perto, mas no momento em que ele a viu ela pareceu-lhe um anjo. Daqules que se penduram nas arvores ou que se veem pintados nas igrejas.&lt;br /&gt;-Vou morrer?- perguntou ele com aquela visão celestial.&lt;br /&gt;-Eventualmente sim, mas eu só queria saber se me das um bocadinho do teu azevinho. - ao dizer estas palavras aproximou-se do banco permitindo-o assim ver a sua cara.&lt;br /&gt;Ele corou por ter pensado que ela era um anjo, mas ela era realmente bonita. Mas não tinha asas nem cabelos de ouro nem estava descalça. Ela não vendo nenhuma reacção da parte dele estendeu a mão na sua direcção para enfatizar o seu pedido. O que acabou por resultar porque ele ao ver aproximar-se a mão reagiu dizendo:&lt;br /&gt;-É da minha mãe.&lt;br /&gt;-Eu também não o queria para mim- respondeu ela muito rápidamente. Ainda agora a conhecera e já achava que ela era um bocadinho rispida. - A minha avó que está doente, gosta muito de azevinho, e este ano não pode apanha-lo.&lt;br /&gt;-A minha mãe não mo deixa dar, aliás, ela nem me deixa falar com estranhos. Respondeu ele chegando o ramo para junto de si.&lt;br /&gt;-Olá, sou a Sara- e aproveitando o espaço que o ramo desocupou sentou-se ao lado dele.Ele não conseguiu evitar soltar um sorriso. Ela era mandona, mas duma maneira muito parecida com um anjo. &lt;span style="color: rgb(255, 153, 255);"&gt;(to be continued  next Christmas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;*para quem tornou o meu Natal especial, por me terem oferecido mais que prendas, por me fazerem acreditar outra vez no Natal. Obrigado. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7534580691741809774?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7534580691741809774/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7534580691741809774' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7534580691741809774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7534580691741809774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/havia-no-ar-o-rebulio-de-natal-ao-13-da.html' title='Conto-te o Natal'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-7751407494566639004</id><published>2006-12-21T14:46:00.000Z</published><updated>2006-12-21T16:26:42.042Z</updated><title type='text'>Transfigurações: Saudade</title><content type='html'>Gasto do tempo, gasto do tempo sem ti.   Parece  escorrer tão lentamente como o mel a sair de um frasco no invern. Escorre e eu quero que corre e eu morro por não ver a hora do regresso da tua mão. Depois cria-se na minha mente a imagem da tua mão e a minha anseia o seu toque. Mas o que é imaginário não tem toque e ela desespera tacteando o ar em busca do teu calor. O nariz esse percorre o ar em busca do conforto do teu perfume, não aquele do frasco mas o que a tua pele emanava da última vez que o meu nariz percorreu o teu pescoço. Mas há aquela imagem da tua mão, e tua, tu toda, a encher todo o espaço do pensar. E como a marca do sol transfiguras o mundo que vejo. Há a tua face para onde quer que olhe, há os teus olhos em tudo que me enfeitiça,há os teus lábios em tudo o que desejo. Para onde olho estás tu, e se cerro os olhos para não mais sofrer com a tua ausência, és tu quem aparece brilhando alva contra o fundo negro. Mas não são só os olhos que nostalgiam, tudo é uma lembrança da tua imagem, das tuas emoções, das tuas acções. E chega até à ponta dos dedos aquela dor fina de quem não te tem na mão mas te enche o coração. Que o tempo te traga nas asas do vento porque o vermelho enche de mais os meus olhos de te esperar, os lábios estão roxos de tanto apertar a tua memória, as mãos são já lixas de tanto rasparem o chão pedindo-lhe que te traga. Vem neste momento, vem que já não aguento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-7751407494566639004?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/7751407494566639004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=7751407494566639004' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7751407494566639004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/7751407494566639004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/transfiguraes-saudade.html' title='Transfigurações: Saudade'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-9105932103677543437</id><published>2006-12-18T17:49:00.000Z</published><updated>2007-01-20T16:37:32.323Z</updated><title type='text'>Pintar o Céu</title><content type='html'>Deixa passar o vento.Deixa-o passar por entre estas flores, enquanto descanças aqui ao lado delas. Não faças barulho e ouve só o vento a roçar contra as suas pétalas delicadas. Inspira este ar cheio do pólen da felicidade, e expira-o num soriso calmo. As nuvens dançam connosco e a brisa canta a nossa música. Não, não te mexas deixa-te só voar com o vento e banhar pelo sol que também pintei. Deixa-te só ficar. Não penses sequer na dor ou na alegria, não te deixes  levar por outros sentimentos que te amarguem ou que te exaltem. Deixa-te ficar aqui nas flores com o vento segredar-te histórias que não te trazem mais que a calma de uma tarde de primavera, sem frio nem calor. Só com o sol a trazer a calmaria e as flores a trazerem-te a paz de coração que tão longamente ansiavas. O céu veste-se mais escuro e com a companhia das estrelas sai também para nos ver deitados sobre a relva, ou mesmo no chão. Se adormeceres ou os olhos te fecharem, não te preocupes que eu protejo-te. Porque o céu aberto sobre mim é a tela em que te pinto todas as noites. Com um sorriso nos lábios, e um imenso brilho nos olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-9105932103677543437?