sexta-feira, junho 17, 2011

Summer Time

De repente é verão. Sem se explicar muito bem, passam todas as outras estações e é verão. Tu fazes pinos aldrabados e rodas mal executadas na relva esvoaçante. Os olhos brilham-te coroando um rosto de verão. Eu rodo a cabeça para te ver segurar no mundo. É talvez depois de almoço porque a fome não se faz lembrar. O vento quente esvoaça-me na cara tornando vermelho o céu ainda laranja. As mãos cheiram a laranjas do verão colhidas por entre as silvas que me desenharam as pernas de vermelho. Definitivamente verão. Há todo um calor que me refulge no corpo apesar da minha imensa inércia. Posso talvez chamar-lhe inércia. Estendido, vejo me agora na minha cama. Tu sorris-me e os olhos brilham-te ainda. Mas as lágrimas escorrem-te na face. Eu aperto-te a mão. É verão. O suor esconde-se entre as duas mãos e elas entrelaçam-se. O peito arde-me num calor sem fogo. Eu sorrio. É verão, e os meus olhos fecham-se para descansar da luz. Talvez não queira fazer isto. Talvez venha um verão ainda. Quero dizer que afinal já não quero. Que afinal não desisto. Ouçam-me afinal. Mas o corpo já não me responde, só aqueço mais o quente verão que se vai espalhando a partir do meu peito. Expiro. Esqueço-me. O calor habita-me por inteiro. Nos ouvidos um zumbido final. Na expressão um verão, absoluto.

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