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/9105932103677543437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=9105932103677543437' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9105932103677543437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/9105932103677543437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/ver-e-pintar-o-cu.html' title='Pintar o Céu'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-2237082568623370446</id><published>2006-12-16T00:00:00.000Z</published><updated>2006-12-16T00:42:11.160Z</updated><title type='text'>Canção em Sol Maior - Tema para voz</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há o aclarar da garganta. Um instante de silêncio e um instante da grossa respiração a raspar-se no nariz. Depois solta-se. Acompanhada de olhares fugazes mas que enchem o som de magia, vem do fundo do coração o ar que me atravessa. A cabeça vai anuindo em movimentos sincronizados com a música. Composta em segredo e de olhos fechados a sua beleza ultrapassa toda a &lt;span id="lblDlpoDefinicao"&gt;perceptibilidade visual. O seu som, o seu tempo, a sua intensidade. Sempre assim intenso a cantar. Mas o compasso, o compasso que aumenta e diminui procurando a eterna agitação do metrónomo vermelho. E sai-me tudo assim num improviso sem medo nem certeza, sem dúvida nem confiança. Mas o timbre que me retorna aos ouvidos enche-me em alegro  e a música atira-se cada vez mais força por entre os meus lábios. Torno-me dançarino da minha própria canção e as minhas mãos ondulam por entre as escalas que se escapam do meu peito. Na escuridão a que me remeti deixo que os cheiros me indiquem a partitura sem me perder. Até que com a repetição de um último tom o silêncio instala-se e o ar ganha um enorme peso. Abro os olhos, vejo a minha plateia e com um novo mas menos demorado cerrar de olhos guardo a sua beleza na minha cabeça e largo o suspiro final para que as mãos se possam unir num ruído sem fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-2237082568623370446?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/2237082568623370446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=2237082568623370446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2237082568623370446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2237082568623370446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/cano-em-sol-maior-tema-para-voz.html' title='Canção em Sol Maior - Tema para voz'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-2265898062835421635</id><published>2006-12-11T09:54:00.000Z</published><updated>2006-12-11T11:57:00.488Z</updated><title type='text'>A minha princesa</title><content type='html'>Tenho saudades tuas, tenho muitas saudades de ti. Sou egoista, queria-te ter aqui bem perto de mim quando foi outro rumo que te levou. Mas é impossivel esquecer-te, é impossível  deixar que voes livremente da minha memória, porque a encheste de coisas demasiado boas. Fazes parte de mim e consigo-te ver a cada passo da tua idade. Infelizmente a vida não é como a gente quer e houve alturas em que não te pude dar a mão como gostava. Porque tu apesar da tua frescura e inocencia trazias sobre os ombros o conhecimento de mil séculos. Lembro-me de caberes tão bem nos meus braços, como me lembro tão bem de seres maior do que eu. Não precisavas de subir a uma cadeira para ser maior do que ninguém, mas subiste e deixaste-nos a todos no chão esmagados com o teu enorme coração. Não consigo deixar de te ver por todo o lado, em borboletas de 5 anos ou em donzelas de 20. Porque sempre te vi a meu lado mesmo quando nos separavam, porque sempre foste a minha protegida e o dever de proteger-te ia ser meu até os nossos filhos se protegerem uns aos outros. Gostava de ser claro como o teu pai e de ser capaz de te escrever com um sorriso. Mas tudo me sai assim confuso, porque nunca pensei que tivesses que ir para o cimo dessa torre de ondes nos vês. Ainda assim consigo sorrir quando te vislumbro os cabelos daqui de baixo. E atiro-te um beijo, e grito bem alto daqui de baixo: "Vais ser sempre a minha princesa!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table style="background-image: url(http://www.fileden.com/files/2006/9/24/237277/New%20Picture%20%281%29.bmp); width: 372px; background-repeat: no-repeat; border-collapse: collapse; height: 342px; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;As coisas vulgares que há na vida&lt;br /&gt;Não deixam saudade&lt;br /&gt;Só as lembranças que doem&lt;br /&gt;Ou fazem sorrir&lt;br /&gt;Há gente que fica na história da história da gente&lt;br /&gt;E outras de quem nem o nome lembramos ouvir&lt;br /&gt;São emoções que dão vida&lt;br /&gt;À saudade que trago&lt;br /&gt;Aquelas que tive contigo&lt;br /&gt;E acabei por perder&lt;br /&gt;Há dias que marcam a alma&lt;br /&gt;E a vida da gente&lt;br /&gt;E aquele em que tu me deixaste&lt;br /&gt;Não posso esquecer"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mariza - Chuva&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-2265898062835421635?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/2265898062835421635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=2265898062835421635' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2265898062835421635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/2265898062835421635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/minha-princesa.html' title='A minha princesa'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116540068632573866</id><published>2006-12-06T10:07:00.000Z</published><updated>2006-12-06T10:24:46.360Z</updated><title type='text'>Violeta-Vestido</title><content type='html'>Já não te guardo só nas mãos, já não te sinto só no olhar, já não te ouço só pela tua voz. A tua presença já corre no rio vermelho que me alimenta a toda a hora. A doçura dos teus lábios já não é um sonho longinquo, mas um fogo que me aquece ao dormir. Ainda que os meus dias já não saibam anoitecer sem ti, aprendi a não ter medo do escuro. E é por isso que não preciso que me chames para eu ser. Existo mesmo sem um nome. Sou teu, como um vestido que marcaste na montra de uma loja, e que sabes que o vais comprar assim que tenhas diheiro. Porque o crédito depois cobra juros muito altos. Ainda que não me tenhas comprado, sou já teu em toda a essência. Por isso eu prefiro ver-te aqui deste lado do vidro, prefiro que tenhas que correr todas as lojas para me vestires do que teres que me devolver depois. Assim vais continuar a ter o meu sorriso, e eu vou ser feliz com o violeta que o sol já espalhou no céu antes de chegar. Porque para haver violeta tem que haver sol, e eu posso esperar mais uns minutos pelo seu nascer, a noite foi tão longa e fria e eu não desisti. E quando o brilho vier e limpar o violeta eu vou largar uma lágrima, para que o sol ao passar por ela possa criar todo o arco-íris que estendes em mim.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 255);font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;*as cores são todas para ti porque foste tu que me deste a paixão. E sabes, outro dia lanchei na confeitaria dos clérigos. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116540068632573866?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116540068632573866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116540068632573866' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116540068632573866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116540068632573866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/violeta-vestido.html' title='Violeta-Vestido'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116527705198083997</id><published>2006-12-05T00:13:00.000Z</published><updated>2006-12-06T10:07:17.386Z</updated><title type='text'>Verde-Vento</title><content type='html'>Lembras-te do vento? Daquele que sopra com força e nos deixa arrepiados, sem saber se temos frio ou se é ele que nos segreda ao ouvido. Eu queria soprar sempre aos teus ouvidos a segredar-te palavras que prendam a tua mão à minha. Porque é com as tuas palavras a voarem para mim que eu mais expludo em alegria, palavras que não me são novas mas que ao silvarem por entre os teus lábios me sacodem como as tempestades de maio agitam as folhas recém-nascidas. Palavras sentimentos. Palavras que me alimentam a planta que trago no peito para que dela saia uma flor. E todos os dias eu espero que ao  acordar ela já esteja aberta contra o sol, mas ela precisa do seu tempo. E tem que ter, porque se nascesse hoje era outra flor, porque se nascesse hoje as suas pétalas não iam aguentar alguns ventos. Por isso é que eu gosto deste vento. Vem e leva-me para longe, e leva-te a ti comigo. Eu já o sei ouvir e falo com ele, tu quando o perceberes bem, pode ser que as folhas não caiam em cada Outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116527705198083997?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116527705198083997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116527705198083997' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116527705198083997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116527705198083997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/verde-vento.html' title='Verde-Vento'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116517365606916204</id><published>2006-12-04T07:12:00.000Z</published><updated>2006-12-03T20:20:53.403Z</updated><title type='text'>Dourado - Areia</title><content type='html'>As vezes parece que os meus olhos se transfiguram, mudam o que estou a ver e passo a ver outros mundos colados ao meu. O sol transforma-se num grande candeeiro com um filtro dourado que transforma o meu mundo num retrato a sépia. As tuas mãos ficam douradas e apercebo-me do seu valor. Parecem assim ancestrais, mais que valiosas e cheias de uma suavidade que as tornam mágicas. Como os teus cabelos, os meus olhos vem-nos dourados assim como se fossem eles próprios raios daquele sol de sépia. O sol esse parece emanar algures atrás de ti e encher-me de calor a face. De tal modo que semi-cerro os olhos e tudo fica com aquele estrelar da luz a atravessar as pestanas. Como a chuva no vidro dos carros. O mundo parece feito de areia, mas as tu revelas-te uma estátua, de bronze, ou outro metal dourado com que se fazem aquelas estátuas que lembram deuses. Mas tu não és dessas, nem daquelas de anjos ou de senhores em cavalos. És tu, e não és uma estátua, nem te quero num pedestal. Quero-te aqui à minha beira, com as tuas mãos douradas nas minhas, e eu aninhado no teu regaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116517365606916204?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116517365606916204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116517365606916204' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116517365606916204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116517365606916204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/dourado-areia.html' title='Dourado - Areia'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116517480491710074</id><published>2006-12-03T19:20:00.000Z</published><updated>2006-12-03T19:40:05.076Z</updated><title type='text'>Cor-de-Rosa-Algodão-Doce</title><content type='html'>Gosto de ti. Assim. Hoje saem de mim beijos até para o ar com o sentimento que explode no coração.Como nos desenhos animados quando se abre uma coisa muito velha e saem muitas traças, saem assim lábios vermelhos do meu coração. Também tenho borboletas,daquelas cor-de-rosa muito bonitas, mas estão guardadas mais a baixo na barriga. Elas voam lá contentes mas o espaço é pequenino e acabam por-me fazer cócegas, e fico com a barriga a doer.Mas não faz mal, porque com aquela tua expressão dos olhos passa tudo. Só não passas tu. Sorriso.O teu olhar não passa. E eu fico a olhá-lo como se tivesse cinco anos e estivesse a ver desenhos animados ao fim-de-semana. E depois lembro-me que não posso estar tão perto da televisão que faz mal, e fecho os olhos assim como quem tem muito medo. Mas eu não tenho medo de ti. Gosto só de fechar os olhos assim como se tivesse feito uma asneira, mas eu sei que tu gostas que eu faça. E rio-me e faço caretas porque o ar cheira àquele algodão doce que comia na feira popular. E tu cheiras ao açúcar assim em nuvem. Assim docinho, como os teus lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116517480491710074?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116517480491710074/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116517480491710074' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116517480491710074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116517480491710074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/cor-de-rosa-algodo-doce.html' title='Cor-de-Rosa-Algodão-Doce'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116507573996807079</id><published>2006-12-02T15:25:00.000Z</published><updated>2006-12-02T16:16:48.556Z</updated><title type='text'>Laranja - Sorriso</title><content type='html'>Assim à distância. Vejo-te daqui e não te receio. Não te receio a distância. Não temo que te afastes de mim, nem que a distância te largue me largue no esquecimento. A ti não te larga. Por mais que tente a tua imagem agarra-se com unhas e dentes à minha memória e é dificil esconder-te só um bocadinho. Assim vais dançando num vestido laranja pela minha cabeça. Mexes lá dentro e fazes-me sorrir, sonhar, voar. A felicidade toca-se assim nos meus ouvidos mesmo sem a tua mão a afagar-me as orelhas. Mesmo sem a tua presença, a tua lembrança navega nos meus braços.  E o céu vai-me trazendo estrelas cadentes que me lembram os teus olhos, e olho o céu profundo como quem te olha. Quase que sinto o vento a cerrar-me os olhos como se agido pelas tuas mãos. E essas, queimam, ardem, desesperam pela droga que as alimenta. O teu perfume. Cravado no meu peito mas sem cheiro nas minhas mãos. Mas tu danças, aqui de laranja, aqui em mim. E eu vou sorrindo ao vazio, vou sorrindo à chuva e ao vento, ao frio e ao gelo, sorrio porque te trago vestida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116507573996807079?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116507573996807079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116507573996807079' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116507573996807079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116507573996807079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/12/laranja-sorriso.html' title='Laranja - Sorriso'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116488794692896855</id><published>2006-11-30T11:27:00.000Z</published><updated>2006-11-30T11:59:07.413Z</updated><title type='text'>Branco-Sonho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;As tuas mãos a percorrem o meu coração. As minhas a percorrerem-te a fronte. O sorriso habita-me e os meus olhos querem exultar de alegria. Respiro. Inspiro-te até não poder mais. O teu cheiro dentro meu peito aquece-me a tua lembrança. E o coração parece rebentar de alegria com a tua presença. E aninho-me colado ao teu coração, aninho-me nos teus braços para ser feliz aqui no quentinho. Queria ficar assim, assim sem comer e sem beber, sem acordar e sem dormir. No calor que o teu coração irradia e me faz derreter até o olhar. O olhar fugidio e doce.   Assim como deve ser.   Doce como os teus lábios e como a tua cara. Fugidio como o teu nariz. O branco do teu sorriso que emana sobre mim e me rodeia. E depois há aquela névoa de sonho. Um sonho que sei ser meu, que sei ser real. Como quem pela primeira vez vê as nuvens de cima. Um sorriso enorme. Um olhar cerrado. Um sonho acordado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116488794692896855?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116488794692896855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116488794692896855' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116488794692896855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116488794692896855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/branco-sonho.html' title='Branco-Sonho'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116471664957744283</id><published>2006-11-28T12:19:00.000Z</published><updated>2006-11-28T17:13:49.083Z</updated><title type='text'>Azul-Chuva</title><content type='html'>Há aquele levantar de todos os pelos, com a sensação que algo passa pelas costas. O sorriso brota da minha face, e parecem aparecer pequenos cristais no ar à minha volta. Talvez seja a chuva. O som é idêntico. Um "chh" lento mas não demorado. Repetindo-se indefinidamente. Infinitamente. O infinito dos teus olhos.  O azul que neles se abre e me chove.  E depois a porta que mo tapa, e depois eu procurando às cegas a chuva. E depois tu empurrando-me para o conforto do abrigo. Mas eu quero ir, quero voar sem medo da chuva. E fico assim. A querer molhar-me. Mas a porta não se abre e acabo por vislumbrar o temporal caindo lá fora. Então volto as atenções para dentro e vejo uma sala, e também é azul, o chão, as paredes o tecto.Tudo é tão azul como lá fora. Neste momento é na sala que vivo, e é na sala que sorrio. E tu mostras-me que a sala vale a pena. E por isso sou feliz. E aqui sou feliz. Deixei de me preocupar com sair. Deixei de pensar se a saída é melhor. Hoje o coração explode com o conforto deste sofá. Se o amanhã for feliz na rua, o hoje foi feliz aqui. Assim como eu não anseio o exterior, também não o temas. Porque a chuva sabe tão bem! Sabe a ti, sabe a azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116471664957744283?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116471664957744283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116471664957744283' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116471664957744283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116471664957744283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/azul-chuva.html' title='Azul-Chuva'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116462662519203347</id><published>2006-11-27T11:00:00.000Z</published><updated>2006-11-27T11:23:45.220Z</updated><title type='text'>Carta à Joana</title><content type='html'>Querida Joana,&lt;br /&gt; Ol´q.Tenho saudades de falar contigo. Gostava que viesses mais vezes ter comigo à mesa de pedra para falar comigo. Tenho tantas coisas para te contar. Falar-te de ventoinhas e casas. Sorri. Sobre casas é que queria falar mais. Passei ontem pela casa onde a tua avó viveu, disse-me a minha. Eu já não sei nada da tua casa para puder contar aos meus netos.  Como está a casa da Alemanha? Espero que ainda esteja tudo direitinho e que ainda vás lá muitas vezes.&lt;br /&gt;Agora conto-te da minha casa. Lembras-te daquela casa que eu julgava assombrada para alguém viver lá? Que não conseguia entrar? Descobri que era eu que estava a fazer tudo errado. Deitei-a abaixo e estou a construir uma nova. E estou a adorar. Usando &lt;a href="http://chadachina.blogspot.com/2005/05/carta-ao-verglio.html"&gt;palavras tuas&lt;/a&gt;, "Hoje seria capaz de gritar tão alto a minha felicidade inocente, que até tu, que moras longe, a poderias cheirar." Com cada novo tijolo rejubilo de alegria e tudo é divertido. Posso não ter um telhado, ou sequer uma cadeira para me descançar, mas pelo menos sei que aquilo que tenho foi construido por mim e é meu. Não sei se também construiste a tua casa, nunca me chegaste a dizer. Estou preocupado porque vi a Amélia no outro dia, e não sei se o regresso dela era desejado, nem se veio na melhor altura. Queria-te falar da minha casa, contar-te todos os dias como estão as obras, se já tenho porta.  Mas nunca estás na mesa de pedra, e quando estás perto estás demasiado ocupada para te sentar. Pode parecer que estou muito certo de mim, mas "juntos analisamos e tu ajudas-me a continuar a andar, a continuar a caminhar nesta estrada cheia de buracos". Mas eu compreendo que a tua estrada seja muito comprida e tu precisas de correr para a acompanhar. Mas sinto a tua falta ao meu lado.&lt;br /&gt;Quando puderes, eu estou na mesa de pedra, pronto para falar de tudo sem falar em nada.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;*   &lt;br /&gt;Diogo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116462662519203347?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116462662519203347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116462662519203347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116462662519203347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116462662519203347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/carta-joana.html' title='Carta à Joana'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116457008265129321</id><published>2006-11-26T18:59:00.000Z</published><updated>2006-11-28T17:16:01.583Z</updated><title type='text'>Castanho-Chocolate</title><content type='html'>A tua mão, o teu toque. A magia de tudo o que me ofereces. As ofertas mágicas que são tudo. O teu sorriso, aquele sorriso que é luz.  A felicidade enorme por coisas pequenas. A minha pequenez num universo maior que nós. A nossa grandiosidade pela diferença. Sou diferente  com a diferença que me fazes. Sem sentido. Vou sorrir agora.  A felicidade que brota do peito, em sorrisos. Felicidade pelo mundo, por estar nele, por ser dele, por aprender com ele. Ler, ver, comer, sonhar, ser. Atingir sonhos e esperar outros, perceber a espera e gostá-la. Ansiar um momento com medo. Temer um momento com ansiedade. Ser habitado pela total e completa serenidade. Acariciar o silêncio com palavras pequeninas e cheias de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esses&lt;/span&gt; e ilumina-lo com sorrisos. Cantar a plenos pulmões a música sem sentido enfeitando-a com olhares brilhantes de alegria. Vou andar com uma lareira, uma mantinha, uma televisão e um chocolate no bolso. Vou-te trazer com o carinho na mão, com a magia  nos olhos, com a alegria na boca, e com o calor  no peito para que o frio nunca te toque. Vou-te trazer em mim com a felicidade a cantar bem alto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116457008265129321?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116457008265129321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116457008265129321' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116457008265129321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116457008265129321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/castanho-chocolate.html' title='Castanho-Chocolate'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116428328443441568</id><published>2006-11-23T11:25:00.000Z</published><updated>2006-11-23T12:03:50.490Z</updated><title type='text'>49</title><content type='html'>&lt;table style="background-image: url(http://www.fileden.com/files/2006/9/24/237277/untitled.JPG); width: 482px; background-repeat: no-repeat; border-collapse: collapse; height: 478px; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;embed style="color: rgb(255, 0, 0);" src="http://www.fileden.com/files/2006/9/24/237277/Father%20And%20Son.mp3" type="audio/mpeg" loop="false" autostart="false" height="25" width="50"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje fazes-me falta. Mas não é por ser hoje. É por ser um dia mais. Em todos me fazes falta, em todos te quero sentir aqui. A tua ausência sobrecarrega-me os ombros em cada manhã. A falta da tua presença molha-me os olhos a cada noite.Mas não gosto que seja assim, gosto de te sorrir de volta quando me olhas das molduras. Gosto de te recordar e sorrir, gosto de te lembrar e rir, gosto de te ver em mim, gosto de saber em mim vive uma grande parte de ti. Gostava de te ter dito isto quando me podias responder. Gostava te ter agradecido por tudo e sentir aquele abraço depois. Do abraço à bofetada, não há um único dia que passe que não te imagino aqui de novo dares-me a vida. E deste-me com muito sacrificio, e deste-me tudo sem pedires nada para ti. Deste-me tudo para que eu me tornasse em alguém, deste-me tudo para que a vida me sorrisse sempre, mesmo que para isso ela não sorrisse de todo. Agora o agradecimento já não é necessário. Já não é preciso. Vou te agradecendo com a minha vida, e que tudo o que faça seja um enorme obrigado. E que tudo o que faça seja um sorriso para ti. E que todos os sorriso que eu provoque, ou que de mim saiam sejam para ti. E que tudo o que eu provoque sejam sorrisos, e que consigam igualar todos aqueles que abdicaste para que eu pudesse ser eu. E dou-te o meu sorriso agora com a eterna saudade do teu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116428328443441568?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116428328443441568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116428328443441568' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116428328443441568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116428328443441568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/49.html' title='49'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116404208969371393</id><published>2006-11-20T16:48:00.000Z</published><updated>2006-11-30T11:27:30.710Z</updated><title type='text'>Vermelho-Fogo</title><content type='html'>Tenho vontade de pintar os teus olhos em todas as paredes. Quero afagar cada pedaço da minha cara que os teus lábios tocaram. Apetece-me fazer mil almofadas com a forma das tuas mãos. Quero que alguém do cimo de um palco toque a musica que o teu sorriso exala. Apetece-me guardar num cofre os meus lábios e dar-te a única chave. Quero que o mundo todo irrompa em gritos e assobios enquanto nos cobrimos com o silêncio dourado. Vou olhar para o sol durante horas para que os olhos se habituem a fecharem-se. Vou pintar-me de vermelho para que toda gente saiba o fogo que me arde no peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116404208969371393?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116404208969371393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116404208969371393' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116404208969371393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116404208969371393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/vermelho-fogo.html' title='Vermelho-Fogo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116359453645111590</id><published>2006-11-15T12:12:00.000Z</published><updated>2006-11-15T12:42:16.470Z</updated><title type='text'>Variações em Si Maior - Tema para Violino</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O pescoço levantado, o olhar vítreo para algo que não está ao alcance dos olhos. O sorriso que a própria música deixa ao sair das cordas. Seguro o violino com força. Encosto-o ao meu ombro e com o movimento do braço solta-se-lhe o grito. Sinto até no ombro, vibra-me até ao coração e deixa-o em danças absurdas mas que sabem aos dias de Maio. Ao ouvido chega aquele som directo que me abana os pensamentos e me deixa na confusão do próximo acorde. Faz-me querer encostar os lábios à música, faz-me querer segurar nas minhas mãos as da melodia para seguirmos em uníssono. Mas ainda não é agora. Agora tenho que tocar o interlúdio para lá poder chegar. Eu quero chegar, mas não me vou enganar em nenhuma nota. E vou deixar que o arco vá soltando estas notas. Quase que as vejo levantarem-se no ar naquela forma de pezinhos pretos e a voarem à minha volta e me entrar cabeça a dentro. E depois tenho 12 anos outra vez, ou 15. Tenho a idade em que toda a música me fascina e me embala. Deixo-me levar de forma tal que rodopio e danço freneticamente sem medo dos espectadores. Afinal a melodia não pode só vibrar nas cordas. Até que lentamente os meus dedos largam o arco e toco finalmente nas cordas com os dedos. O som que deles sai enche-me o peito e fica a ecoar por outra primavera. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116359453645111590?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116359453645111590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116359453645111590' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116359453645111590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116359453645111590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/variaes-em-si-maior-tema-para-violino.html' title='Variações em Si Maior - Tema para Violino'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116332841054704159</id><published>2006-11-12T10:25:00.000Z</published><updated>2006-11-12T10:46:50.563Z</updated><title type='text'>Madrugada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há um cheiro no ar. Há uma nova  melodia no olfacto. Cheira a um novo dia de verão. Um dia de calor. Cheira. Há em mim todo um arranjo que espera esse dia. Da cabeça aos pés. O meu corpo espera o novo dia como um girassol aguarda o novo nascer do sol. Eu não espero o sol. Mas cheira a dia. Os meus olhos, atentos, esperam antes um olhar, um olhar cúmplice, que ilumine mais que o sol. As mãos, essas esperam o sol do olhar. Esperam-no como espera a neve que ao derreter provoca uma avalanche. Quando o sol vier as minhas mãos estão prontas a estender-se e a cobrir tudo como um manto branco. Já para o meu coração as avalanches são uma constante. Deixa-se agora explodir com qualquer brisa que traga o cheiro do novo dia. Com qualquer avistamento de luz imagina o novo dia e explode lançando sobre todo o corpo golfadas de sangue que aquecem as mãos geladas. O estômago esse faz obras a cada dia que passa. Prepara-se e enfeita-se para se tornar a casa das borboletas no novo dia. Ainda não as tem, mas a sua preparação deixa toda uma fome à porta. A cabeça, essa gira incessantemente. Gira procurando o novo dia, olhando o horizonte esperando uma pontinha de vermelho que indique o sol. Mas já lhe sinto o cheiro. E o gosto. Dobro os lábios para que conserve dentro da boca o sabor do novo dia. Ele vai chegar. Já não falta muito. Afinal já é madrugada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116332841054704159?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116332841054704159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116332841054704159' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116332841054704159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116332841054704159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/11/madrugada.html' title='Madrugada'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116214416550987822</id><published>2006-10-29T17:12:00.000Z</published><updated>2006-10-29T17:49:39.010Z</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº7 – O sexo</title><content type='html'>Ardente. Pleno de sensações, mas num turbilhão calmo e quente. Um gelado que derrete lentamente, o sol de Inverno que derrete o gelo que a relva resolveu guardar. Aquele calor. O que se chama de amor sem ser, o amor sem se chamar. O fruto que longamente se cresce. Provido de interesse é difícil encontrar nele o vermelho do coração, mas lá enche o ar com um novo aroma, enche os ouvidos de uma melodia diferente. Enche o peito de uma nova alegria. Enche o céu de nuvens de um sol brilhante que sai do peito. Brilhante e novo. Novo e cheio de brilho. É o compor uma melodia para uma bela melodia criada pelo coração. É a música composta pelo vermelho que faz vibrar o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116214416550987822?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116214416550987822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116214416550987822' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116214416550987822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116214416550987822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n7-o-sexo.html' title='Objecto do Amor nº7 – O sexo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116205433387026784</id><published>2006-10-28T17:23:00.000+01:00</published><updated>2006-10-28T17:52:14.273+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº6– O Abraço</title><content type='html'>Forte. O aperto que consegue chegar ao músculo protegido pelo peito. Quente. Um calor que abrasa mais que o sol de Agosto, mas que não queima. Um contacto total e desprovido de qualquer outro interesse. Provido de infantilidade e de carinho, cheio de uma força que traz qualquer um de volta à vida. A despedida. O reencontro. O ponto de partida para os lábios. O toque coração no coração. O coração que toca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116205433387026784?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116205433387026784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116205433387026784' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116205433387026784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116205433387026784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n6-o-abrao.html' title='Objecto do Amor nº6– O Abraço'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116205018543387588</id><published>2006-10-27T14:42:00.000+01:00</published><updated>2006-10-28T16:43:05.433+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº5 – A lágrima</title><content type='html'>Fria. Salgada e desagradável. Dolorosa de oferecer, mas benéfica depois de aberta. Custam a sair. Doem e fazem doer. Mas ao libertarem-se largam no ar algo de recuperador, e que faz de novo voar. Tomada como má, a água salgada é a única capaz de lavar e por a brilhar de novo o coração. Feita de diamantes aguçados, que só brilham à luz do sorriso que regressa de entre as nuvens. É a água que rega o beijo salgado da saudade. É a detonação do olhar entristecido que procura de novo o brilho. Escorre sobre a face e explode no coração. Faz explodir a face com o escorrer do coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116205018543387588?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116205018543387588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116205018543387588' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116205018543387588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116205018543387588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n5-lgrima_27.html' title='Objecto do Amor nº5 – A lágrima'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116180805395957141</id><published>2006-10-26T00:04:00.000+01:00</published><updated>2006-10-25T21:27:33.990+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº4 – As mãos</title><content type='html'>Seguras. Que seguram o amor. Que apoiam o olhar ou que impulsionam o beijo. As mãos de coordenar. As mãos que declaram ao resto do mundo o amor. Dançando e investigando, vão construindo o castelo vermelho de sentimento. São elas que ao procurarem o seu par pousam a primeira pedra. São elas que permanecendo juntas hasteiam a bandeira do amor bem sobre as cabeças. Mãos que asseguram o amor, segurança que aperta o entrelaçar de duas mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116180805395957141?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116180805395957141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116180805395957141' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116180805395957141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116180805395957141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n4-as-mos.html' title='Objecto do Amor nº4 – As mãos'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116180740246324292</id><published>2006-10-25T21:15:00.000+01:00</published><updated>2006-10-25T21:16:42.480+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº3 - O sorriso</title><content type='html'>Enorme. Aquele com que se brinda um olhar ou um beijo. De ponta a ponta. Com branco ou sem branco. O sorriso que se vê nos olhos, aquele que se sente nas mãos, o que se cheira no pescoço. O sorriso de felicidade, de humildade, de entendimento, de vontade. De ser mais, de fazer mais. O sorriso que olha o mundo com confiança, que olha montanhas com o números de passos a dar para chegar ao outro lado. O sorriso que se solta no ar, a felicidade que se solta no sorriso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116180740246324292?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116180740246324292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116180740246324292' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116180740246324292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116180740246324292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n3-o-sorriso.html' title='Objecto do Amor nº3 - O sorriso'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116164594003621721</id><published>2006-10-24T00:20:00.000+01:00</published><updated>2006-10-24T09:18:01.260+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº2 - O olhar</title><content type='html'>Choque. Um momento irrepetível. Uma ligação de génio despedaçada em milésimos de segundo. Mesmo sem som, cor ou cheiro, um momento cheio de vida. Um flash talvez. Um clarão de luz que desaparece num instante. A dois. Um instante que dura um tempo incalculável, e ainda assim dura exactamente o mesmo tempo para os dois casais de olhos. Uma droga que se obriga a repetir, e a repetir até entrarmos em overdose. Um vício, dos bons, que dá um igual prazer ao longo do corpo. E quando a outra face se oculta por alguma razão, a ressaca que cai pesada. Pesada como os olhos olhando outros. Leve como o olhar que incendeia pulmões e rebenta corações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116164594003621721?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116164594003621721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116164594003621721' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116164594003621721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116164594003621721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n2-o-olhar.html' title='Objecto do Amor nº2 - O olhar'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116164557378434152</id><published>2006-10-23T23:32:00.000+01:00</published><updated>2006-10-24T09:04:21.143+01:00</updated><title type='text'>Objecto do Amor nº1 - O beijo</title><content type='html'>Vermelho. Assim uma espécie de dança. O tocar quente e molhado. Um respirar sentido no limiar superior do lábio. Começa-se a dança. Há toques e sussurros que a complementam. Há olhares e carícias que a acompanham. E aquele som. O som inconfundível da paixão. O desenlaçar de quem não se quer deixar de tocar. Um som quase etéreo que quem beija não quer ouvir mas que lhes acaricia os ouvidos. Uma profundidade variável, mas um sentimento único. O do beijo. Beijo de amor entenda-se. Não o beijo fútil, ou oportunista. Aquele beijo que por muito fugaz que seja, enche todo um corpo. Ou por muito lento, desgasta um coração. O beijo que suscita inspiração quando praticado. O que irradia luz ao encontro de dois lábios. Luz vermelha a do amor. Amor vermelho o do beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116164557378434152?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116164557378434152/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116164557378434152' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116164557378434152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116164557378434152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/objecto-do-amor-n1-o-beijo.html' title='Objecto do Amor nº1 - O beijo'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-115911449671807936</id><published>2006-10-15T21:30:00.000+01:00</published><updated>2006-10-15T22:13:21.876+01:00</updated><title type='text'>Amanhecer</title><content type='html'>Hoje e ontem. Dançar de pés descalços na tijoleira. Sentar-me de calções a ver a chuva cair lá fora.  O piano a tocar a melodia da solidão. A dor a cair lentamente no meu peito. Amanhecer. Era o que eu queria fazer. Surgir de novo no horizonte do novo dia. Este já está gasto. Gasto de discussões perdidas, gasto de paixões desiludidas, gasto de luzes efémeras de carros que passam sem abrandar. Mas como amanhecer? Como encontrar as forças para me erguer e me irradiar em luz para todo um mundo. Já não as tenho e ninguém mas dá. Quem eu sei me ajudar a levantar está demasiado longe. Longe demais. Em vez de me poderem dar força tiram-ma, sem quererem. E eu não sei como arranja-las. Tento dormir para ver se resulta. Anoitecer vários dias para depois ter força para me levantar. Mas não. Não dá.&lt;br /&gt;E depois assim no escuro da noite voltam as dores que achava já ter curado. A dor da solidão a que pensava me ter habituado, e até me afeiçoado. Pensei mal. Porque toda a gente me faz falta. Mas mais tu. Fazes-me falta dizendo o que fazer. Gritando-me o meu destino, e sorrindo-me a minha vida. O teu sorriso é vidrado e só vem com a posição da luz. Mas se fosses só tu. &lt;br /&gt;És tu. Aqui na minha mão, num cheiro, numa palavra. Tu, aqui. Gritando-me que amanheça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-115911449671807936?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/115911449671807936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=115911449671807936' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/115911449671807936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/115911449671807936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/amanhecer.html' title='Amanhecer'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116023216643327221</id><published>2006-10-07T15:40:00.000+01:00</published><updated>2006-10-07T15:42:46.463+01:00</updated><title type='text'>Dreamgirl</title><content type='html'>Escrevo-te e não te conheço, sinto a tua falta sem nunca ter sentido a tua presença .  Sonho-te em noites cheias de nuvens brancas e algodões-doce cor-de-rosa . Vejo-te aqui estendida sobre a minha cama, a tua cabeça nas ondas do meu respirar. A tua pele cálida que se mistura com o vestido branco que te aconchega do frio . O teu cheiro dança no meu desejo alegremente e sinto-me em ti. As leves cortinas brancas esvoaçam ao vento como uma pena de uma gaivota perdida . O vento que nos afaga arrefece os nossos corpos aconchegados de felicidade. E ainda assim não te conheço, ainda assim é somente um imaginário sonhador de uma criança abandonada . Como um cão abandonado . Parece-me mais triste a imagem do cão morrendo á fome do que a da criança que não tem carinho . Mas contigo, não é triste nem pieodoso, mas sim melancólico e enternecedor. És um sonho, mas um daqueles sonhos quentinhos do inverno, e não uma obsessão deseperada .E assim te sonho hoje e amanhã, até que talvez um dia te encontre, eu montando um cavalo correndo para te salvar do fogo perigoso de um dragão ameaçador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116023216643327221?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116023216643327221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116023216643327221' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116023216643327221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116023216643327221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/dreamgirl.html' title='Dreamgirl'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6569159.post-116006513072822773</id><published>2006-10-05T17:18:00.000+01:00</published><updated>2006-10-05T18:16:39.866+01:00</updated><title type='text'>Tudo isto é teu.</title><content type='html'>Tudo isto é escuro. Há um balançar de cabeça. O tempo desce em vibrações pesadas e grossas que abanam tudo. Há um cheiro a pão para fazer lembrar a fome que nunca sossega. As traças vão e vem trazem o cheiro do mundo e levam o meu sopro para o mundo. Não vejo luz mas pela cor do chão sei avaliar o dia ou a noite. Como antigamente te via a mentira e a verdade no escuro dos teus olhos. Antigamente. Já tudo isto é antigo, até o cheiro a pão. Tudo isto é o que dança no peito antiguidade. Antigo como eu. Já ainda tudo isto não existia e já a escuridão me habitava. Mesmo a teu lado era escuro, escuro ao pé de ti que trazias a claridade de uma vida. Tudo isto é gelo. Um gelo negro que me sai da boca a cada exalo. Frio, mas não aquele frio alvo da neve, não aquele da geada que cobre as manhãs de Janeiro. Um frio como aquele que me atiravas com os olhos se fazia algo de errado. Tudo isto já é teu. Todo eu, ou o que resta de mim. Ainda que possa apodrecer nesta escuridão fria e faminta, ainda assim tudo isto será teu. Ainda assim o meu eu será teu, teu para usares ou para ornamentares a tua sala de troféus. Tudo isto é teu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6569159-116006513072822773?l=celi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://celi.blogspot.com/feeds/116006513072822773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6569159&amp;postID=116006513072822773' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116006513072822773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6569159/posts/default/116006513072822773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://celi.blogspot.com/2006/10/tudo-isto-teu.html' title='Tudo isto é teu.'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
